Covid-19: Brasil tem 129 mil mortes e 4,2 milhões de casos confirmados

Mais de 3,5 milhões de pessoas se recuperaram

Publicado em 10/09/2020 – 20:40 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

 A atualização do Ministério da Saúde divulgada na noite desta quinta-feira (10) mostrou que houve 129.522 mortes em função da covid-19. Nas últimas 24 horas, as autoridades de saúde registraram 983 óbitos. Ontem, no balanço da pasta constavam 128.539 óbitos. Ainda há 2.501 mortes sendo investigadas por órgãos de saúde.

O número de pessoas infectadas desde o início da pandemia somam 4.238.446. Entre ontem e hoje, foram notificados 40.557 novos diagnósticos positivos de infecção pelo coronavírus. Ontem o painel do Ministério da Saúde trazia 4.197.889 casos acumulados. De acordo com a atualização, 611.587 pessoas estão em acompanhamento e mais 3.497.337 se recuperaram.

Os casos são menores aos domingos e segundas-feiras pelas limitações de alimentação de dados pelas equipes das secretarias de Saúde. Às terças-feiras, o número usualmente tem sido maior pelo envio dos dados acumulados do fim de semana.

Estados

Os estados com mais morte são: São Paulo (32.104), Rio de Janeiro (16.871), Ceará (8.639), Pernambuco (7.792) e Pará (6.289). As unidades da Federação com menos óbitos são Roraima (607), Acre (635), Amapá (676), Tocantins (773) e Mato Grosso do Sul (1.024).

São Paulo também lidera entre os estados com mais casos, com 874.754 casos confirmados, seguido por Bahia (277.327), Minas Gerais (242.533) e Rio de Janeiro (234.813). As unidades da Federação com menos casos são Acre (635), Amapá (676), Roraima (607) e Mato Grosso do Sul (1.024).

Rússia anuncia primeira vacina contra a covid-19

Decisão é questionada e OMS pede cumprimento de protocolos

Publicado em 11/08/2020 – 07:42 Por RTP – Moscou

O presidente Vladimir Putin anunciou nesta terça-feira (11) que a Rússia registrou a primeira vacina do mundo contra o novo coronavírus. Ele garantiu que sua filha já tomou a vacina e que ela estará disponível a partir de janeiro. A decisão é questionada, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu o cumprimento dos protocolos e dos regulamentos.

O Ministério da Saúde russo deu a aprovação regulatória para o produto, desenvolvido pelo Instituto Gamaleya de Moscou, após menos de dois meses de iniciados os testes em humanos.

“Esta manhã foi registrada, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra o novo coronavírus”, disse Putin durante reunião com membros do governo.

De acordo com o presidente, o produto é “eficaz” e superou todas as provas necessárias, além de permitir uma “imunidade estável” face à covid-19. Putin garantiu também que uma das suas duas filhas já recebeu uma dose e passa bem.

“Uma das minhas filhas tomou a vacina”, afirmou. “Dessa forma, ela participou da experiência. Depois da primeira vacinação, ela teve 38 graus de febre, no dia seguinte 37, e foi apenas isso”.

A Rússia espera agora poder iniciar a aplicação em massa, mesmo que estejam ocorrendo ainda testes clínicos para comprovar a segurança da vacina. As autoridades russas já tinham anunciado que os profissionais de saúde, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a serem imunizados.

A vice primeira-ministra da Rússia, Tatyana Golikova, disse que a vacina vai começar a ser administrada a profissionais de saúde, a partir de setembro, e que estará disponível ao público em geral a partir de 1º de janeiro de 2021.

Decisão questionada

Muitos cientistas, no entanto, na Rússia e em outros países, questionaram a decisão de registrar a vacina antes que sejam completada a chamada Fase 3 do estudo – que, por norma, demora vários meses, envolve milhares de pessoas e é a única forma de provar que a vacina experimental é segura e funciona.

Nas últimas semanas, muitos cientistas expressaram preocupação com a velocidade em que estava sendo desenvolvida a vacina. A Organização Mundial da Saúde pediu “diretrizes claras” para o tratamento e o cumprimento dos protocolos e dos regulamentos em vigor. 

Primeira-dama testa positivo para covid-19

Michelle será acompanhada pela equipe médica da presidência

Publicado em 30/07/2020 – 12:34 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A primeira-dama Michelle Bolsonaro teve exame positivo para covid-19 hoje (30). “Ela apresenta bom estado de saúde e seguirá todos os protocolos estabelecidos”, diz a nota da Secretaria Especial de Comunicação Social.

