Mandetta diz que sistema de saúde já está em colapso

Enquanto o atual ministro da Saúde, Nelson Teich, usa um discurso vago para falar sobre a pandemia, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) afirmou nesta quinta-feira (30) que o sistema de saúde do Brasil já está em colapso em decorrência.

“Sempre foi uma previsão que torci para não se cumprir, que trabalhei para evitar, mas que infelizmente estamos vivendo”, disse Mandetta em sua página no Twitter.

Mandetta foi demitido por Jair Bolsonaro durante o enfrentamento à Covid-19, no último 16 de abril. Ele e o chefe do Executivo discordaram das medidas de combate e prevenção à infecção. Bolsonaro defende o fim do isolamento e minimiza os impactos das mortes, afirmando que apenas os idosos serão afetados.

Balanço do Ministério da Saúde de quarta-feira (29), já são 5.466 mortes e 78.162 casos confirmados de coronavírus. Foram registrados 449 óbitos nas últimas 24 horas.

Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo

Em países onde a testagem é grande e começou cedo, a mortalidade da doença é de 1,3% dos infectados. No Brasil, é de quase 7% dos casos já registrados.

26/04/2020 20h41  Atualizado há 9 horas

Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo
Casos de Covid-19 podem passar de meio milhão e apenas 8,9% são detectados, diz estudo

No desespero de uma família, o drama de muitos. A porta do hospital estava fechada. Dona Amália, 53 anos, mãe de sete filhos, inconsciente no carro. Em poucos minutos, estava morta. Isso aconteceu em Manaus. Na última sexta-feira, o Fantástico conversou com com três dos filhos dela, que haviam acabado de enterrar a mãe. Foi o desfecho de uma longa busca por ajuda. Há três semanas, Dona Amália, líder comunitária, foi ao posto de saúde com sintomas de gripe.

Coronavírus: pesquisadores mostram profissões com risco de contágio

Técnicos em saúde bucal são os mais vulneráveis à infecção pelo vírus

Publicado em 12/04/2020 – 18:58 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) mapearam o risco de contaminação pelo novo coronavírus (covid-19) nas várias áreas de atuação dos trabalhadores brasileiros. O estudo, divulgado esta semana, mostra que os técnicos em saúde bucal são os mais vulneráveis à infecção pelo vírus.  

Agência Brasil conversou com um dos responsáveis pela pesquisa, o pesquisador do Laboratório do Futuro da Coppe/UFRJ, Yuri Lima sobre os principais resultados encontrados. O estudo, segundo ele, pode ser usados pelos setores público e privado para proteger os trabalhadores da covid-19 e também para traçar planos para reduzir o desemprego após a pandemia.

O mapeamento inclui mais de 2,5 mil ocupações e abrange todo o país. A metodologia usada é a mesma empregada pelo New York Times, nos Estados Unidos. Os pesquisadores usaram a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia e avaliaram o contexto de trabalho das ocupações, com foco nas consequências do coronavírus.

O estudo mostra que 2,6 milhões de profissionais da área de saúde apresentam risco de contágio acima de 50%. Dentre eles, os mais vulneráveis são os técnicos em saúde bucal, um total de 12,5 mil profissionais, com 100% de risco de contágio, em função do ambiente e da proximidade física com os pacientes.

Já os vendedores varejistas, operadores de caixas, entre outros profissionais do comércio que, juntos, somam cerca de 5 milhões de trabalhadores no país, apresentam, em média, 53% de risco de serem infectados.

No setor de transportes, o risco também é alto. Entre os 350 mil motoristas de ônibus urbanos e rodoviários, o risco de contágio é superior a 70%. Os professores também estão no grupo de profissionais mais afetados, com um índice de risco acima de 70%. A suspensão das aulas em todo o país, no entanto, reduziu esse índice.

