Pai denúncia a falta de médicos no hospital de Pedro Avelino

O senhor José Ranilson pai de uma criança de 11 anos, denúncia o descaso com a saúde de Pedro Avelino, a mãe de seu filho buscou atendimento no hospital governador josé varela e não tinha médico. Segundo a informação repassada por José Ranilson (pai), a criança está no hospital desde de meio dia e a única coisa que fizeram foi dá algumas gotas de Dipirona.

O mais interessante é que as redes sociais da Prefeitura de Pedro Avelino mostra uma saúde de primeiro mundo e a realidade é muita maquiagem.

Detalhe: Só depois do pai do menino fazer a denúncia em sua rede socia que mandaram a criança para Afonso Bezerra. E ainda tiveram o desplante de pedir para o senhor Ranilson retirar o post dele.

A foto foi modificada devido ser um menino de menor de idade.

[Autorizado]

Crédito: Facebook do pai

Após decisão judicial, Natal suspende vacinação de trabalhadores da saúde

A Secretaria Municipal de Saúde decidiu suspender a vacinação para os trabalhadores da saúde enquanto faz as adequações necessárias para o cumprimento da decisão judicial proferida pela juíza Ana Nery Oliveira Cruz no processo judicial movido pelo Ministério Público e Defensoria Pública contra as secretarias estadual e municipal de saúde.

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A decisão da magistrada é para que a secretaria não vacine as pessoas que não possuem vínculo e não estejam no serviço de assistência à saúde, vigilância à saúde, regulação e gestão à saúde ou nos serviços de interesse à saúde expressamente elencados pelo Ministério da Saúde (cemitérios, casas de apoio e instituições de longa permanência), uma vez que o Plano Nacional de Imunização especificou que, no grupo prioritário de trabalhadores e profissionais de saúde, estejam apenas aqueles “envolvidos na resposta pandêmica nos diferentes níveis de complexidade da rede de saúde”.

Também determinou que não sejam vacinados trabalhadores de saúde autônomos com base apenas em autodeclaração e sem apresentação do registro ativo no conselho de classe; e , pelo menos, três contratos de prestação ou três declarações de pacientes atestando a prestação dos serviços ou contrato de vinculação a planos de saúde privados. A juíza determinou ainda que não vacinem os profissionais de saúde que, mesmo sendo habilitados em áreas de saúde, desempenham atividades exclusivamente acadêmicas, como professores ou pesquisadores ou estudantes que não estejam em estágio hospitalar, em atenção básica, clínicas e laboratórios e que não vacinem os trabalhadores de saúde de áreas administrativas que não exerçam atividade laboral com exposição ao risco de contaminação pelo coronavírus.

O mesmo vale para os trabalhadores de saúde do sistema funerário, Instituto Médico Legal e Serviço de Verificação de Óbito que não tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados, a decisão se baseia no Ofício Circular nº 57 do Ministério da Saúde, de 12 de março de 2021, que informe e destaque expressamente que, além da vinculação atual a serviços de saúde, exige-se também a comprovação de exposição a risco de contaminação pelo coronavírus.

Diante da decisão, a secretaria decidiu suspender temporariamente a vacina para todo o grupo enquanto se adequa para cumprir todas as determinações. Em breve irá divulgar novas datas para atender a esse público.
Quem já tomou a primeira dose, no entanto, tem garantida a aplicação da segunda dose na data agendada, para evitar desperdício ou perda da eficácia na imunização.

A vacinação para os demais públicos segue normalmente hoje e no final de semana conforme locais e critérios estabelecidos.

Pedro Avelino: Ministério da Saúde repassou mais de 3,6 milhões em 2020 para à Saúde

Desde o início da pandemia, o Governo Federal vem fortalecendo a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) com entregas de equipamentos, insumos e recursos para o combate à pandemia.

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O Ministério da Saúde destinou ao municipal de Pedro Avelino/RN em 2020, mais de R$ 3.608.319,40 (três milhões, seiscentos e oito mil, trezentos e dezenove reais e quarenta centavos. Só para o enfrentamento ao COVID-19, Pedro Avelino recebeu R$ 1.020.247,43 (um milhão e vinte mil, duzentos e quarenta e sete reais e quarenta e três centavos).