Michelle tem 38 anos e está sendo acompanhada pela equipe médica da presidência.

O presidente Jair Bolsonaro também já contraiu a doença. Ele anunciou o resultado positivo do teste no dia 7 de julho e permaneceu em isolamento no Palácio da Alvorada até o último sábado (25), quando informou que estava recuperado.

Também nesta quinta-feira, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, informou hoje que testou positivo para covid-19

RN registra 1.083 novos casos de Covid-19; total passa de 48 mil e mortes chegam a 1.714

Segundo Secretaria do Estado da Saúde Pública (Sesap), RN tem outros 187 óbitos em investigação.

Por G1 RN — Natal

28/07/2020 17h48  Atualizado há 4 horas

O Rio Grande do Norte chegou a 48.374 casos confirmados e 1.714 mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Os dados são do boletim epidemiológico desta terça (28). Foram 1.083 novos casos e 17 mortes em relação ao boletim de segunda (27).

O Estado tem ainda 187 óbitos em investigação, 60.552 casos suspeitos da doença, e 76.150 casos descartados. O número de pacientes recuperados se mantém em 22.901, segundo o boletim.

Em relação às internações, atualmente o estado conta com 438 pacientes internados, sendo 292 na rede pública e 146 na rede privada. A taxa de ocupação dos leitos críticos (semi-intensivo e UTIs) é de 63,19%% na rede pública e 45,75% na rede privada.

O Rio Grande do Norte também já realizou 132.348 testes de coronavírus desde o início da pandemia, sendo 58.293 RT-PCR (conhecidos também como Swab) e 74.065 sorológicos.

Números do coronavírus no RN

  • 48.374 casos confirmados
  • 1.714 mortes
  • 22.901 confirmados recuperados
  • 60.552 casos suspeitos
  • 76.150 casos descartados
Testes para coronavírus — Foto: Jefferson Peixoto/Secom
Testes para coronavírus — Foto: Jefferson Peixoto/Secom

Em 24 horas, Brasil registra mais 555 mortes por covid-19

Casos confirmados do novo coronavírus somaram 24.578

Publicado em 26/07/2020 – 20:14 Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O balanço divulgado hoje (26) pelo Ministério da Saúde (MS) revela que 555 morreram de covid-19 nas últimas 24 horas. Com isso, chega a 87.004 o total de vidas perdidas para o novo coronavírus desde o começo da pandemia. Além disso, foram confirmados 24.578 casos, elevando para 2.419.091 o total. Este número inclui 1.634.274 pessoas (67,6%) que tiveram a doença e foram curadas.

Estados

Os estados com mais registro de mortes por covid-19 são: São Paulo (21.606), Rio de Janeiro (12.835), Ceará (7.493), Pernambuco (6.352) e Pará (5.716). As unidades da Federação com menor número de óbitos pela pandemia são: Mato Grosso do Sul (305), Tocantins (346), Roraima (473), Acre (486) e Amapá (554).

Os estados com mais casos confirmados da doença são: São Paulo (483.982), Ceará (162.085), Rio de Janeiro (156.325), Pará (148.463) e Bahia (148.179). As unidades da Federação que tiveram menos pessoas infectadas até agora são: Acre (18.745), Mato Grosso do Sul (21.514), Tocantins (21.767), Roraima (29.829) e Amapá (35.220).

Covid-19: Vacina de Oxford poderá ficar pronta em setembro

O imunizante, que conta com testes no Brasil, é o mais avançado em desenvolvimento no mundo; os resultados da primeira fase serão divulgados nesta segunda

Por Da Redação – Atualizado em 19 Jul 2020, 14h00

Desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica Astrazeneca, a vacina contra a Covid-19 poderá finalizar seus testes em humanos em setembro, de acordo com Sarah Gilbert, cientista por trás dos estudos na faculdade britânica

Depois disso, o imunizante – considerado em fase mais avançada no mundo – depende do processo de fabricação e distribuição. Segundo Fraser Hall, presidente da AstraZeneca Brasil, em entrevista a VEJA em junho, o produto pode chegar ao país ainda este ano, sem prazo definido. Outras estimativas, entretanto, falam em primeiro trimestre de 2021.

Os resultados da primeira fase deverão ser oficialmente divulgados nesta segunda-feira, 20. “Esperamos que o artigo, que está em fase final de edição, seja publicado em 20 de julho, para divulgação imediata”, informou a revista The Lancet por meio de nota.

