MPRN e IMD/UFRN lançam aplicativo para ajudar a conter a Covid-19

Através da plataforma Tô de Olho, é possível rastrear os contatos entre as pessoas, fazer denúncias de aglomerações e outras funcionalidades. Objetivo é disponibilizar técnicas avançadas de inteligência artificial para reduzir a cadeia de contágio do vírus.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e o Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) estão lançando uma plataforma de engajamento cívico para criar uma rede de proteção contra a Covid-19. O objetivo do aplicativo Tô de Olho é disponibilizar técnicas avançadas de inteligência artificial, que estão dando resultados positivos em outros países, para a sociedade potiguar e ajudar a reduzir a cadeia de contágio do vírus. A ferramenta terá o apoio da Secretaria de Saúde Pública do RN (Sesap) para entrar em operação.

Através do Tô de Olho, é possível fazer denúncias de aglomerações. Essas denúncias são enviadas para a Prefeitura onde ocorreu a aglomeração e para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do RN. A identidade dos denunciantes é preservada.

“Além disso, o Tô de Olho disponibiliza um algoritmo de rastreamento de contato. O algoritmo detecta, através do histórico de localização, quem teve algum contato com uma pessoa infectada no período de contágio, sem identificar a pessoa. Os cidadãos que tiveram contato com essa pessoa são notificadas para reforçar o isolamento”, explicou o procurador-geral de Justiça (PGJ), Eudo Rodrigues Leite.

“As informações coletadas irão possibilitar a visualização de um mapa com as regiões com maior risco de infecção. Assim, a ferramenta irá informar ocorrências de sintomas, apontar o índice de isolamento das pessoas e registrar denúncias sobre eventual aglomeração em qualquer cidade. As prefeituras terão acesso a essas denúncias e reclamações e poderão tomar providências”, completou o professor Nélio Cacho, do IMD/UFRN.

O uso do Tô de Olho é totalmente gratuito, bastando o cidadão aderir se cadastrando no site https://todeolho.mprn.mp.br. Os dados fornecidos serão utilizados apenas durante a pandemia e para fins específicos do controle da cadeia de contágio, sendo totalmente destruídos ao fim da crise epidêmica.

O número de casos confirmados aumentou para 68 neste domingo (29)

O número de casos confirmados aumentou para 68 neste domingo (29). De acordo com o boletim epidemiológico, são 1.414 suspeitos, 367 casos já descartados e 1 óbito.

Um caso suspeito, após a realização dos exames, pode ter dois resultados: confirmado ou descartado para o novo coronavírus; deixando de ser enquadrado como suspeito.

O Governo do RN está realizando todos os esforços necessários para proteger a população. Faça a sua parte e ajude a combater a Covid-19. Fique em casa e não esqueça: lave as mãos frequentemente.
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Vitamina D pode reduzir risco de contágio por coronavírus, sugere estudo

Pesquisa mostra que nutriente, ao ajudar a reduzir infecções respiratórias, poderia ainda ser usado no tratamento da covid-19. Pacientes de Turim apresentam alta deficiência desta vitamina.

CORONAVÍRUS | 27.03.2020

Além de tomar sol, pesquisadores recomendam suplementos de vitamina D para suprir escassez

Reprodução

A vitamina D pode ter um papel importante no tratamento e prevenção da covid-19, sugere um estudo da Universidade de Turim divulgado nesta quinta-feira (26/03), que analisou a relação entre a deficiência deste nutriente no corpo e o novo coronavírus.

Coordenado pelo professor Giancarlo Isaia, docente em geriatria e presidente da Academia de Medicina da cidade italiana, e por Enzo Medico, professor de histologia (estudo de tecidos), a pesquisa mostrou que “dados preliminares coletados nos últimos dias em Turim indicam que os pacientes com a covid-19 apresentam uma prevalência muita alta de deficiência de vitamina D”.

Os dados apurados na pesquisa, segundo os dois especialistas, mostraram que a vitamina D tem papel ativo na regulação do sistema imunológico. Outras evidências indicam que o composto tem um efeito “na redução do risco de infecções respiratórias de origem viral, inclusive na do coronavírus”. O elemento também teria capacidade de combater danos pulmonares causados por inflamações.

