Fiocruz produzirá vacinas 100% nacionais contra covid-19

A medida foi aprovada hoje pela Anvisa por meio de resolução

Publicado em 07/01/2022 – 12:20 Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Tomana aérea da fachada e terraço do Castelo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a inclusão na fabricação da vacina contra covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) fabricado pela própria fundação. A publicação está na Resolução RE 35/2022 da Gerência Geral de Medicamentos da Anvisa, desta sexta-feira (7) no Diário Oficial da União. “Na prática, a decisão conclui o processo da Fiocruz para que o Brasil tenha uma vacina 100% nacional, com todas as etapas de produção realizadas no Brasil”, informou a agência em nota.

A vacina contra covid-19 oferecida pela Fiocruz será produzida com todas as etapas realizadas no Brasil com o IFA nacional. “Para essa decisão, a Anvisa avaliou os estudos de comparabilidade. Estes estudos demonstram que, ao ser fabricada no país, o insumo mantém o mesmo desempenho que a vacina importada”, acrescentou o órgão.

Em maio de 2021 a Anvisa já havia feito a Certificação de Boas Práticas de Fabricação do novo insumo, o que garante que a linha de produção cumpre com todos os requisitos necessários para a garantia da qualidade do IFA. Desde então a Fiocruz vinha realizando a produção de lotes testes para obter a autorização de uso do IFA nacional na vacina covid-19 (recombinante).

Com a decisão desta sexta-feira (7) a transferência de tecnologia feita pela Fiocruz e que teve início ainda no ano passado foi concluída. A vacina está autorizada no Brasil desde 17 de janeiro de 2021 e recebeu o registro definitivo em 12 de março de 2021.

Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz: mantida tendência de queda dos indicadores da pandemia.

Quanto às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19, Roraima é o único estado com número superior a 80%. Nas capitais, Rio de Janeiro (96%) e Boa Vista (84%) mantêm-se em nível muito crítico.

O Boletim mostra, ainda, um lento avanço da vacinação, com uma média de 1 milhão de doses aplicadas por dia no país. De acordo com dados de 17/8, o Brasil já aplicou 169 milhões de vacinas, cerca de 71,6% da população adulta tomou ao menos uma dose.

Leia o Boletim completo: bit.ly/3gzXcHZ

Anvisa autoriza análise da eficácia de dose de reforço da AstraZeneca

Também foi autorizado estudo sobre medicamento proxalutamida

Publicado em 19/07/2021 – 10:19 Por Antônio Claret Guerra – Repórter da Agência Brasil – Belo Horizonte

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (19), a realização de estudo clínico para avaliar a segurança, a eficácia e a imunogenicidade da aplicação de terceira dose da vacina contra covid-19 da AstraZeneca.

Segundo a Anvisa, o estudo inicial será feito em participantes que já receberam as duas doses do imunizante, com um intervalo de quatro semanas entre as aplicações. A dose de reforço será aplicada de 11 a 13 meses após a segunda dose.

A Anvisa explica que trata-se de um estudo de fase três, em que o voluntário não saberá o que tomou: se uma dose da vacina ou de placebo.

Voluntários

“Serão incluídos voluntários com idade entre 18 e 55 anos, que estejam altamente expostos à infecção com o novo coronavírus, como profissionais de saúde. Não serão incluídas gestantes ou pessoas com comorbidades”, explica a agência, em nota.

Segundo informou a Anvisa, o estudo, patrocinado pela AstraZeneca, será realizado somente no Brasil, nos estados da Bahia (1,5 mil voluntários), Rio de Janeiro (1,5 mil), Rio Grande do Sul (3 mil), Rio Grande do Norte (1,5 mil) e São Paulo (2,5 mil).

Após a quebra do “cegamento da pesquisa”, quando os voluntários ficam sabendo se receberam a vacina ou o placebo, todos os participantes do grupo placebo serão convidados a tomar a dose de reforço.

Proxalutamida

Nesta segunda-feira, também foi autorizada a realização de um estudo clínico para avaliar a segurança e a eficácia do medicamento proxalutamida na redução da infecção viral causada pelo novo coronavírus e no processo inflamatório provocado pela covid-19.

O estudo é de fase três e avaliará a eficácia e a segurança da substância em participantes ambulatoriais do sexo masculino com covid-19 de leve a moderada.