O município não tem um leito para atender um paciente covid e muito menos teve a testagem da população em 2020 como foi prometido.

Fonte: Fundo Nacional de Saúde

Compra de R$ 1,5 milhão em ventiladores danificados pelo Governo do RN repercute na imprensa nacional

19 de fevereiro de 2021 às 08:04

EQUIPAMENTOS FORAM ENTREGUES EM JUNHO DO ANO PASSADO E, DESDE ENTÃO, NÃO FORAM CONCERTADOS NEM TROCADOS – APESAR DA GARANTIA. FOTO: REPRODUÇÃO/CGU

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) gastou, em meio à pandemia de Covid-19, R$ 1,498 milhão na compra de ventiladores pulmonares danificados. O caso veio à tona e já repercute na Grande Imprensa, a exemplo do Estadão e Metrópoles.

No total, o governo potiguar fechou um contrato (leia aqui) de R$ 1,605 milhão com a empresa multinacional Baumer, para a aquisição de 15 ventiladores pulmonares. Desses, 14 apresentaram problemas, segundo relatos de profissionais das unidades de saúde que receberam os equipamentos.

A situação foi analisada em auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), na qual o Metrópoles teve acesso, finalizada no último dia 10 de fevereiro. O órgão destacou ainda que os equipamentos ficaram guardados e que a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte não apresentou solução ao problema.

A compra foi estabelecida de forma emergencial – portanto, com dispensa de licitação – em maio do ano passado, pouco antes de o secretário de Saúde, Cipriano Maia, que assinou o contrato, dizer que o estado estava “à beira do colapso”.

“Estamos numa situação extremamente crítica. Não diria ainda colapso, porque os pacientes estão conseguindo ser atendidos em algum serviço. Mas podemos dizer que estamos, realmente, à beira do colapso”, disse Maia, em junho de 2019, segundo registro do jornal O Estado de S. Paulo.

Na época, a ocupação dos leitos destinados a pacientes com Covid-19 era de 97,8%.

Hoje, o sistema público de saúde continua delicado. De acordo com dados da plataforma Regula RN, que monitora as internações por Covid-19 no estado, 11 (de 20) hospitais públicos estão com 100% dos leitos ocupados.

Problemas

Segundo a Controladoria, os ventiladores não foram usados devido a “problemas técnicos e operacionais que inviabilizaram suas utilizações nos atendimentos dos pacientes em UTIs [Unidades de Terapia Intensiva]”.

Os aparelhos foram distribuídos a três unidades de saúde na cidade de Parnamirim, que fica ao lado de Natal (RN). Dois hospitais, que receberam a maior parte dos equipamentos, confirmaram o problema.

Em parecer técnico enviado à Controladoria, a coordenadora do setor de fisioterapia do Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena (HRDML), por exemplo, detalhou os defeitos dos equipamentos adquiridos pela Sesap.

Segundo a profissional, os ventiladores “não respondem aos comandos programados e individualizados para a necessidade do pacientes, assim como apresentou defeitos na tela principal antes de ser efetuado o auto teste”.

“Parâmetros como a fração inspirada de oxigênio, que é a quantidade de oxigênio fornecida e necessária ao paciente durante a ventilação mecânica, não são programados de forma precisa, pois esses ventiladores não quantificam o valor exato, comprometendo diretamente no tratamento de hipoxemia, por exemplo”, prosseguiu a coordenadora.

Dessa maneira, o parecer técnico concluiu que o uso dos equipamentos é inapropriado uma vez que “comprometerá diretamente no tratamento dos pacientes que necessitem de ventilação mecânica”.

Equipamentos guardados

O contrato emergencial firmado entre a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte e a Baumer prevê, contudo, um prazo de validade não inferior a 12 meses, após a entrega dos equipamentos.

Além disso, estabelece que a “entrega, montagem, instalação, desembalarem e treinamento operacional à SESAP ficarão a cargo da empresa contratada”.