Ter vitamina D suficiente no organismo também “pode ser necessário para determinar uma maior resistência às infecções de covid-19, (possibilidade) que, apesar de haver menos evidências científicas, pode ser considerada verossímil”, escrevem os pesquisadores.

A falta da molécula no organismo é ainda frequentemente associada a diversas doenças crônicas que podem reduzir a expectativa de vida em idosos, “tanto mais no caso de infecções da covid-19”.

Na Itália, a falta de vitamina D afeta grande parte dos habitantes, especialmente os mais idosos, cujo país tem a segunda maior população do mundo, depois do Japão. Os mais velhos fazem ainda parte do grupo de risco do novo coronavírus. Fortemente a atingida pela pandemia, a Itália já registrou o maior número de mortes do mundo em decorrência da covid-19, mais de 9,1 mil.

Isaia e Medico já submeteram o documento com dados da pesquisa à Academia de Medicina de Turim. No texto, eles recomendam aos médicos que, associada a outras medidas, eles garantam “níveis adequados” de vitamina D na população, “mas sobretudo em pacientes já contagiados, seus familiares, agentes de saúde, idosos frágeis, no público de residências assistenciais, em pessoas em regime de isolamento e em todos aqueles que, por vários motivos, não se expõe adequadamente à luz solar”.

Além disso, os autores dizem que a administração intravenosa da forma ativa da vitamina D, o Calcitriol, também pode ser considerada em pacientes da doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus, com funções respiratórias particularmente comprometidas.

Eles lembram ainda que a carência pode ser compensada, antes de tudo, com exposição das pessoas à luz solar pelo maior tempo possível, “em varandas e terraços, além de ingerir alimentos ricos em vitamina D e tomando preparados farmacêuticos especiais – mas sempre após consulta médica”.

Veja onde encontrar com mais frequência:

1 – Óleo de fígado de bacalhau

Por ser um óleo essencial extraído a partir de fígados de bacalhau do Atlântico, ele concentra bastante quantidade de vitamina D, além da vitamina A e ácido graxo ômega 3.

2 – Bife de fígado

Aproximadamente 100g de bife de fígado provém 42 UI – unidade internacional – de vitamina D, não o bastante, ele é uma boa fonte de ferro.

3 – Gema de ovo

A gema de um ovo grande oferece 37 UI de vitamina D. Fora isso, ovos são excelentes fontes de proteína.

4 – Atum

Aproximadamente 100g de atum enlatado e conservado em água fornece cerca de 154 UI, quase 1/3 da recomendação diária. Já o conservado em óleo oferece ainda mais vitamina D, porém, tem mais gordura.

5 – Sardinha

Este é mais um enlatado que é uma opção para uma rotina mais rica em vitamina D. Apenas duas latas desse peixe oferecem 46 UIs.

6 – Salmão selvagem

O salmão é um dos alimentos mais ricos em vitamina D. Cerca de 100g de salmão enlatado oferece 600 UI de vitamina D a mais do que um indivíduo precisa por dia.

7 – Queijo fortificado

Os tipos de queijo que mais possuem vitamina D são o cheddar, suíço e queijo ricota. O queijo suíço, por exemplo, contém cerca de 6 UIs. Já um copo de ricota oferece 25 UI. Apesar disso, é necessário atentar-se ao teor de gordura que eles também carregam.

8 – Cogumelos

Os cogumelos que mais possuem vitamina D são os que estão mais expostos à luz solar, consequentemente são os mais benéficos, como: shimeji, shitake, champignon, portobello e funghi. Por isso, é importante atentar-se às marcas que priorizam esse cultivo.

O cogumelo também pode ser uma opção para estabilizar o nível da vitamina no organismo de pessoas veganas, que não consomem alimentos de origem animal, contendo cerca de 400 UI de vitamina D em 100g.