O estudo é patrocinado pela empresa Suzhou Kintor Pharmaceuticals, sediada na China, e será realizado na Alemanha, Argentina, África do Sul, Ucrânia, México, Estados Unidos e Brasil, onde participarão 12 voluntários do estado de Roraima e 38, de São Paulo.

Nesse domingo (18), o presidente Jair Bolsonaro disse que pediria estudos sobre o uso do medicamento no Brasil.

Estudo da Fiocruz mostra efetividade das vacinas em idosos

Pesquisa avaliou pessoas que receberam CoronaVac e AstraZeneca

Publicado em 10/07/2021 – 10:04 Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que o esquema vacinal completo contra covid-19 (duas doses) garante taxas de efetividade médias de 79,8% em pessoas com 60 a 80 anos e de 70,3% em idosos com mais de 80 anos.

Considerando-se uma média daqueles que receberam o esquema vacinal completo e aqueles que tomaram apenas a primeira dose, as taxas de efetividade ficam em 73,7% em idosos com até 79 anos e de 63% em pessoas com 80 anos ou mais.

O estudo considerou os imunizados com CoronaVac e AstraZeneca e foi feito com base em registros de hospitalização e morte por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), o que permitiu avaliar a efetividade em relação à redução de casos graves e óbitos.

As duas vacinas têm, no entanto, taxas diferentes. Na CoronaVac, por exemplo, a taxa de efetividade para pessoas com esquema vacinal completo é de 79,6% para pessoas com 60 a 79 anos e de 68,8% em idosos com 80 anos ou mais.

Se forem considerados todos os imunizados, ou seja, aqueles com esquema vacinal completo e os que tomaram apenas a primeira dose, as taxas são de 70,3% em pessoas com 60 a 79 anos e de 62,9% em idosos com 80 anos ou mais, no caso da CoronaVac.

Para a AstraZeneca, no entanto, não foi possível avaliar a efetividade com o esquema vacinal completo, já que a segunda dose só é aplicada três meses depois da primeira. Portanto, a Fiocruz trabalhou com estimativas.

A taxa de efetividade da AstraZeneca com aqueles que receberam pelo menos a primeira dose chegou a 81,7% para pessoas com 60 a 79 anos e de 62,8% naqueles com 80 anos ou mais.

“A efetividade da vacinação continuará a ser avaliada, buscando estimar os dados de efetividade das vacinas com sua utilização no mundo real, no contexto epidemiológico e das variantes circulantes. Nesse sentido, os dados obtidos até o momento refletem principalmente as evidências de proteção vacinal frente à variante gama, preponderante no país neste período”, informa nota técnica divulgada pela Fiocruz.

A nota destaca ainda que medidas restritivas e o uso de máscaras podem influenciar no aumento de infecções por covid-19. “O relaxamento de medidas não farmacológicas após a vacinação, como uso menos frequente de máscara e aumento nas interações sociais presenciais sem os devidos cuidados de distanciamento e ventilação, induzem a maior risco de infecção”.

Alguns efeitos colaterais após aplicação da vacina Covid-19 Fiocruz é de natureza leve

✅ A maioria dos efeitos colaterais após a aplicação da Vacina Covid-19 Fiocruz é de natureza leve a moderada e resolvida dentro de poucos dias.

✅ Algumas pessoas podem ter mais de uma reação ao mesmo tempo e isto não deve ser motivo para preocupação.

✅ Nos estudos clínicos com a vacina, menos efeitos colaterais foram relatados após a segunda dose.

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Fonte: Fiocruz💉

Estudo identifica fatores de dispersão da Covid-19 no Brasil

Max Gomes (IOC/Fiocruz)

A entrada do Sars-CoV-2 no Brasil ocorreu, principalmente, pelos aeroportos internacionais. No entanto, foram pelas rodovias federais e estaduais que o novo coronavírus avançou pelo país. Publicado recentemente na revista Scientific Reports, um artigo com participação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investigou os percursos traçados pelo vírus causador da Covid-19 em território nacional. Os autores destacam três fatores principais para sua propagação inicial: a introdução em regiões com grande potencial de disseminação, a livre circulação em estradas que conectam metrópoles com cidades do interior e a desigual distribuição geográfica de unidades de terapia intensiva (UTI).

