Justiça liberta os 4 brigadistas acusados de queimadas na Amazônia

Decisão foi proferida pelo mesmo juiz que decidiu prender os alvos na última terça-feira

Por Eduardo Gonçalves 28 nov 2019, 18h26 – Publicado em 28 nov 2019, 18h09 – Veja

A Justiça do Estado do Pará decidiu nesta quinta-feira revogar a prisão preventiva dos quatro brigadistas acusados de terem incendiado áreas da Amazônia em Alter do Chão, no Pará. A decisão foi proferida pelo juiz Alexandre Rizzi, da 1ª Vara Criminal de Santarém, o mesmo que deferiu os mandados de prisão e os manteve sob o pretexto da “garantia da ordem pública”.

No despacho, o magistrado destacou que os investigados já foram ouvidos em depoimento e que “têm residência fixa e ocupação lícita”, “o que significa que, desaparecendo as razões anteriores que levaram a decretação da prisão, a liberdade é a medida que se impõe”.

O juiz, no entanto, frisou que a decisão não significa “qualquer juízo de absolvição”, e ordenou que eles entreguem os passaportes, compareçam ao tribunal mensalmente, e permaneçam em casa entre 21h e 6h.

A decisão ocorre no mesmo dia em que o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), determinou a troca da chefia da investigação sobre o caso. A defesa dos detidos e entidades nacionais e internacionais acusam a Polícia Civil de falta de provas e arbitrariedade no pedido de prisão preventiva, enquanto os investigadores alegam que grampos telefônicos levantam suspeitas sobre a participação dos brigadistas nas queimadas.

A presidência do inquérito, que estava a cargo da Polícia Civil de Santarém, agora terá o comando do diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire. Segundo Barbalho, a mudança é “para que tudo seja esclarecido da forma mais rápida e transparente possível”. O governador disse ainda que “ninguém está acima da lei, mas também ninguém pode ser condenado antes de esclarecer os fatos”. A corregedoria da Polícia Civil também foi acionada para apurar as investigações.

Multinacionais já reagem contra queimadas na Amazônia

Expectativa no mercado, porém, é que o impacto na economia brasileira seja de curto prazo

1º.set.2019 às 2h00 Marina Dias

WASHINGTON A crise gerada pelas queimadas na Amazônia e a escalada retórica de Jair Bolsonaro sobre o tema começam a desagradar a multinacionais e podem desencadear um boicote do setor privado 
a produtos brasileiros.

Essa é a conclusão de especialistas que afirmam que o ambiente mobiliza cada vez mais a opinião pública nos Estados Unidos e na Europa e tem gerado preocupação institucional nas empresas.

Segundo eles, multinacionais dessas regiões evitam se associar a políticas ou a governos que rompam com a ideia de preservação e sustentabilidade, como hoje é o caso do Brasil.

Na semana passada pipocaram várias reações. A VF Corporation, com sede no estado americano da Carolina do Norte, anunciou que 18 de suas marcas, incluindo Kipling, Timberland e Vans, estavam suspendendo a compra de couro brasileiro após notícias que relacionavam os incêndios na floresta ao agronegócio.

Focos de queimada na região metropolitana de Manaus; na amazônia, a prática, comum nesta época do ano, tem castigado a vegetação
Focos de queimada na região metropolitana de Manaus; na amazônia, a prática, comum nesta época do ano, tem castigado a vegetação. Márcio Melo/Folhapress/
Focos de queimada na região metropolitana de Manaus; na amazônia, a prática, comum nesta época do ano, tem castigado a vegetação
Focos de queimada na região metropolitana de Manaus; na amazônia, a prática, comum nesta época do ano, tem castigado a vegetação. Márcio Melo/Folhapress/

Duas das maiores comercializadoras de grãos do mundo, que também têm sede nos Estados Unidos, a ADM (Archer Daniels Midland) e a Bunge, soltaram comunicados para deixar claro ao mercado que não compram produtos de novas áreas desmatadas na Amazônia e que utilizam satélites de monitoramento para garantir políticas ambientais.

Por sua vez, a norueguesa Mowi ASA —maior produtora de salmão do mundo— ameaçou interromper as aquisições de soja do Brasil.

“O risco agora é ter boicote de consumidores. Esse é um custo direto criado e exacerbado pela retórica de Bolsonaro”, afirma Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia. 
Um setor que ainda pode sentir pressão de consumidores é o da indústria da carne.

A expectativa no mercado, porém, é que o impacto na economia brasileira seja de curto prazo, visto que os governos americano e de países europeus não devem aplicar sanções ou restrições às importações brasileiras.

O presidente Donald Trump é um aliado declarado de Bolsonaro, e qualquer acordo para bloquear a compra de produtos pela Europa, por exemplo, custaria negociações mais complexas na União Europeia.