Entre os menos vulneráveis, estão os intelectuais e aqueles profissionais que realizam trabalhos voltado para o setor artístico, por exercerem atividades de forma quase solitária. O risco de contágio é, em média, 19% entre roteiristas, escritores e poetas, por exemplo. Os mais de 14 mil operadores de motosserra, cuja maioria trabalha nas áreas rurais, apresentam risco de 18%.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Como surgiu a ideia de fazer esse estudo?

Yuri Lima: A gente trabalha desde 2016 no Laboratório do Futuro com uma linha de pesquisa voltada para estudar o futuro do trabalho. Então, a gente, desde antes desse período da covid, faz pesquisas com dados sobre emprego para poder entender como vai ser a questão, por exemplo, da automação no futuro e quais serão as alterações no trabalho. Quando começamos a ver o coronavírus aparecer a gente decidiu que era uma necessidade desse momento a gente poder produzir dados confiáveis e análises importantes para poder embasar as discussões do impacto da covid sobre o emprego. A discussão era pautada por dados que vinham do exterior e não se falava muito sobre a situação brasileira.

Agência Brasil: O que os resultados encontrados nos mostram?

Yuri Lima: Eu acho que os resultados são de certa forma um alerta. Quando a gente olha para esses dados a gente percebe que tem uma grande parcela da população que está trabalhando ou que poderia estar trabalhando em risco se tivesse sem essas medidas de distanciamento social. A gente percebe a importância dessas medidas. Quando a gente olhou para os dados, a gente percebeu coisas que já eram esperadas, como o setor de saúde estar sendo muito afetado. Isso já era algo bem óbvio. Mas, a gente viu também setores que são considerados essenciais, como o de alimentação e parte do comércio que trabalha com venda de alimentos, que têm um risco bem considerável. Uma das coisas que a gente precisa levantar com essa discussão é que essas pessoas que estão nessas ocupações estão em risco. Elas também precisam ser protegidas. A gente não pode ter a execução dessas atividades essenciais sem pensar na segurança desses trabalhadores.

Agência Brasil: Além de pensar no agora, na proteção desses trabalhadores, como vocês avaliam que a pandemia poderá afetar o futuro do trabalho?

Yuri Lima: A gente vê uma intensificação de certas mudanças que a gente e muitos outros pesquisadores já discutíamos antes. A gente já tinha um processo de digitalização da economia. Cada vez mais os serviços são feitos pela internet, por aplicativos. Agora, a gente vê uma intensificação disso. Algo que se intensifica nesse momento e acaba virando um novo normal. A gente está passando agora por uma dependência maior desse tipo de intermediação digital e a tendência é que isso permaneça em um nível mais alto depois que isso passar. Então, a gente pode esperar uma economia mais digitalizada.

Um outro movimento que a gente estudava antes desse período é a questão da automação e o impacto que essa automação. Automação é diferente da digitalização. Ela substitui os trabalhadores pelas máquinas, a gente vê que vai haver um interesse de parte das empresas, principalmente das grandes que têm recursos para se manter nesse momento, de substituir parte dos trabalhadores por máquinas, na medida que é necessário fazer isso para manter a produção corrente, para não parar uma fábrica. O que a gente tem percebido é que este tende a ser um momento que a automação vai crescer mais do que nunca. E isso vai continuar depois. Quando se faz um investimento em automação, isso não é algo que você vai jogar fora daqui a três ou quatro meses. É uma coisa que vai permanecer.

Agência Brasil: Podemos esperar, então, um impacto no mercado de trabalho.

Yuri Lima: Não tem como o mercado de trabalho não sofrer uma redução, no sentido de ter mais pessoas desempregadas, de reduzir a força de trabalho. Independente das medidas que se tome, vai haver redução. O que gente pode fazer é mitigar esse impacto. Uma questão que já vinha antes da pandemia é a estagnação da renda real dos trabalhadores. Em um período de crise, a gente percebe que isso tende a piorar, porque a gente vai ter menos pessoas que vão conseguir trabalhar. Tem uma redução da renda das pessoas, até pelas propostas que foram feitas, tanto para os trabalhadores formais quanto para os informais. Elas representam uma redução do salário, que tende a permanecer depois desse período, até pela alta taxa de desemprego. A gente vai ter uma concorrência maior no mercado e isso joga os salários para baixo.