A partir de uma modelagem matemática, os cientistas identificaram que 17 cidades brasileiras correspondiam a quase uma totalidade dos casos iniciais de disseminação do Sars-CoV-2 durante os 3 primeiros meses de circulação do vírus no país. A principal delas era a cidade de São Paulo que chegou a registrar 85% dos casos originais entre final de fevereiro de 2020 e metade de março do mesmo ano. O estabelecimento da transmissão comunitária do novo coronavírus nessas áreas combinado às dinâmicas de mobilidade humana fomentadas pelas complexas redes de transportes determinou o alastramento geográfico da Covid-19 para municípios menores.

À medida que os casos cresciam no interior, pacientes em situações mais graves dessas localidades passaram a buscar assistência médica em grandes cidades devido à ausência de leitos de UTI em seus municípios, criando, assim, um “efeito bumerangue”. Esse comportamento provocou uma distorção na distribuição dos números de mortes por Covid-19 no Brasil, que deixou de acompanhar a quantidade de casos de cada região e passou a ser relacionada com a ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva.

“Se um lockdown em capitais com potencial de disseminação tivesse sido implementado cedo, restrições obrigatórias de tráfego rodoviário fossem aplicadas, e uma distribuição geográfica mais equitativa de leitos de UTI existisse, o impacto da Covid-19 no Brasil teria sido significativamente menor”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Juntamente com Cecilia Andreazzi, do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do IOC/Fiocruz, assinam o artigo Miguel Nicolelis, da Duke University Medical Center, nos Estados Unidos; Rafael Raimundo, da Universidade Federal da Paraíba; e Pedro Peixoto, da Universidade de São Paulo.

Das capitais para o interior e de volta às capitais

Por estar localizada ao lado do maior aeroporto internacional do Brasil e possuir o maior fluxo de tráfego rodoviário do país, a capital de São Paulo abrigou o maior índice de disseminação de Sars-CoV-2 nas primeiras três semanas de propagação do vírus, com 85% dos casos originais. Em seguida, outros 16 municípios também registraram altos índices. Entre eles, as capitais Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, São Luís, João Pessoa, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Manaus. Juntas, essas cidades foram responsáveis por cerca de 98% de dispersão do novo coronavírus em seus três primeiros meses de circulação.

Após o estabelecimento da transmissão comunitária nessas localidades, em pouco tempo a Covid-19 alcançou o interior do país. Como as cidades menores são altamente dependentes de outros municípios (geralmente capitais) para aquisições de bens e acesso a serviços públicos, incluindo cuidados de saúde, seus moradores acabaram sendo infectados durante esse trânsito. Acometidos pela doença, essas pessoas retornam às capitais em busca de atendimento médico, seguindo um padrão que pode ser observado em diversas regiões do Brasil.

A análise do fluxo de pacientes com Covid-19 revelou que a capital de São Paulo recebeu residentes de 464 municípios, seguida de Belo Horizonte, que recebeu pacientes de 351 cidades, Salvador (332), Goiânia (258), Recife (255) e Teresina (255).

“Pessoas de municípios do interior passaram a corresponder a uma grande porcentagem de admissões em hospitais públicos e privados nas capitais. Depois disso, diversos desses hospitais ficaram sobrecarregados”, apontam os autores.

Ainda que a assistência gratuita oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que atende cerca de 7 em cada 10 brasileiros, tenha sido essencial para evitar um agravamento ainda maior da pandemia, a necessidade de aprimoramento na distribuição de leitos e serviços é enfatizada na publicação.

“A crise epidêmica da Covid-19 expôs a inadequação da política de concentração da maior parte das instalações de hospitais terciários e leitos de UTI em um punhado de cidades de médio porte e capitais em todo o Brasil”, destacam os especialistas.

Os cientistas finalizam o artigo com um alerta sobre a necessidade de uma reação mais eficiente de gestores assim que emergências sanitárias sejam declaradas, além de um financiamento adequado para o desenvolvimento de sistemas de informação e a gradual descentralização de unidades de terapia intensiva.

“Nos próximos anos, essa noção deve ser considerada um ponto de partida para desenhar políticas públicas urgentemente necessárias destinadas a preparar instituições de saúde brasileiras, a níveis federal e estadual, para coordenar respostas não-farmacêuticas robustas para o enfrentamento de emergências epidemiológicas em todo o país, tal como a atual pandemia do Sars-CoV-2”, concluem.

