LAIS recomenda que decreto de isolamento social rígido seja prorrogado com toque de recolher integral no fim de semana no RN

Imagem mostra uma das entradas de Natal, pela BR-101, vazia durante pandemia do coronavírus — Foto: Sandro Menezes

Os cientistas do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) – alguns integram também o comitê científico do RN – recomendaram nesta segunda-feira (29) que o governo do Rio Grande do Norte prorrogue até o próximo domingo (4) o atual decreto de isolamento social rígido que tem validade até o dia 2 de abril.

A intenção dos especialistas com as medidas é evitar aglomerações durante o feriadão da Semana Santa em todo o Rio Grande do Norte.

No relatório, os cientistas indicam que março tem sido um dos piores meses desde o início da pandemia e que isso exigiu medidas mais duras, já que houve recorde de internações e o terceiro maior número de mortes e também o terceiro maior número de casos confirmados durante o mês (veja o relatório na íntegra).

Os especialistas apontam, no entanto, que após a implantação de medidas mais duras no estado e especialmente em Natal e Região Metropolitana, houve uma melhora da situação, ainda que a situação siga sendo considerada crítica.

“Com base nas análises realizadas, é possível afirmar que a situação de saúde do estado, em virtude da pandemia, ainda é considerada grave. Todavia, já é possível observar, em todo o RN, uma redução dos pedidos por internação em leitos covid-19. Isso, provavelmente, já pode ser fruto dos primeiros impactos positivos do último decreto publicado“, conclui o documento, que reforça, no entanto, que ainda não é momento de relaxar as medidas.

“Como os resultados, neste momento, ainda são lentos, não é possível falar, agora, em relaxar as medidas sanitárias, ao menos até a Páscoa. É necessário ter uma maior clareza quanto à sustentabilidade na redução das solicitações de internações por Covid-19 por um prazo maior de dias, com o propósito de poder orientar de maneira mais segura as autoridades públicas do estado no que diz respeito ao relaxamento das medidas impostas no último decreto”.

A intenção do LAIS é de que com esse prazo estendido, além de se evitar aglomerações durante o fim de semana, também seja possível entender melhor o impacto das medidas restritivas no combate a pandemia no estado.

“Que o decreto seja estendido pelo menos até o fim da Páscoa. Vai estender mais alguns dias, que é tempo suficiente pra se fazer novas análises e observar como se está essa atenuação, ocupação de leitos, como também redução de pedidos por internação”, explicou Ricardo Valentim.

O médico epidemiologista Ion de Andrade, que também assina a recomendação, é outro que reforça que as medidas já tem impactado na redução da pressão por leitos. Apesar disso, ele reforça que isso também só aconteceu por conta da abertura de novos leitos críticos no estado neste período.

“Influência há do decreto porque a gente tem sempre visto que medidas restritivas diminuem a velocidade do contágio. Outro componente dessa equação é a quantidade de leitos disponíveis, que teve um aumento”, afirmou.

Nesta segunda-feira (29), o estado tinha cerca de 100 pacientes na fila por um leito crítico de UTI – o número na semana passada variava entre 130 e 140. Mesmo com a diminuição, o cenário segue delicado.

Veja as recomendações do LAIS

  • O atual decreto do estado deve ser mantido até o final da semana da Páscoa (04/04/2021).
  • Implantar, no sábado e no domingo de Páscoa, toque de recolher de 48 horas, iniciando-se às 5h da manhã do sábado (03/04/2021) até às 05h da segunda-feira (05/04/2021).
  • Após a Páscoa, deve ser iniciado o retorno às aulas em formato híbrido com 50% da capacidade para as atividades presenciais.
  • O Governo do Estado e os municípios devem apresentar um plano de retomada gradual das atividades econômicas.
  • Os educadores físicos, por serem profissionais de saúde, devem ser incluídos na lista de vacinação já nas fases prioritárias, pois esses têm um papel social importante e muitos deles estão expostos em academias e também porque trabalham com a população considerada de risco.
  • As Pessoas com Síndrome de Down devem ser priorizadas na vacinação, pois há comprovação científica de que estes fazem parte do grupo de risco, logo não é possível negligenciar essa população.
  • Os gestores públicos não devem investir recursos públicos em fármacos sem autorização da Anvisa, cuja bula do medicamento não conste explicitamente a indicação clínica para covid-19. Ao contrário, todos devem unir esforços em prol da
  • É altamente recomendado que as autoridades públicas do estado e dos municípios invistam em pesquisas clínicas para o enfrentamento a covid-19.
  • As autoridades sanitárias do estado devem alertar a população que a prescrição off-label de medicamentos sem autorização da ANVISA para a covid-19 é algo desaconselhado pela Associação Médica Brasileira. Caso a indicação clínica não conste na bula do medicamento, o paciente deve ser informado de que se trata de um método terapêutico experimental, uma vez que não há evidências científicas de que o mesmo tenha ação profilática e/ou terapêutica contra a covid-19. Além disso, o paciente deverá ser informado de que é preciso manter o distanciamento social adequado, usar máscaras, fazer higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool 70%.
  • Diante dos resultados apresentados em estudos científicos amplamente divulgados e revisados por pares sobre o uso indiscriminado e da automedicação utilizando Ivermectina, Cloroquina e Hidroxicloroquina, é fundamental que o Governo do Estado e demais municípios elaborem um plano de comunicação voltado para população em geral alertando sobre os riscos do uso desses medicamentos.
  • O Estado e todos os municípios precisam, urgentemente, discutir o retorno às aulas das escolas públicas, pois essas são as mais afetadas durante todo o curso da pandemia. As crianças e os adolescentes mais pobres do estado já foram bastante impactados pela falta das aulas presenciais, aspecto esse que poderá ampliar ainda mais a desigualdade social no RN.