Os pesquisadores acreditam que a vacina, que está na terceira e última etapa de testes, tem cerca de 80% de eficácia na prevenção da forma grave da doença.

Devido à pandemia, a equipe de Oxford desenvolveu uma tecnologia que pode acelerar o processo. A Astrazeneca planeja conseguir produzir mais de 2 bilhões de doses.

O imunizante teria apresentado um resultado duplamente positivo: além de criar anticorpos contra o coronavírus, também induziu a produção de células T do sistema imunológico, que atuam no sistema de defesa do organismo.

Ao todo, 50 mil pessoas participam dos testes da vacina de Oxford em todo o mundo, sendo 10% delas no Brasil. No país, os testes acontecem em parceria com a Universidade Federal de São Paulo, Instituto D’Or e a Fundação Lemann.

Existem hoje em todo o planeta em torno de 160 projetos de imunizantes. Destes, duas dezenas já estão em fase de testes clínicos em humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia afirmado que a vacina de  de Oxford é a mais avançada. O imunizante da Pfizer também está em fase adiantada de fabricação.

O investimento global no desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus foi recorde: 20 bilhões de dólares.

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/saude/covid-19-vacina-de-oxford-podera-ficar-pronta-em-setembro/

Covid-19: Brasil passa de 70 mil mortes e 1,8 milhão de casos

Número de recuperados chega a 1,07 milhão

Publicado em 10/07/2020 – 19:36 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

As mortes por conta da pandemia do novo coronavírus passaram da casa dos 70 mil, segundo atualização diária divulgada pelo Ministério da Saúde hoje (10). Nas últimas 24h, foram registrados 1.214 óbitos, totalizando 70.398. O número total de mortes representa um aumento de 1,7% em relação a ontem (9), quando o painel trazia 69.184 óbitos desde o início da pandemia.

De acordo com a atualização do ministério, 651.666 pessoas estão em acompanhamento e 1.078.763 se recuperaram. Há ainda 4.000 mortes em investigação.

O número de casos confirmados desde o início da pandemia chegou a 1.800.827. O sistema do ministério contabilizou 45.048 pessoas desde o balanço de quinta-feira. O total representa aumento de 2,5% em relação a ontem, quando o sistema marcava 1.755.779 casos confirmados. Foi o sexto dia em número de novos registros desde o início da pandemia.

Estados

Os estados com mais mortes são: São Paulo (17.442), Rio de Janeiro (11.280), Ceará (6.777), Pernambuco (5.482) e Pará (5.224). As unidades da Federação com menos óbitos pela pandemia são Mato Grosso do Sul (146), Tocantins (245), Roraima (393), Acre (417) e Santa Catarina (459).

São Paulo também lidera entre os estados com maior número de casos confirmados, com 359.110, seguido por Ceará (133.546), Rio de Janeiro (129.443), Pará (122.674) e Bahia (101.186). As unidades da Federação com menos pessoas infectadas registradas são Mato Grosso do Sul (12.261), Tocantins (14.509), Acre (15.768), Roraima (21.220) e Rondônia (26.000).

Bolsonaro apresenta sintomas de Covid-19

Da Redação 06/07/20 – 19h31 – Atualizado em 06/07/20 – 19h49

O presidente Jair Bolsonaro apresentou sintomas do novo coronavírus nesta segunda-feira (6) de acordo com informações da CNN Brasil.

Segundo a emissora, o próprio presidente informou à reportagem que está com 38 graus de febre e 96% de oxigenação. Bolsonaro visitou o Hospital das Forças Armadas, em Brasília, e fez uma “chapa do pulmão”. O resultado, de acordo com ele, mostrou que os órgão está limpo. Bolsonaro também realizou o teste de Covid-19 e o resultado deve sair ao meio-dia desta terça-feira (7).

Bolsonaro também informou à CNN que já está fazendo uso da hidroxicloroquina  como forma de prevenção da possível doença. A agenda do presidente nesta semana foi toda cancelada.

Estudo indica que imunidade à Covid-19 pode ser maior do que apontam testes

Estadão Conteúdo 06/07/20 – 10h25 – Atualizado em 06/07/20 – 10h48

Um estudo sueco apontou que pessoas que tiveram resultados negativos em testes de anticorpos para o novo coronavírus, a covid-19, podem ter algum nível de imunidade para a doença. A pesquisa, feita pelo Instituto Karolinska, foi realizada com 200 pessoas. A informação foi divulgada pela BBC.