Fiocruz vai entregar mais de 4 milhões de dose ao Ministério da Saúde

A Fiocruz realiza, nesta sexta-feira (25/6), mais uma entrega de vacinas Covid-19 ao Ministério da Saúde (MS). Serão disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) 4,1 milhões de doses produzidas no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

A entrega se dará em duas remessas, sendo uma para o estado do Rio de Janeiro, com 217 mil doses, e o restante para o almoxarifado designado pelo MS.

Com o envio, a Fundação alcança a marca de 62,9 milhões de doses fornecidas, sendo 58,9 milhões com produção pela Fiocruz e 4 milhões importadas prontas do Instituto Serum, da Índia.

Fiocruz deve entregar 5,8 mihões de doses de vacina nesta sexta-feira

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve entregar nesta sexta-feira (28) mais 5,8 milhões de doses da vacina contra Covid-19 da AstraZeneca/Oxford. A tendência é o Ministério da Saúde repassar as novas vacinas aos estados durante o final de semana. Este lote foi produzido com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) antigo. O insumo recebido no último sábado (22), suficiente para o envase de 12 milhões de doses, será usado nas remessas de junho.

De acordo com a fundação, há IFA garantido para a fabricação da vacina até a terceira semana de junho. A Fiocruz espera formalizar na próxima terça-feira (1°) o contrato com a AstraZeneca que permitirá a transferência de tecnologia para a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo no Brasil. Se o contrato for efetivado, a produção 100% nacional começará em outubro.

Por CNN Brasil

Chegam a SP insumos para produção de 5 milhões de doses de CoronaVac

Previsão é que as doses sejam entregues em junho ao governo federal

Publicado em 25/05/2021 – 18:51 Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio. A cidade do Rio de Janeiro retoma hoje (25) sua campanha de aplicação da primeira dose da vacina contra a covid-19 em idosos da população em geral. Hoje serão vacinados os idosos com 82 anos.

Mais 3 mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para produção da CoronaVac chegaram a São Paulo na tarde de hoje (25). Com o material, o Instituto Butantan produzirá 5 milhões de doses da vacina contra a covid-19. As entregas estão programadas para junho.

Os insumos são enviados pela biofarmacêutica Sinovac e, no Brasil, passam pelos processos de envase, rotulagem, embalagem e controle de qualidade. De acordo com o governo paulista, todo o processo dura, em média, de 15 a 20 dias. Depois de prontas, as doses são entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

As entregas de IFA estão sendo feitas desde o final de 2020, matéria-prima que rendeu 3,8 milhões de doses. Em fevereiro, foi feita a entrega de 11 mil litros, em março, 8,2 mil litros de insumos e, em abril, 3 mil litros. 

Ao todo, o instituto entregou 47,2 milhões de doses ao PNI. Segundo o Butantan, o montante cumpre o primeiro contrato de 46 milhões de vacinas, assinado em 7 de janeiro com o Ministério da Saúde. O segundo contrato prevê a entrega de 54 milhões de doses. 

O órgão espera finalizar em setembro a obra de uma nova fábrica, o que permitirá, a partir de dezembro, a produção integral no Brasil, sem que seja necessário importar matéria-prima. A capacidade será de 100 milhões de doses por ano.

Fiocruz e Mapa mapeiam produção de plantas medicinais no Brasil

Das 26 espécies de plantas, 18 são extrativas e oito, cultivadas

Publicado em 24/05/2021 – 18:35 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Juruena, MT, Brasil: Seleção das castanhas colhidas na reserva legal comunitária do assentamento é feita na fábrica de beneficiamento da Cooperativa do Vale do Amanhecer. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apresentaram hoje (24) os resultados do maior diagnóstico já realizado no Brasil sobre o potencial produtivo de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias. Ao todo, foram mapeadas as cadeias de valor de 26 espécies de plantas. Para cada uma delas foram identificados os produtores, as formas de escoamento dos produtos, os potenciais consumidores, além dos principais desafios e formas de aprimorar a produção.

“Acreditamos que esse pode ser um campo de muita geração de renda para nossos agricultores”, diz o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke. “O Brasil é um grande importador de óleos de outros países quando temos a agricultora familiar que pode produzir muitas dessas plantas e agregar valor para si e para a sociedade como um todo”, acrescenta.

