Manchas de óleo avançam e preocupam setor salineiro

Manchas de óleo já foram vistas nas praias das Manuelas e no litoral de Grossos

Publicado 3 minutos atrás em 26 de outubro de 2019

Por gazeta do oeste

O surgimento de manchas de óleo nas praias nordestinas que continuam avançando no litoral e provocando preocupação de vários setores econômicos e afastando banhistas, começa a causar inquietação também no setor salineiro.

O diretor executivo da Associação dos Moageiros e Refinadores de Sal do Rio Grande do Norte(Amorsal), Renato Fernandes, manifestou preocupação e tem alertado empresários da área.

Ele chama a atenção para o grande prejuízo que pode ser causado com o volume de contaminação das águas, principalmente nesse momento de colheita. “O teor de pureza do nosso sal é de 99,88%, um sal de alta qualidade, o melhor do mundo, mas pode ser atingido seriamente”, frisou, ao tentar despertar o maior número possível de industriais e de autoridades, no sentido de toar providências preventivas.

Para Renato Fernandes, a situação é bem pior do que se apresenta e parte inclusive dos salineiros, não estão percebendo o tamanho do problema.

Ele observou que o problema pode sim levar a recusa do sal potiguar, no processo de exportação. Nesse sentido, ele tem procurado apoio técnico nas universidades do estado, para avaliar o que pode ser feito como prevenção, assim como solicitar as autoridades a providências através de barreiras, que possam inibir esse avanço.

Além do surgimento de manchas de óleo em praias vizinhas como Canoa Quebrada, no Ceara, há informações que, embora ainda em pequenas quantidades, as manchas já podem ser vistas em determinados locais das praias da Manuelas, em Tibau e na Barra, em Grossos, exatamente no coração da área salineira.

Desde a primeira vez que as manchas de óleo foram vistas em Pernambuco, no dia 30 de agosto, a contaminação se espalhou por nove Estados do Nordeste e já afeta 200 praias, conforme a última atualização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), publicada em 19 de outubro.

Em pouco mais de 50 dias de trabalho, a Marinha já recolheu mais de 1 mil toneladas de resíduo das praias, mas a investigação sobre a origem do óleo ainda não é conclusiva. É, aliás, enganosa uma publicação compartilhada nas redes sociais que atribui à Shell a responsabilidade pelo óleo, conforme verificado pelo Projeto Comprova.

Em muitas praias, voluntários estão trabalhando em mutirão visando limpar as áreas afetadas.