9 – Ostra

Não é um alimento tão comum no dia a dia, mas também ajuda a aumentar a vitamina D no corpo, além de conter ferro, potássio e outras vitaminas como B e C.

10 – Leite fortificado

O leite reduzido em gorduras pode ser um alimento rico em vitamina D. Cerca de 200ml de leite enriquecido com vitamina D supre quase 50% da recomendação da quantidade da vitamina necessária por dia.

Não é preciso lembrar, mas não custa dizer que os raios solares são a melhor e mais fácil fórmula para absorção de vitamina D. O tempo médio de exposição ao sol para pessoas de pele clara é de 15 a 20 minutos, três vezes por semana. Já para quem tem a pele mais escura, é indicado um tempo de 3 a 5 vezes maior para sintetizar a mesma quantidade de vitamina D que as pessoas de pele clara.

O melhor horário para que haja sintetização da vitamina D pelo organismo é das 10h às 15h, devido ao ângulo das incidências de raios solares.

Deutsche Welle Brasil

Sobe para 6 o número de casos confirmados de coronavírus no RN, diz Sesap

Informação foi confirmada na noite desta sexta (20). Os novos casos confirmados nesta sexta são de moradores de Natal (4) e Parnamirim (1).

Por G1 RN

20/03/2020 21h39  Atualizado há 7 minutos


A Secretaria Estadual de Saúde Pública confirmou na noite desta sexta (20) 5 novos casos confirmados de coronavírus no Rio Grande do Norte. Ao todo, o Estado tem 6 casos confirmados.

primeiro caso de coronavírus do RN foi confirmado no dia 12 de março. Era uma mulher, de 24 anos, com histórico de viagem à Europa (França, Itália e Áustria).

Os novos casos confirmados nesta sexta são de moradores de Natal (4) e Parnamirim (1).

O Estado vem tomando uma série de medidas para evitar a propagação do coronavírus. As aulas foram suspensas em toda a rede pública e privada. Nesta sexta a governadora determinou o fechamento de bares, restaurantes, igrejas, templos e casas de festas e a suspensão do atendimento presencial nas agências bancárias.

Anvisa aprova oito testes rápidos para Covid-19

Dados devem ser interpretados por um profissional de saúde

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

Publicado em 20/03/2020 – 09:08 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os primeiros oito testes rápidos para o diagnóstico de Covid-19. Os novos produtos são voltados para uso profissional e permitem a leitura dos resultados, em média, em 15 minutos.

De acordo com a Anvisa, os dados devem ser interpretados por um profissional de saúde, com auxílio de informações clínicas do paciente e de outros exames. A oferta e a produção dos testes dependerão da capacidade de cada empresa que recebeu o registro.

As autorizações, Resolução 776/2020 e Resolução 777/2020, foram publicadas ontem (19) no Diário Oficial da União. A medida faz parte das ações estratégicas da Anvisa para viabilizar produtos que possam ser utilizados no enfrentamento à pandemia de Covid-19. Outros produtos destinados ao diagnóstico do novo vírus também estão sendo analisados com prioridade.

Os kits aprovados nesta quinta-feira pela agência estão divididos em dois grupos: os que usam amostra de sangue e detectam anticorpos (IgM e IgG) e os que usam amostras das vias respiratórias dos pacientes, nasofaringe (nariz) e orofaringe (garganta) e detectam o antígeno (vírus).

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 621 casos da doença e seis óbitos.

Brasil tem 621 casos confirmados de Covid-19 e seis mortes

Ministério da Saúde atualiza dados sobre coronavírus no Brasil

Publicado em 19/03/2020 – 17:05 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

As mortes em razão do novo coronavírus subiram para seis, conforme última atualização divulgada hoje (19) pelo Ministério da Saúde. Já os casos confirmados saíram de 428 para 621 entre ontem e hoje.

São Paulo segue como foco da disseminação do vírus, com 286 casos. Em seguida vêm Rio de Janeiro (65), Brasília (42), Bahia (30), Minas Gerais (29) e Rio Grande do Sul e Pernambuco (28). Além desses estados, foram registrados casos no Paraná (23), Santa Catarina e Ceará (20), Goiás (12), Espírito Santo (11), Mato Grosso do Sul (sete), Sergipe (seis), Alagoas (quatro), Acre e Amazonas (três) e Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte e Paraíba (um).

