Médica diz que coronavírus foi criado em laboratório chinês; governo nega

‘Este vírus não é da natureza’

Diz que governo acobertou estudo

Médica Li-Meng Yan é especializada em virologia e imunologia na Escola de Saúde Pública de Hong Kong

PODER360
14.set.2020 (segunda-feira) – 17h47

A médica Li-Meng Yan, virologista chinesa, afirmou que o novo coronavírus foi produzido em 1 laboratório em Wuhan controlado pelo governo da China. Segundo ela, o governo chinês sabia antecipadamente do potencial de propagação do vírus. Em nota, o governo da China nega as informações.

As declarações foram dadas em 11 de setembro, durante uma entrevista ao programa britânico “Loose Woman”.  Li-Meng afirmou que há comprovação da origem do vírus no genoma do microorganismo. Li-Meng diz que vai publicar 1 artigo com as evidências científicas que comprovam essas alegações.

“A sequência do genoma é como a impressão digital humana. Com base nisto, pode reconhecer e identificar esta coisa. Assim, utilizei as provas existentes na sequência do genoma de Sars-CoV-2 para dizer às pessoas porque é que isto veio da China, porque é que eles são os únicos que o fizeram”, explicou.

Li-Meng, especializada em virologia e imunologia na Escola de Saúde Pública de Hong Kong, afirmou que fez duas investigações sobre a covid-19 na China, a 1º de dezembro de 2019 a janeiro deste ano e a 2ª em meados de janeiro.

Segundo ela, “este vírus não é da natureza”, mas sim de 1 experimento do Instituto Militar da China, que descobriu que a modificação laboratorial de 2 organismos, batizados de CC45 e ZXC41, originava 1 novo vírus.

Os resultados foram compartilhados com seu supervisor, que é consultor da OMS (Organização Mundial da Saúde). Ela relata que esperava que o seu supervisor fizesse “a coisa certa em nome do governo chinês e da OMS”, mas, para sua surpresa, foi ameaçada para “manter o silêncio ou então seria obrigada a desaparecer”.

Durante a entrevista, feita de uma localização confidencial, ela contou que precisou fugir para os Estados Unidos depois de desvendar a operação de encobrimento do coronavírus pelo governo chinês.

Li-Meng compartilhou que está conduzindo sua própria pesquisa juntamente com 1 grupo de cientistas do mundo todo. Ela afirma que 2 estudos serão publicados em breve com as constatações da origem do coronavírus na China.

“Há 2 relatórios, o primeiro virá dentro de vários dias e informará as pessoas sobre as provas científicas. Qualquer pessoa, mesmo aqueles sem qualquer conhecimento de biologia, pode lê-lo.”

OUTRO LADO

Em nota enviada ao programa “Loose Woman”, o governo chinês refutou as declarações de Li-Meng. De acordo com o texto, a China atuou imediatamente para tentar impedir a propagação do vírus. A nota também afirma que o governo norte-americano conduziu uma investigação que concluiu que a suspeita de o vírus ter sido produzido em laboratório era infundada.

Assista à integra da entrevista concedida ao programa britânico “Loose Woman” (10min43seg):

José Serra é denunciado por lavagem de dinheiro

Segundo a denúncia, senador recebeu vários pagamentos da Odebrecht

Publicado em 03/07/2020 – 10:44 Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil – São Paulo
Atualizado em 03/07/2020 – 14:22

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia, hoje (3), contra o senador José Serra (PSDB-SP) por lavagem de dinheiro à época que era governador de São Paulo. A filha do parlamentar, Verônica Allende Serra, também foi denunciada. Estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão para aprofundamento das investigações sobre o esquema em  endereços em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia da força tarefa da Operação Lava Jato, em 2006 e 2007 Serra recebeu vários pagamentos da empreiteira Odebrecht em contas no exterior, em um total de R$ 4,5 milhões. O MPF disse que “supostamente” o dinheiro seria usado para pagamento de despesas das campanhas eleitorais do então governador.

Rodoanel

Em troca do dinheiro, Serra teria permitido que a Odebrecht, junto com outras empresas, operasse um cartel, combinando os preços das obras para a construção do trecho sul do Rodoanel, um anel rodoviário que circunda a região central da Grande São Paulo. “No caso da Odebrecht, essa atuação servia para se atingir a meta de lucro real estabelecida para sua participação nas obras do Rodoanel Sul, pelo superintendente Benedicto Júnior, de 12% sobre o valor do contrato, o qual só foi possível de atingir diante da inexistência de competição no certame licitatório, em razão da formação prévia de um cartel”, afirmam os procuradores na denúncia.

“Em outras palavras, o cartel, que veio a ser efetivamente estabelecido, prestou-se a maximizar os lucros desta empreiteira, do que defluiu não apenas um ganho econômico, como também maior disponibilidade de recursos ilícitos (decorrentes de contratação conquistada em ambiente de ausência de competitividade) para que ela, então, pudesse realizar pagamentos de propina que foram sendo ajustados com os agentes públicos no curso das obras”, enfatiza o texto ao explicitar o funcionamento do esquema.

Delação

A investigação mostra, a partir de documentos obtidos em cooperação com autoridades internacionais, que foram feitos diversos pagamentos usando uma rede de contas offshore (em locais com menor tributação). De acordo com os procuradores, eram feitas várias movimentações financeiras no exterior para dificultar o rastreio dos recursos.

Os contatos entre Serra e a Odebrecht eram, segundo o MPF, feitos por Pedro Augusto Ribeiro Novis, que foi vizinho do senador. O executivo assinou um acordo de colaboração com a Justiça. “Em razão dessa proximidade, cabia sempre a Pedro, em nome da Odebrecht, receber de José Serra, em encontros realizados tanto em sua residência quanto em seu escritório político, demandas de pagamentos, em troca de “auxílios” diversos à empreiteira, como os relativos a contratos de obras de infraestrutura e a concessões de transporte e saneamento de seu interesse”, denunciam os procuradores.

O MPF acusa ainda Verônica Serra de, seguindo as ordens do pai, ter ajudado a movimentar os recursos no exterior. 

Bloqueio

Além dos mandados, o Ministério Público Federal informou que obteve autorização judicial para bloquear R$ 40 milhões em uma conta na Suíça. De acordo com a denúncia, Serra teria recebido da Odebrecht mais R$ 23,3 milhões em 2009 e 2010 para liberar R$ 191,6 milhões em pagamentos da estatal estadual Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) à empreiteira. 

Segundo a a assessoria do senador, Serra só tomou conhecimento da denúncia nesta sexta-feira e ainda está analisando o processo antes de se pronunciar.

Em nota, o senador José Serra afirma que os fatos que motivaram as ações de hoje são “antigos e prescritos”. Ele diz ainda que “causa estranheza” que os mandados sejam cumpridos em meio à pandemia de covid-19. “Em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República”, enfatiza.

No comunicado, Serra destaca ainda que não cometeu atos ilegais e que sempre teve “integridade” na sua vida pública. O senador diz que “mantém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas”.

Texto ampliado às 14h22 para inclusão de nota do senador José Serra