Os pesquisadores observaram que, para cada exame com resultado positivo para anticorpos contra o vírus, dois tinham células T – células de defesa do sistema imunológico – específicas com capacidade para identificar e destruir células infectadas.

Doadores de sangue e pessoas que fazem parte do primeiro grupo de infectados pelo vírus na Suécia estão entre participantes da pesquisa, que apresenta indícios de que o número de indivíduos com algum tipo de imunidade à doença pode ser maior do que os testes para anticorpos apontam. As mesmas células de defesa foram encontradas em casos leves ou em pacientes não manifestaram sintomas da covid-19.

É necessário verificar se a pessoa apenas está protegida contra o vírus ou se isso faz com que ela também não transmita a doença. O estudo ainda não foi publicado em revista científica – nem passou por avaliação de outros cientistas.

Pacientes recuperados do novo coronavírus podem desenvolver quadro de síndrome pós-Covid

Brasileiros começam a descobrir que o coronavírus é capaz de transformar tarefas corriqueiras, como subir uma escada, em obstáculos intransponíveis e caminhadas em maratonas.

A pediatra Rosana Flintz, que foi infectada, e agora trabalha com dificuldade em virtude dos sintomas da chamada síndrome pós-Covid-19 | Foto: Arquivo pessoal

São “recuperados” da pandemia, mas manifestam uma condição que alguns médicos chamam de síndrome pós-Covid-19. Uma epidemia silenciosa de consequências, paralela à do próprio vírus e já relatada em outros países.

Ela pode acometer não só aqueles que contraíram Covid-19 grave, mas gente que teve quadros leves e moderados. Agora, parte dessas pessoas sente sintomas como fadiga física e mental profunda, dores, dificuldades para respirar, fraqueza muscular, dormência, dificuldade de concentração, alterações na pele, inchaços e dores.

São sintomas inexplicáveis e, por vezes, incapacitantes. E constituem distúrbios que exames podem não mostrar, mas que não são “coisa da cabeça de hipocondríacos”, explica o neurologista Gabriel de Freitas, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Integrante de um grupo de pesquisa do liderado pelo IDOR para investigar sequelas neurológicas da Covid-19 grave, ele tem visto chegar também pacientes com um quadro semelhante ao da chamada síndrome da fadiga crônica.

Esta é uma condição difusa e ainda mal compreendida, que se sabe ser associada a distúrbios no sistema nervoso central. Ela pode acometer, por exemplo, pessoas que sofreram infecções virais, como Epstein-Barr, e também da Sars, em 2003.

— Tenho visto pacientes pós-Covid com fadiga crônica e dores neuropáticas. Não sabemos por que acontece, quais pacientes são mais vulneráveis e qual o percentual de pessoas que tiveram Covid-19 é suscetível a ter esse tipo de acometimento. Mas ele existe e pode se tornar um problema para muita gente — explica Freitas.

Chamou a atenção dele a procura por atendimento de mulheres jovens, de até 50 anos, que tiveram casos moderados e leves de Covid-19 e agora sofrem com os sintomas de fadiga crônica. Muitas se desesperam porque os sintomas não são mensuráveis por exames de sangue e imagem.

— Não são pacientes com histórico de depressão, tampouco hipocondríacas. É um problema real com alto impacto na qualidade de vida — frisa ele, cujo grupo de investigação de sequelas neurológicas da Covid-19 no IDOR planeja incluir a fadiga após três meses de doença.

‘Dores incomodam até para dormir’

Depressão é algo que nunca houve na vida da arquiteta Marcia Amorim, de 45 anos. Ela costumava curar as dores do dia a dia em caminhadas e travessias.

Em janeiro, se preparava para subir o Escalavrado, uma montanha da Serra dos Órgãos, junto à entrada de Teresópolis (RJ). Mas veio o coronavírus e Marcia agora se desafia a subir a escada do prédio onde mora, pois mal consegue se arrastar da porta do apartamento no Jardim Botânico até o elevador.

Após contrair uma forma “leve” de Covid-19 em maio, pouco mais que uma “gripezinha”, ela submergiu numa fadiga que parece sem fim. Passa os dias de distanciamento social afundada no sofá, se sentindo extremamente cansada, com dores e, por vezes, falta de ar.

Márcia já fez dois testes sorológicos, um PCR, não tem rastro do Sars-CoV-2. Tampouco seus exames de sangue e imagem mostram alterações. Mas isso, literalmente, não a faz se sentir melhor.