Acompanhe ao vivo

A partir de hoje, o Ministério da Saúde deixará de trabalhar com casos suspeitos, passando a divulgar apenas as situações confirmadas e as mortes decorrentes da doença resultante da infecção pelo vírus.

A transmissão comunitária (quando as autoridades não identificam mais a cadeia de infecção ou esta já possui cinco gerações) foi identificada no estado de São Paulo, no estado do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santa Catarina, Pernambuco e Porto Alegre. Essa é a modalidade mais preocupante, pois ela implica em uma disseminação maior e menos controlada do vírus.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, os números mostram que o crescimento não está ocorrendo de forma localizada, mas no conjunto do país. “Estamos vendo uma tendência mais nacional. Se levantar em bloco vai ser muito mais difícil de monitorar”, declarou. Com isso, continuou o ministro, o papel dos cidadãos ganha importância nas medidas de prevenção, como higienização, e de contenção, como o isolamento. Isso porque a preocupação é com a sobrecarga do sistema de saúde.

“Quando está gripado, precisa fazer isolamento domiciliar. Está com sintoma, isolamento domiciliar. Não é para descer para o play, fazer uma festinha”, aconselhou.

Calamidade Pública

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (18), por votação simbólica, o pedido do governo federal para declaração de estado de calamidade pública no país. O projeto será encaminhado para votação no Senado e precisa de pelo menos 41 votos para ser aprovado.

A declaração de estado de calamidade pública é uma medida inédita em nível federal. Na mensagem, o governo pede a que seja dispensado de atingir a meta fiscal, entre outras medidas, para combater a pandemia do coronavírus.

Coronavírus afeta turismo

Somente na primeira quinzena de março, o volume de receitas do setor de turismo brasileiro caiu 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado, o que representa uma perda equivalente a R$ 2,2 bilhões.

A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada hoje (19) no Rio de Janeiro, projeta ainda que os prejuízos já sofridos pelo setor têm potencial de reduzir até 115,6 mil empregos formais.

Repatrição

O Ministério das Relações Exteriores informou hoje (19) que turistas brasileiros que estão retidos no Peru serão repatriados amanhã (20). No último dia 15, em meio ao aumento do número de casos da Covid-19 no país, o governo peruano decretou quarentena obrigatória para a população e o fechamento das fronteiras por 15 dias.

O Peru registra 86 casos da doença, segundo último boletim da Organização Mundial da Saúde, divulgado ontem (18).

O Itamaraty informou ainda que acompanha com atenção a situação de viajantes brasileiros em outros países, como Marrocos e Vietnã, e, por meio das embaixadas, estão sendo feitas gestões junto às autoridades locais para o pronto regresso desses cidadãos.

Fiocruz: Brasil está mais preparado contra Covid-19 que contra H1N1

Casos de coronovírus são, em sua maioria, moderados, diz especialista

Publicado em 01/03/2020 – 14:30 Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O Brasil está mais preparado para lidar com o Covid-19 do que estava em 2009 para enfrentar a pandemia da gripe H1N1. A afirmação é do médico infectologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição científica vinculada ao Ministério da Saúde. O médico diz que a população precisa se manter informada, mas ressalta que não há razão para pânico.

Segundo Rivaldo, os casos ocorridos até agora em diversos países são em sua maioria leves ou moderados. “Há inclusive casos assintomáticos, em que a pessoa, embora tenha sido infectada, não desenvolve nenhuma manifestação clínica. A ampla maioria dos casos são leves e moderados – talvez uns 80%, 85%, até 90%. E é pequena a parcela de infecções com manifestações clínicas mais fortes.”