Fonte: G1RN

Com taxa de 52,6% no domingo, RN registra maior isolamento social desde início de abril

Apesar do aumento, estado segue abaixo do índice de 60% estimado pelas autoridades de saúde. Índice do estado foi o sexto entre os nove estados da região Nordeste.

Por G1 RN
25 de maio de 2020 10:56

Mapa mostra índice de isolamento social no Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte teve um índice de isolamento social de 48,29% no final de semana, considerando a média do sábado (23) e do domingo (24). Enquanto apenas 43,94% da população permaneceu em casa no primeiro dia, o isolamento aumentou no segundo, chegando a 52,64% – o melhor resultado desde o primeiro domingo de abril, quando chegou a 54%.

O isolamento é recomendado como uma das principais formas de controle ao contágio do novo coronavírus.

Ainda assim, o RN ficou na sexta colocação, entre os estados vizinhos, da Região Nordeste, atrás de Pernambuco (56,63%), Alagoas (56,24%), Ceará (54,86%), Paraíba (54,05%) e Piauí (52,95%). No domingo (24), a média nacional foi de 53,2%. Os piores resultados da região foram de Sergipe (47,84%), Maranhão (50,37%) e Bahia (50,48%).

O levantamento é da empresa de tecnologia In Loco, que tem feito um acompanhamento nacional sobre o assunto, com base em dados de 60 milhões de brasileiros, usuários de vários aplicativos de smartphones.

Apesar de abaixo do índice de 60% estimado pelas autoridades de saúde (percentual atingido apenas pelo Amapá neste fim de semana), o isolamento do estado aumentou em relação aos domingos anteriores e foi o mais próximo da média nacional, desde o início das medidas de isolamento social no país.

A contagem da empresa é diária, mas o gráfico abaixo mostra os números apenas dos domingos – dias em que geralmente ocorrem os maiores índices de isolamento. Desde o início do período histórico, o estado vinha apresentando queda no percentual de isolamento, mas apresentou uma melhora nos últimos dois finais de semana.

Coleta de dados

A tecnologia da In Loco é embarcada em aplicativos de parceiros e clientes (bancos e grandes varejistas, por exemplo). Os usuários que voluntariamente instalam esses softwares podem ou não permitir a coleta de dados pela In Loco, que informa claramente as finalidades previstas na sua política de privacidade.

A única informação coletada é a localização dos celulares, que é utilizada para fins de autenticação e verificação de segurança e anti-fraude, além de contagem de visitas em determinados estabelecimentos.

“Toda essa captação é feita sem identificar as pessoas. A tecnologia da In Loco foi desenvolvida de forma a não coletar dados de identificação civil, como nome, RG, CPF e e-mail”, explicaram representantes da empresa. Os dados anônimos de localização coletados são agregados e transformados em estatísticas que são compartilhadas com órgãos públicos.

Isolamento social em São Paulo é de 57%; índice ideal é de 70%

Informação é do Centro de Contingência do Coronavírus de SP

Publicado em 11/04/2020 – 16:35 Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

O percentual de isolamento social no estado de São Paulo foi de 57% na sexta-feira (10), de acordo com o Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do governo estadual. Na quinta-feira (8), o índice foi de 47%. De acordo com o Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o médico infectologista David Uip, a adesão ideal para controlar a disseminação da covid-19 é de 70%.

Se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população, de acordo com o governo do estado.

A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento social. O sistema é viabilizado por meio de acordo com as operadoras de telefonia Vivo, Claro, Oi e TIM para que o estado possa consultar informações agregadas sobre deslocamento nos 645 municípios paulistas.

Conforme divulgou o governo do estado, as informações são aglutinadas sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. A partir de segunda-feira (13), o índice de isolamento estará disponível para consulta no portal do Centro de Contingenciamento de Coronavírus.