Somado a esses fatores, os especialistas avaliam que as queimadas devem diminuir com a chegada das chuvas no fim do ano, o que tende a reduzir também a repercussão internacional sobre o assunto.

A marca The North Face foi uma das marcas que aderiu à suspensão
A marca The North Face foi uma das marcas que aderiu à suspensão. Reprodução/
Timberland também entrou para a lista
Timberland também entrou para a lista. Reprodução/

Além do reflexo sobre as empresas multinacionais e seus clientes, o impacto da crise na Amazônia ainda poderia chegar aos fundos de investimento chamados ESG (Ambiente, Social e Governança, na sigla em inglês), bloqueando aporte de recursos no país.

Criados há cerca de 15 anos, eles possuem cláusulas que limitam os investimento apenas em empresas ou países que sigam determinadas regras ambientais.

Muitos desses fundos têm restrições para apoiar negócios que possam afetar a saúde ou trazer riscos sociais e ao meio ambiente, como a indústria de tabaco, os negócios vinculados ao carvão ou metalúrgicas.

Segundo Alvaro Mollica, estrategista em Nova York para a XP Investimentos, esse tipo de fundo, no entanto, não tem presença marcante em países como o Brasil. É mais comum em nações desenvolvidas. Já os grandes investidores ainda não se mexeram impulsionados pelo tema. 

“Eles costumam tomar decisões mais lentas. Podemos dizer que o discurso de Bolsonaro não afetou quase nada, mas também não ajudou a levar mais dinheiro ao Brasil.”

Folha.uol.com.br

Fantástico flagra queimadas e transporte de madeira ilegal na Amazônia

Reportagem especial mostra como está a situação na região, alvo de polêmica e preocupação internacional após o aumento no número de queimadas e no desmatamento.

25/08/2019 23h16  Atualizado há 10 horas


Fantástico flagra queimadas e transporte de madeira ilegal na Amazônia

Esta semana, em São Paulo, de repente, o dia virou noite. As nuvens, pretas e densas, eram de assustar. No dia seguinte, a água da chuva recolhida por moradores era escura e tinha cheiro de queimado. Foi encontrado um poluente característico de queimadas.

A Agência Espacial Americana captou aumento nos focos de queimadas no Norte e no Centro-Oeste do Brasil. O corredor de fumaça que chegou à região Sudeste. A Amazônia enfrenta a pior onda de incêndios em sete anos.

Ao comentar as queimadas que se multiplicam nas matas, o presidente Jair Bolsonaro levantou a suspeita de que ONGs seriam responsáveis por incêndios criminosos. Com cartazes e faixas, ambientalistas protestaram contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Os incêndios na Amazônia também repercutiram na imprensa internacional e se tornaram uma preocupação mundial. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a Europa mente sobre o desmatamento no Brasil.

A escalada no desmatamento na Amazônia disparou um alerta entre autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros esta semana. Mas o que exatamente está acontecendo na maior floresta tropical do mundo? Qual o tamanho da devastação e quais são as consequências dessa prática ilegal?

Os repórteres do Fantástico estiveram no município mais desmatado do Brasil, flagraram queimadas e o transporte de madeira ilegal em plena área de proteção ambiental.

Banco de desenvolvimento doa US$ 500 mil para combater incêndio na Amazônia

O Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) informou neste sábado (24) que doará US$ 500 mil a Brasil, Bolívia e Paraguai para o combate aos incêndios que estão destruindo milhares de quilômetros quadrados da Amazônia.

23.ago.2019 – Incêndio na Área de Proteção Ambiental Jamanxim, no município de Novo Progresso (PA)Imagem: Victor Moriyama / Greenpeace

A organização multilateral manifestou em comunicado a “vontade e disposição de considerar uma linha de emergência para contar com um financiamento de rápido acesso em favor de Bolívia, Brasil e Paraguai para contribuir para a proteção da população e da biodiversidade, assim como para a recuperação das áreas afetadas”.

“Desejo expressar nossa solidariedade aos povos de Bolívia, Brasil e Paraguai diante daqueles que foram afetados e dos sérios danos à biodiversidade, a animais, florestas, cultivos e pastos”, disse na nota o presidente-executivo do banco, Luis Carranza.

O CAF, que foi constituído no ano de 1970 e cuja sede regional fica na Venezuela, é integrado atualmente por 19 países (17 da América Latina e do Caribe, além de Espanha e Portugal) e 13 bancos privados.

A principal missão da instituição é promover o desenvolvimento sustentável e a integração regional, mediante o financiamento de projetos dos setores público e privado, a cooperação técnica e oferta de outros serviços especializados, segundo a organização.

Queimadas na Amazônia: crise tem Bolsonaro culpando ONG e crítica de MacronUOL Notícias