O Covid-19, como é chamada a doença causada pelo novo coronavírus, começou a se disseminar na China no final de dezembro e em mais 49 países já foram registrados casos. Em alguns deles, como a Itália e a Coreia do Sul, o surto avançou rapidamente nos últimos dias. Até o último dia 28, a China havia registrado 78.959 casos, com taxa de mortalidade de aproximadamente 3,5%. No resto do mundo, eram 4.351 ocorrências, das quais em cerca de 1,5%, os pacientes morreram. Naquele dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para “muito alto” o risco em nível globa. No Brasil, havia 182 casos considerados suspeitos e um caso confirmado em São Paulo: um homem de 61 anos que esteve na Itália.

Os primeiros sintomas da doença podem levar até 14 dias para aparecer. “O mais comum é que, em torno de uma semana a partir da infecção, a pessoa desenvolva a enfermidade. E, uma vez desenvolvendo as manifestações clínicas, há um período médio de uma semana a 10 dias de transmissão. Há, no entanto, algumas observações sendo feitas por autoridades sanitárias da China de que, aparentemente, algumas pessoas estariam provocando a transmissão do vírus um pouco antes de se manifestarem os primeiros sintomas”, destaca o médico.

Com sede no Rio de Janeiro, a Fiocruz é uma das instituições habilitadas a fazer os testes laboratoriais capazes de detectar a presença do vírus. Os exames são realizados a partir de amostras de material clínico coletado das narinas ou da faringe dos pacientes. Os resultados saem após um período que varia entre 24 e 72 horas.

O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas, em Belém, também estão preparados para as análises. Ambos são vinculados ao Ministério de Saúde. A tendência é que essa rede de diagnóstico aumente. Em Goiânia, testes já são realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), administrado pelo governo estadual. O Lacen foi capacitado levando em conta a chegada ao estado de brasileiros que foram resgatados em Wuhan, na China. Os repatriados ficaram em quarentena na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.

Segundo Rivaldo, o Brasil evoluiu nos últimos 20 anos no enfrentamento de emergências de saúde pública a partir de experiências concretas. Ele cita o surto global de coronavírus, que ficou conhecido como síndrome respiratória aguda grave (Sars) em 2002, a ameaça do ebola em 2014, que acabou não alcançando o Brasil, e a pandemia da gripe H1N1 que se expandiu para o mundo a partir do México. A esses episódios, soma-se o combate a enfermidades como a dengue, a zika e a chikungunya, além das emergências sanitárias decorrentes de outras causas como os rompimentos de barragens de mineração nos municípios mineiros de Mariana, no ano de 2015, e Brumadinho, no ano passado.

“O SUS, nosso Sistema Único de Saúde, aprendeu muito com tudo isso, e a rede de saúde complementar também cresceu nesse período. Isso fez com que pudéssemos antever algumas dificuldades e preparar estruturas para enfrentar o novo surto mundial de coronavírus com uma rapidez infinitamente maior do que em 2009, diante da pandemia de H1N1. Eu diria que, neste momento, o Brasil está mais preparado para fazer a detecção da doença. Evidentemente, isso vai depender da magnitude da transmissão. Lembrando que em algumas localidade do país, sobretudo em regiões metropolitanas, existem dificuldades na rede assistencial, que são de conhecimento público”, avalia o infectologista.

Rivaldo destaca um lado positivo, que é o aprendizado das últimas décadas, mas lembra um aspecto negativo, que foi a desestruturação, em algumas localidades, da rede que estava estabelecida. “Tivemos uma redução da cobertura da assistência pela Estratégia de Saúde da Família, que é o primeiro nível de atenção no SUS. Então, é preciso planejamento, considerando que o coronavírus pode ser uma demanda adicional ao que já enfrentávamos”, acrescenta o médico, ressaltando que deve ser mantida a atenção às demais enfermidades.

Vulnerabilidade

Os grupos que desenvolvem manifestações mais intensas são aqueles tradicionalmente considerados mais vulneráveis a outras doenças respiratórias, como gripe ou sarampo: pessoas com mais de 60 anos, sobretudo as que já têm algum comprometimento de saúde como uma doença pulmonar crônica, hipertensão e diabetes. Também precisam de mais atenção pessoas que usem medicação imunossupressora ou que tenham imunossupressão adquirida causada, por exemplo, pelo vírus HIV.