Outro lado

O Metrópoles procurou a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) e a multinacional Baumer para esclarecerem se os problemas foram solucionados após a auditoria da CGU, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Essa não é a primeira vez, contudo, que a pasta estadual está envolvida com irregularidades nas compras de equipamentos durante a pandemia do novo coronavírus.

Auditores do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN) apontaram, em junho, que o governo do estado pagou R$ 4,9 milhões antecipados, pela compra de 30 respiradores, antes de assinar os contratos com o Consórcio Nordeste.

Os 300 equipamentos comprados pelos estados, ao custo total de R$ 48,7 milhões, não foram entregues e os donos da empresa tiveram os bens bloqueados pela Justiça, além de serem presos em operação da Polícia Civil da Bahia.

Metrópoles

Covid-19: Brasil tem 129 mil mortes e 4,2 milhões de casos confirmados

Mais de 3,5 milhões de pessoas se recuperaram

Publicado em 10/09/2020 – 20:40 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

 A atualização do Ministério da Saúde divulgada na noite desta quinta-feira (10) mostrou que houve 129.522 mortes em função da covid-19. Nas últimas 24 horas, as autoridades de saúde registraram 983 óbitos. Ontem, no balanço da pasta constavam 128.539 óbitos. Ainda há 2.501 mortes sendo investigadas por órgãos de saúde.

O número de pessoas infectadas desde o início da pandemia somam 4.238.446. Entre ontem e hoje, foram notificados 40.557 novos diagnósticos positivos de infecção pelo coronavírus. Ontem o painel do Ministério da Saúde trazia 4.197.889 casos acumulados. De acordo com a atualização, 611.587 pessoas estão em acompanhamento e mais 3.497.337 se recuperaram.

Os casos são menores aos domingos e segundas-feiras pelas limitações de alimentação de dados pelas equipes das secretarias de Saúde. Às terças-feiras, o número usualmente tem sido maior pelo envio dos dados acumulados do fim de semana.

Estados

Os estados com mais morte são: São Paulo (32.104), Rio de Janeiro (16.871), Ceará (8.639), Pernambuco (7.792) e Pará (6.289). As unidades da Federação com menos óbitos são Roraima (607), Acre (635), Amapá (676), Tocantins (773) e Mato Grosso do Sul (1.024).

São Paulo também lidera entre os estados com mais casos, com 874.754 casos confirmados, seguido por Bahia (277.327), Minas Gerais (242.533) e Rio de Janeiro (234.813). As unidades da Federação com menos casos são Acre (635), Amapá (676), Roraima (607) e Mato Grosso do Sul (1.024).

Transmissibilidade cresce em três regiões do Estado

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), destaca que a taxa de transmissibilidade em três regiões apresentaram crescimento e estão acima de 1, requerendo atenção. No Mato Grande a taxa é de 1,04; no Alto Oeste é de 1,13; e no Oeste é de 1,29. Os dados são do mapa do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais) com a plataforma “Coronavírus RN”, sistema que monitora os casos da Covid-19 no Rio Grande do Norte.

A taxa geral de ocupação de leitos críticos da rede SUS é de 39%. Por região, essa taxa é de 36% no Oeste, 100% no Mato Grande, 33,7% na Região Metropolitana de Natal, 60% no Seridó e 90% Alto Oeste. Os leitos estão desocupados nas regiões Agreste e Potengi-Trairi.

Os casos confirmados somam 61.989. Há 26.212 casos suspeitos, 116.078 descartados, os óbitos somam 2.263 (3 nas últimas 24 horas) e há 218 em mortes em investigação (aguardando resultado de exames laboratorial). Outros 495 casos foram descartados.

De acordo com o secretário de Saúde do Estado, Cipriano Maia, a taxa de ocupação dos leitos é considerada satisfatória, “mas esperamos que continue caindo para isso chamamos a atenção da população. A pandemia não acabou. Estamos vendo situações no cotidiano que não condiz com o momento que vivemos, ainda há necessidade de proteção e distanciamento físico entre as pessoas para evitar aglomerações”.