Agência Brasil: É possível se preparar para esse cenário?

Yuri Lima: Tem uma série de iniciativas que estão sendo tomadas. A gente tem que ter uma preocupação em manter as pessoas empregadas. Isso é algo importante para o governo analisar. Não tem jeito, isso é aumento de dívida pública, tem que conseguir mais recursos para isso. Do ponto de vista do governo, pode-se identificar quem são essas pessoas que estão ficando desempregadas, pode-se olhar para essa questão do risco de contágio. Pode-se pensar em como manter pessoas trabalhando em ocupações que não vão ser afetadas, ou que têm menos risco de contágio. Depois que passar esse momento de distanciamento social, fazer o possível para a gente ter uma boa transição, uma transição segura para um estágio mais intermediário.

Agência Brasil: Além das ações do poder público, o que os trabalhadores e as empresas podem fazer?

Yuri Lima: Do ponto de vista das pessoas, dos trabalhadores, a gente sabe que será um momento bem complicado. A gente sabe que têm certas ocupações que dificilmente vão ser mantidas nesse momento. É difícil, mas acho que cabe uma reflexão por parte dos trabalhadores de olhar essas informações, não só o que a gente tem feito, claro, mas de qualquer outra fonte confiável, de que tipo de área é possível atuar, que tipo de caminho e formação a pessoa pode buscar no sentido de fugir das atividades que estão mais em risco. Tanto em risco de contágio, quanto em risco de desemprego tanto pela digitalização quanto pela automação.

Governo e empresas, que estão precisando, em certos casos, colocar as pessoas em situação de desemprego, podem apoiar esse processo todo. Acho que ninguém pode abrir mão do seu lado de culpa nesse processo. Acho que tem que ter um pouco de solidariedade.  Acho que é esse momento de desenvolver um certo apoio. A gente não pode acabar achando que isso vai ser um momento romantizado, que os trabalhadores vão ter oportunidade de aprender, porque a gente sabe que isso não acontece sem que haja um bom apoio das empresas e do governo. Entram também os sindicatos, as universidades, toda essa rede de formação e de apoio aos trabalhadores e às empresas.

Saúde: Brasil tem 22,1 mil casos de covid-19; mortes chegam a 1,2 mil

Estado de SP concentra o maior número de casos

Publicado em 12/04/2020 – 17:58 Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O Ministério da Saúde divulgou, na tarde de hoje (12), os números atualizados do novo coronavírus. De acordo com a pasta, o número de infectados é de 22.169. Isso representa um aumento de 1.442 casos em relação ao balanço divulgado ontem (11). O número de mortes chegou a 1.223. A taxa de letalidade do vírus vem crescendo no Brasil e chegou a 5,5%.

O estado de São Paulo ainda concentra o maior número tanto de casos (8.755) quanto de mortes (588). O Rio de Janeiro continua sendo o segundo estado com mais registros de contaminação. São 2.855 casos e 170 mortes. Na Região Norte, o Amazonas concentra o maior número de casos, com 1.206 e 62 mortes.

Na Região nordeste, o Ceará se destaca, com 1.676 casos e 74 mortes. No Centro-Oeste, o Distrito Federal tem o maior número de casos, muito à frente dos demais, com 614 casos e 14 mortes. Os estados do Sul do Brasil apresentam um número de casos mais parelho. Santa Catarina é o estado da região com mais casos, 768, e o Rio Grande do Sul é estado com menos, 653. O Paraná tem o maior número de mortes do estado, 30, e 738 casos.