Até sexta-feira (28), o único caso confirmado no Brasil era o de um empresário de 61 anos, que se recupera em casa. Segundo Rivaldo, eventuais internações têm de ser analisadas caso a caso, e a avaliação da vulnerabilidade precisa levar em conta outros fatores além da idade. “Temos pessoas de 60 anos que nunca fumaram, que não têm hipertensão, nem diabetes e que praticam atividade física. A vulnerabilidade dessa pessoa pode ser menor que a de outra com 40 anos que fuma desde os 15 e leva uma vida sedentária.”

O infectologista destaca alguns protocolos domésticos: “não compartilhar objetos como copos e talheres e, de preferência, ficar em um quarto separado, que seja ventilado, bem arejado e com a janela aberta. Evitar ficar em sala fechada, assistindo à televisão com quatro, cinco ou seis pessoas. Se morar um idoso em casa, de 80 anos ou mais, o paciente deve tomar cuidado com o contato e evitar o mesmo ambiente. E, claro, tomar os cuidados de higiene pessoal.”

Autoridades públicas de saúde recomendam que se lavem as mãos e o rosto com frequência e cobrir o nariz e a boca, preferencialmente com um lenço descartável, se for tossir ou espirrar. Se não tiver o lenço descartável, a pessoa deve usar a dobra do cotovelo. Se tossir ou espirrar nas mãos, deve lavá-las em seguida. Em caso de suspeita de infecção, cabe à pessoa evitar locais de aglomeração. A confirmação do caso em São Paulo demanda uma elevação do nível de atenção. Para Rivaldo, aumentou a chance de que o vírus esteja circulando no Brasil em breve.

“Temos um caso confirmado, adquirido no exterior, mas que pode ter iniciado uma cadeia interna dentro do país. É preciso aguardar os próximos dias para saber se houve uma consequência maior desse primeiro caso. A circulação interna se torna uma possibilidade mais forte. A quantidade de países que passou a registrar a transmissão sustentável do vírus aumentou bastante. Então as chances de pessoas infectadas ainda em período de incubação entrarem no Brasil se tornam maiores. E não é só a China, que é um país para o qual o Brasil não tem voos diretos. Mas a Itália, por exemplo, já tem transmissão interna, e nós temos voos diretos de lá. Então a probabilidade de introdução do coronavírus no Brasil aumentou razoavelmente”, afirma o médico.

Tratamento

Os primeiros sintomas são febre e manifestações respiratórias que podem ser tosse seca, espirro, coriza principalmente. Nos casos mais intensos, o paciente sente dificuldades na respiração, que podem progredir, por exemplo, para uma pneumonia. O desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas está em estudo, mas, por enquanto, o tratamento tem se dado sobre os sintomas. Ministra-se medicação para febre ou para dores de cabeça, quando é o caso. Nos casos mais intensos, recorre-se à oxigenioterapia, em que é colocada um suporte de oxigênio para melhorar a respiração do paciente.

De acordo com Rivaldo, a elaboração da vacina demanda uma mobilização internacional. A Fiocruz e seus parceiros estrangeiros já compõem as redes de pesquisas, mas ainda é cedo para estimar quando o imunizante poder ficar pronto. De outro lado, o Ministério da Saúde antecipou a vacinação da gripe comum, que será distribuída preferencialmente para alguns grupos como gestantes, crianças de até 6 anos de idade e idosos. Segundo o infectologista, a medida pode ajudar na redução de casos mais graves de coronavírus.

“É importante deixar claro que a vacina da gripe não protege contra o corona. De outro lado, ela reduz a quantidade de pessoas com quadro de infecção respiratória. O fato de os pulmões não terem sofrido dois ou três meses antes uma infecção pela gripe pode ajudar a evitar casos mais graves no caso de uma infecção posterior pelo coronavírus”, ressalta o médico.

A entrevista foi concedida no dia 28 de fevereiro