Dentre as medidas adotadas pela Sesap está a contratação de apoiadores técnicos atuando diretamente nas Regionais de Saúde para apoiar tanto na atenção primária quanto em vigilância em saúde, buscando a integração e a reorganização dos processos de trabalho. “A ação foi pactuada com as secretarias municipais de saúde e deve começar nos primeiros dias de setembro”, afirmou o secretário, durante coletiva diária para atualização de dados e ações estaduais sobre a pandemia, na Escola de Governo.

Os dados da Sesap registram hoje 256 pacientes internados na rede pública e privada de saúde, sendo 104 em leitos críticos e 155 em leitos clínicos.

O secretário lembrou que a máscara é de uso obrigatório, “é preciso usar de forma correta. Não vamos relaxar a situação, queremos os leitos desocupados e salvar vidas. Não podemos banalizar a situação”.

A Sesap iniciará a partir desta terça-feira a ampliação da testagem sorológica feito com base na coleta de sangue, um teste mais específico, em todas as regiões do Estado.

 Fonte/Fotos: Jair Sampaio/Sandro Menezes

Primeira-dama testa positivo para covid-19

Michelle será acompanhada pela equipe médica da presidência

Publicado em 30/07/2020 – 12:34 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A primeira-dama Michelle Bolsonaro teve exame positivo para covid-19 hoje (30). “Ela apresenta bom estado de saúde e seguirá todos os protocolos estabelecidos”, diz a nota da Secretaria Especial de Comunicação Social.

Michelle tem 38 anos e está sendo acompanhada pela equipe médica da presidência.

O presidente Jair Bolsonaro também já contraiu a doença. Ele anunciou o resultado positivo do teste no dia 7 de julho e permaneceu em isolamento no Palácio da Alvorada até o último sábado (25), quando informou que estava recuperado.

Também nesta quinta-feira, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, informou hoje que testou positivo para covid-19

Mandetta diz que sistema de saúde já está em colapso

Enquanto o atual ministro da Saúde, Nelson Teich, usa um discurso vago para falar sobre a pandemia, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) afirmou nesta quinta-feira (30) que o sistema de saúde do Brasil já está em colapso em decorrência.

“Sempre foi uma previsão que torci para não se cumprir, que trabalhei para evitar, mas que infelizmente estamos vivendo”, disse Mandetta em sua página no Twitter.

Mandetta foi demitido por Jair Bolsonaro durante o enfrentamento à Covid-19, no último 16 de abril. Ele e o chefe do Executivo discordaram das medidas de combate e prevenção à infecção. Bolsonaro defende o fim do isolamento e minimiza os impactos das mortes, afirmando que apenas os idosos serão afetados.

Balanço do Ministério da Saúde de quarta-feira (29), já são 5.466 mortes e 78.162 casos confirmados de coronavírus. Foram registrados 449 óbitos nas últimas 24 horas.

Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo

Em países onde a testagem é grande e começou cedo, a mortalidade da doença é de 1,3% dos infectados. No Brasil, é de quase 7% dos casos já registrados.

26/04/2020 20h41  Atualizado há 9 horas

Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo
Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo

No desespero de uma família, o drama de muitos. A porta do hospital estava fechada. Dona Amália, 53 anos, mãe de sete filhos, inconsciente no carro. Em poucos minutos, estava morta. Isso aconteceu em Manaus. Na última sexta-feira, o Fantástico conversou com com três dos filhos dela, que haviam acabado de enterrar a mãe. Foi o desfecho de uma longa busca por ajuda. Há três semanas, Dona Amália, líder comunitária, foi ao posto de saúde com sintomas de gripe.

Coronavírus: pesquisadores mostram profissões com risco de contágio

Técnicos em saúde bucal são os mais vulneráveis à infecção pelo vírus

Publicado em 12/04/2020 – 18:58 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) mapearam o risco de contaminação pelo novo coronavírus (covid-19) nas várias áreas de atuação dos trabalhadores brasileiros. O estudo, divulgado esta semana, mostra que os técnicos em saúde bucal são os mais vulneráveis à infecção pelo vírus.  