A pediatra Rosana Andrade Flintz, que trabalha na UTI infantil do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ), sobreviveu à Covid-19 grave. Ela tem 47 anos e não tinha qualquer comorbidade, mas, ainda assim, passou 12 dias internada em UTI e precisou ser intubada.

Teve alta há um mês e voltou a trabalhar. Mas sua vida nem de longe regressou ao normal. Sente um cansaço muito, muito grande.

— Fazer uma caminhada cansa demais. Sinto dores pelo corpo, que incomodam até para dormir. Amassar uma banana com canela se tornou uma dificuldade. Isso dá ideia do que sinto. Amassar banana é desafio. Ouço outras pessoas que tiveram Covid-19 relatarem problemas parecidos — diz Rosana.

‘As pessoas não vão sair ilesas’

Um dos maiores especialistas do país em coronavírus, Eurico Arruda, professor titular de virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, se preocupa com a continuação do avanço da pandemia pelo Brasil e diz que casos de sequelas eram esperados.

— As pessoas não vão sair ilesas. Esse vírus mata os linfócitos T CD4 — frisa Arruda.

Ele se refere às células que funcionam como maestros do sistema imunológico e também são atacadas pelo HIV. Ao passo que o causador da Aids provoca uma doença crônica, o Sars-CoV-2 leva a uma infecção aguda. Embora temporária, ela pode ser grave. São os linfócitos CD4 que organizam toda a resposta do organismo ao ataque do coronavírus.

— Se você quer acabar com a orquestra, dá um tiro no maestro. É isso que o Sars-CoV-2 faz. A pessoa se recupera, não é como a Aids, mas levará um tempo.

Ele acredita que a chamada síndrome da fadiga crônica, que pode acometer pessoas que tiveram infecções virais, será transitória. Porém, representa um transtorno, capaz de afetar as coisas mais básicas da vida de uma pessoa, de hábitos cotidianos, relações pessoais e o trabalho.

— A Covid-19 tem um impacto perverso nas relações de trabalho. Muitas pessoas são negativas em testes porque eles ainda falham, tiveram o quadro clínico da doença, se recuperaram, mas agora sofrem suas sequelas e se desesperam para provar que estão sofrendo o que os exames não mostram. Estamos começando a ver também outros tipos de sequelas neurológicas, cardiológicas, renais. Só vamos colocar o dedo nessas feridas depois, estamos no início — alerta ele.

O hematologista e oncologista Daniel Tabak, que tem se dedicado ao estudo da Covid-19, diz que distúrbios imunológicos são o preço pago pelas pessoas que tiveram quadros leves ou moderados na batalha vencida pelo seu sistema de defesa contra o coronavírus.

Segundo ele, uma possibilidade é que essas sequelas sejam uma espécie de reação autoimune decorrente da briga do corpo com o coronavírus.

Atalho para o cérebro

Arruda começa a investigar a ação do coronavírus na mucosa do nariz (epitélio olfativo), cujo sintoma mais evidente é a perda do olfato. Mais do que isso, o epitélio do nariz é um atalho para o cérebro, o vírus precisa percorrer apenas meio centímetro para alcançá-lo.

— Pretendemos entender melhor distúrbios neurológicos durante e depois da Covid-19 — explica ele.

A neurocientista Fernanda De Felice frisa que as sequelas neurológicas podem ser amplas e que há relatos de casos de falhas de memória, delírios e dificuldades cognitivas.

— A Covid-19 é uma doença muito heterogênea e só agora começamos a buscar compreender como ela pode afetar o cérebro — diz a cientista da UFRJ e da Universidade Queen’s (Canadá) e cujo grupo de pesquisa junto com o IDOR foi o primeiro a alertar, em abril, sobre o risco de sequelas neurológicas da Covid-19 na revista Trends in Neurosciences.

Para alento dos que apresentam sinais de consequências da Covid-19, Gabriel de Freitas diz que eles desaparecem em médio prazo e que existem tratamentos que podem ajudar a aliviá-los, como certos antivirais, antidepressivos e estimulantes. Exames de ressonância magnética funcional poderiam detectar algumas das alterações na forma como o cérebro controla o organismo associadas aos sintomas da fadiga.

— A questão é que não sabemos ainda a escala do problema com o qual estamos lidando. Esse é mais um dos desafios dessa pandemia — salienta ele.

O Globo