A evolução no número de casos notificados, bem como de mortes, oscila. Da última sexta-feira (10) para ontem (11), 68 novas mortes foram confirmadas. Já de ontem para hoje, foram 99 novas mortes. O pico de evolução de mortes de um dia para o outro foi no dia 9 de abril, que registrou 141 novas mortes em relação ao dia anterior. Em relação aos casos notificados, o pico foi no dia 8 de abril, quando 2.210 novos casos foram confirmados.

Ministério da Saúde antecipa campanha de vacina contra a gripe para 23 de março

Na primeira fase da campanha, com início em 23 de março, também entram trabalhadores de saúde, que estão na linha de frente do atendimento à população. O Dia D será em 9 de maio

O Ministério da Saúde inverteu a ordem de público-alvo da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza. Primeiro, serão vacinados os idosos e os trabalhadores de saúde, que atuam na linha de frente do atendimento à população. A decisão da pasta é mais uma medida de proteção a esses públicos, em especial aos idosos, já que a vacina é uma proteção aos quadros de doenças respiratórias mais comuns, que dependendo da gravidade pode levar a óbito. Outra preocupação é evitar que as pessoas acima de 60 anos, público mais vulnerável ao coronavírus, precise fazer deslocamentos no período esperado de provável circulação do vírus, no país. A primeira fase da campanha começa no dia 23 de março, em todo o Brasil.

A priorização dos idosos nessa primeira etapa, mesmo diante da não eficácia da vacina de Influenza contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para a Covid 19. Além disso, a pasta considera os estudos e dados que apontam que casos mais graves de infecção por coronavírus têm sido registrados em pessoas acima de 60 anos.

“Precisamos proteger os mais vulneráveis e os que estão na linha de frente no atendimento. É importante garantir que essas pessoas tenham acesso à informação para evitar filas nos postos de saúde. Nosso desafio é realizar a campanha com segurança e evitar aglomerações. O Programa Nacional de Imunizações do Brasil (PNI) está preparado”, explicou o secretário em Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira.

Do ponto de vista epidemiológico, as crianças são consideradas multiplicadoras de vírus respiratórios e, por isso, o PNI distanciou um público do outro. Serão duas semanas de intervalo entre uma fase e outra. Na segunda fase da campanha, que começa dia 16 de abril, entram os professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, além dos doentes crônicos.

A partir de 9 de maio, Dia D de vacinação, serão vacinadas as crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), pessoas com mais de 55 anos, gestantes, mães no pós-parto (até 45 dias após o parto), população indígena e portadores de condições especiais. A campanha seguirá até o dia 23 de maio.

PRODUÇÃO ANTECIPADA

Para a campanha nacional, o Insitututo Butantan está produzindo 75 milhões de doses que previne contra os três tipos de vírus de influenza que mais circularam no ano anterior. Historicamente a campanha de vacinação contra gripe (Influenza) acontecia na segunda quinzena de abril, mas será realizada com antecedência, pelo momento que o mundo passa no combate ao coronavírus e em virtude da sequência de confirmação de casos no país. A antecipação foi possível por meio de esforço conjunto do Ministério da Saúde, do Instituto Butantan, produtor da vacina, e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diante da situação de Emergência Internacional de Saúde Pública pelo coronavírus.

Ao anunciar as medidas na última sexta-feira (6), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, aproveitou para destacar que “as influenzas A e B são mais comuns que o coronavírus e a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe diminui a situação endêmica dos vírus respiratórios no país, por isso é tão importante que as pessoas que fazem parte do público-alvo da campanha procurem uma unidade de saúde”, concluiu.

CASOS DE INFLUENZA NO BRASIL

O Ministério da Saúde mantém a vigilância da influenza no Brasil por meio da vigilância sentinela de Síndrome Gripal (SG) e de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em pacientes hospitalizados. São 114 unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus respiratórios circulantes, permitir o monitoramento da demanda de atendimento dos casos hospitalizados e óbitos.