Agência Brasil conversou com um dos responsáveis pela pesquisa, o pesquisador do Laboratório do Futuro da Coppe/UFRJ, Yuri Lima sobre os principais resultados encontrados. O estudo, segundo ele, pode ser usados pelos setores público e privado para proteger os trabalhadores da covid-19 e também para traçar planos para reduzir o desemprego após a pandemia.

O mapeamento inclui mais de 2,5 mil ocupações e abrange todo o país. A metodologia usada é a mesma empregada pelo New York Times, nos Estados Unidos. Os pesquisadores usaram a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia e avaliaram o contexto de trabalho das ocupações, com foco nas consequências do coronavírus.

O estudo mostra que 2,6 milhões de profissionais da área de saúde apresentam risco de contágio acima de 50%. Dentre eles, os mais vulneráveis são os técnicos em saúde bucal, um total de 12,5 mil profissionais, com 100% de risco de contágio, em função do ambiente e da proximidade física com os pacientes.

Já os vendedores varejistas, operadores de caixas, entre outros profissionais do comércio que, juntos, somam cerca de 5 milhões de trabalhadores no país, apresentam, em média, 53% de risco de serem infectados.

No setor de transportes, o risco também é alto. Entre os 350 mil motoristas de ônibus urbanos e rodoviários, o risco de contágio é superior a 70%. Os professores também estão no grupo de profissionais mais afetados, com um índice de risco acima de 70%. A suspensão das aulas em todo o país, no entanto, reduziu esse índice.

Entre os menos vulneráveis, estão os intelectuais e aqueles profissionais que realizam trabalhos voltado para o setor artístico, por exercerem atividades de forma quase solitária. O risco de contágio é, em média, 19% entre roteiristas, escritores e poetas, por exemplo. Os mais de 14 mil operadores de motosserra, cuja maioria trabalha nas áreas rurais, apresentam risco de 18%.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Como surgiu a ideia de fazer esse estudo?

Yuri Lima: A gente trabalha desde 2016 no Laboratório do Futuro com uma linha de pesquisa voltada para estudar o futuro do trabalho. Então, a gente, desde antes desse período da covid, faz pesquisas com dados sobre emprego para poder entender como vai ser a questão, por exemplo, da automação no futuro e quais serão as alterações no trabalho. Quando começamos a ver o coronavírus aparecer a gente decidiu que era uma necessidade desse momento a gente poder produzir dados confiáveis e análises importantes para poder embasar as discussões do impacto da covid sobre o emprego. A discussão era pautada por dados que vinham do exterior e não se falava muito sobre a situação brasileira.

Agência Brasil: O que os resultados encontrados nos mostram?

Yuri Lima: Eu acho que os resultados são de certa forma um alerta. Quando a gente olha para esses dados a gente percebe que tem uma grande parcela da população que está trabalhando ou que poderia estar trabalhando em risco se tivesse sem essas medidas de distanciamento social. A gente percebe a importância dessas medidas. Quando a gente olhou para os dados, a gente percebeu coisas que já eram esperadas, como o setor de saúde estar sendo muito afetado. Isso já era algo bem óbvio. Mas, a gente viu também setores que são considerados essenciais, como o de alimentação e parte do comércio que trabalha com venda de alimentos, que têm um risco bem considerável. Uma das coisas que a gente precisa levantar com essa discussão é que essas pessoas que estão nessas ocupações estão em risco. Elas também precisam ser protegidas. A gente não pode ter a execução dessas atividades essenciais sem pensar na segurança desses trabalhadores.

Agência Brasil: Além de pensar no agora, na proteção desses trabalhadores, como vocês avaliam que a pandemia poderá afetar o futuro do trabalho?