O mapeamento faz parte do Projeto ArticulaFito – Cadeias de Valor em Plantas Medicinais e os resultados estão disponíveis nas redes sociais. A pesquisa foi apresentada no seminário online  “Cadeias de Valor em Plantas Medicinais e a Agenda 2030: contribuições da sociobiodiversidade para reflexão sobre novos modelos de produção para a  preservação da vida e da saúde no planeta”, que pode ser acessado na íntegra na internet.

Entre os produtos mapeados estão, por exemplo, o chá medicinal de hortelã, semente de sucupira, pílula artesanal de babosa, semente de umburana, óleo extravirgem e farinha de babaçu, amêndoa da castanha-do-pará e o repelente de andiroba.

“A crise ambiental que estamos vivendo colocou novos desafios e esse desafio do desenvolvimento sustentável se coloca exatamente no nosso ponto central ao valorizarmos os produtos da sociobiodiversidade, ao valorizarmos as populações tradicionais que são as grandes protetoras dos nossos biomas”, diz o coordenador de Relações Institucionais da Fiocruz, Valcler Rangel.

Um dos objetivos do mapeamento, segundo a coordenadora técnica e executiva do ArticulaFito, Joseane Carvalho Costa é fazer com que todos que participam de alguma forma dessa cadeia, desde os produtores até os consumidores finais valorizem e conheçam cada uma das etapas. “Quando a gente está consumindo o produto de óleo de castanha na clínica de estética, precisamos saber o quanto nesse produto está embutido de desigualdades o quanto está embutido exploração de trabalho. É uma virada no modo de como se consome, esse novo modo de mudar esse padrão de relação de consumo”.

Mapeamento  

Entre 2015 e 2018, o ArticulaFito realizou uma série de oficinas com atores da sociedade civil, representantes governamentais, universidades, entre outros atores para mapear as cadeias de valor dessas plantas com potencial fitoterápico, cosmético e alimentar. Foram identificados os insumos, as formas de coleta, beneficiamento, o mercado e o consumo, além das fragilidades, as potencialidades, os gargalos e os desafios.

Dentre os principais desafios estão a capacitação de pessoal, a adequação dos produtos às normas sanitárias, a comunicação e formas de expandir a comercialização. O desmatamento é um fator que impacta a produção. Das 26 espécies de plantas, 18 são extrativas e oito, cultivadas.

“A maioria desses produtos extrativos estão entrando em extinção, estão com problema de desmatamento, queimadas, isso tudo está gerando problema sério de produção. O manejo adequado é necessário para que a gente supere e consiga reverter a situação”, diz Joseane.

A quebradeira de coco, integrante do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu Cledeneuza Oliveira é uma das trabalhadoras impactadas diretamente. “Nos sentimos ameaçadas porque as regiões onde há mais quebradeiras é onde tem mais fazendeiros e donos da terra que nos proíbem de catar coco, derrubam os babaçuais mais próximos às vilas e isso dificulta nossa produção”, diz. “Um ano colhemos mais produtos, no outro, já mataram as palmeiras. É uma coisa que entristece a gente, porque temos uma boa produção”.

Programas

O ArticulaFito prevê uma série de ações para preservar as produções e incentivar esses mercados. Entre elas, estão capacitações, pesquisa e desenvolvimento, intercâmbio de experiências, feiras e eventos para promoção comercial, arranjos institucionais, inclusive com o Sistema Único de Saúde (SUS) e acompanhamento técnico aos empreendimentos mapeados.

Em 2019, o Mapa lançou o programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, com o objetivo de organizar políticas públicas e realizar ações para fortalecer as cadeias produtivas que usam os recursos naturais de forma sustentável.

O Coordenador-geral de Extrativismo do Mapa, Marco Aurélio Pavarino, destaca, por exemplo, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Bioeconomia, linha de crédito voltada ao financiamento de agricultores e produtores rurais familiares para investimento na utilização de tecnologias de energia renovável, tecnologias ambientais, armazenamento hídrico, pequenos aproveitamentos hidroenergéticos, silvicultura e adoção de práticas conservacionistas e de correção da acidez e fertilidade do solo, visando sua recuperação e melhoramento da capacidade produtiva.

De acordo com o Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil são classificados como agricultura familiar, o que equivale a 3,9 milhões de estabelecimentos. Eles ocupam 23%, ou 89 milhões de hectares, do total da área ocupada por estabelecimentos rurais no país. Sozinhos, concentram 67% do pessoal empregado em agropecuária e são responsáveis por 23% da produção.