Yuri Lima: A gente vê uma intensificação de certas mudanças que a gente e muitos outros pesquisadores já discutíamos antes. A gente já tinha um processo de digitalização da economia. Cada vez mais os serviços são feitos pela internet, por aplicativos. Agora, a gente vê uma intensificação disso. Algo que se intensifica nesse momento e acaba virando um novo normal. A gente está passando agora por uma dependência maior desse tipo de intermediação digital e a tendência é que isso permaneça em um nível mais alto depois que isso passar. Então, a gente pode esperar uma economia mais digitalizada.

Um outro movimento que a gente estudava antes desse período é a questão da automação e o impacto que essa automação. Automação é diferente da digitalização. Ela substitui os trabalhadores pelas máquinas, a gente vê que vai haver um interesse de parte das empresas, principalmente das grandes que têm recursos para se manter nesse momento, de substituir parte dos trabalhadores por máquinas, na medida que é necessário fazer isso para manter a produção corrente, para não parar uma fábrica. O que a gente tem percebido é que este tende a ser um momento que a automação vai crescer mais do que nunca. E isso vai continuar depois. Quando se faz um investimento em automação, isso não é algo que você vai jogar fora daqui a três ou quatro meses. É uma coisa que vai permanecer.

Agência Brasil: Podemos esperar, então, um impacto no mercado de trabalho.

Yuri Lima: Não tem como o mercado de trabalho não sofrer uma redução, no sentido de ter mais pessoas desempregadas, de reduzir a força de trabalho. Independente das medidas que se tome, vai haver redução. O que gente pode fazer é mitigar esse impacto. Uma questão que já vinha antes da pandemia é a estagnação da renda real dos trabalhadores. Em um período de crise, a gente percebe que isso tende a piorar, porque a gente vai ter menos pessoas que vão conseguir trabalhar. Tem uma redução da renda das pessoas, até pelas propostas que foram feitas, tanto para os trabalhadores formais quanto para os informais. Elas representam uma redução do salário, que tende a permanecer depois desse período, até pela alta taxa de desemprego. A gente vai ter uma concorrência maior no mercado e isso joga os salários para baixo.

Agência Brasil: É possível se preparar para esse cenário?

Yuri Lima: Tem uma série de iniciativas que estão sendo tomadas. A gente tem que ter uma preocupação em manter as pessoas empregadas. Isso é algo importante para o governo analisar. Não tem jeito, isso é aumento de dívida pública, tem que conseguir mais recursos para isso. Do ponto de vista do governo, pode-se identificar quem são essas pessoas que estão ficando desempregadas, pode-se olhar para essa questão do risco de contágio. Pode-se pensar em como manter pessoas trabalhando em ocupações que não vão ser afetadas, ou que têm menos risco de contágio. Depois que passar esse momento de distanciamento social, fazer o possível para a gente ter uma boa transição, uma transição segura para um estágio mais intermediário.

Agência Brasil: Além das ações do poder público, o que os trabalhadores e as empresas podem fazer?

Yuri Lima: Do ponto de vista das pessoas, dos trabalhadores, a gente sabe que será um momento bem complicado. A gente sabe que têm certas ocupações que dificilmente vão ser mantidas nesse momento. É difícil, mas acho que cabe uma reflexão por parte dos trabalhadores de olhar essas informações, não só o que a gente tem feito, claro, mas de qualquer outra fonte confiável, de que tipo de área é possível atuar, que tipo de caminho e formação a pessoa pode buscar no sentido de fugir das atividades que estão mais em risco. Tanto em risco de contágio, quanto em risco de desemprego tanto pela digitalização quanto pela automação.

Governo e empresas, que estão precisando, em certos casos, colocar as pessoas em situação de desemprego, podem apoiar esse processo todo. Acho que ninguém pode abrir mão do seu lado de culpa nesse processo. Acho que tem que ter um pouco de solidariedade.  Acho que é esse momento de desenvolver um certo apoio. A gente não pode acabar achando que isso vai ser um momento romantizado, que os trabalhadores vão ter oportunidade de aprender, porque a gente sabe que isso não acontece sem que haja um bom apoio das empresas e do governo. Entram também os sindicatos, as universidades, toda essa rede de formação e de apoio aos trabalhadores e às empresas.