Os dados colhidos orientam a tomada de decisão em situações que requeiram novos posicionamentos do Ministério da Saúde e Secretarias de Saúde Estaduais e Municipais.

Em 2020, até a Semana Epidemiológica 9 (29 de fevereiro), foram registrados 90 casos de influenza A (H1N1) pdm09 e 6 óbitos no Brasil. O estado de São Paulo concentra o maior número de casos de H1N1, com 28 notificações. Em seguida estão o estado da Bahia, com 14 casos, e o estado do Paraná, com 12 casos e 5 óbitos. O sexto óbito foi registrado no estado do Maranhão, que registrou 1 caso. As informações são preliminares e sujeitas a alterações. No mesmo período, em 2019, foram registrados 146 casos de influenza A (H1N1)pdm09 e 24 óbitos no país.

Por Vanessa Aquino, da Agência SaúdeAtendimento à imprensa

Fechamento do hospital Ruy Pereira reduz leitos e aumenta superlotação

Na última terça-feira (18), o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), informou que já está transferindo pacientes do Hospital Ruy Pereira para fechar até o final de março a unidade hospitalar. Segundo a secretaria, os leitos serão transferidos para os hospitais da Polícia e o anexo do João Machado, em três etapas de forma gradativa.  

Ainda, de acordo com a Sesap, a população não terá prejuízo, pois “não haverá descontinuidade da assistência durante o processo”. No entanto, nós do Sindsaúde RN acreditamos que essa medida irá gerar impacto na redução de leitos na saúde do Rio Grande do Norte. O remanejamento dos leitos não será de forma imediata. Dessa forma, o governo Fátima  repete a política de desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) e fechando o único hospital referência em cirurgias vasculares e no atendimento de pessoas em tratamento com diabetes.   

Até quando a saúde continuará sendo tratada com descaso? 

Infelizmente, a política de fechamento de hospitais vem sendo preparada nos últimos anos. O descaso com a saúde pública não é de hoje, ocorreu no governo Rosalba Ciarlini, no governo Robinson Faria e agora, Fátima Bezerra dá continuidade, com o fechamento do hospital de Canguaretama em julho de 2019 e agora, o hospital Ruy Pereira.  

Enquanto isso, a saúde permanece abandonada. O pouco que se investe é resultado de decisões judiciais. Os governos vêm construindo um cenário de precariedade para justificar os fechamentos e a privatização dos serviços públicos.  

Diante de mais uma decisão de fechamento, a população é obrigada a buscar atendimento nos hospitais que já são superlotados da capital  metropolitana. Além disso, falta profissionais de saúde para atender a demanda, ocasionando uma sobrecarga da trabalho e gerando adoecimento. No anexo do hospital João Machado, por exemplo, onde receberá leitos do Ruy Pereira, há um déficit de enfermeiros. A escala  da enfermagem não fecha e em alguns dias, técnicos de enfermagem trabalham sem a supervisão desses profissionais. 

Sindsaúde RN

Servidores do Walfredo enfrentam falta de alimentação e corredores lotados

Os servidores do Hospital Walfredo Gurgel estão há 5 dias sem alimentação devido à greve dos terceirizados. Além de estarem com salários defasados e atrasados, o servidores têm de tirar do próprio bolso para se alimentar.

Além disso, os pacientes do Hospital estão esperando por cirurgias nos corredores. Há pacientes nos corredores das enfermarias no 2º, 3º e 4º andares. Segundo a diretora do Sindsaúde e servidora do Walfredo Gurgel Elizabreth Teixeira, a gestão está tentando mascarar o caos no Hospital. “Estão tirando os pacientes do andar de baixo e levando para cima. A direção quer passar uma imagem bonita da desordem aqui no Walfredo”, disse.

Na semana passada, registramos 96 pacientes internados nos corredores do Hospital. A equipe contava apenas com 8 técnicos de enfermagem.

A superlotação no Walfredo Gurgel é recorrente. Não há leitos suficientes no Estado. Para piorar, o hospital de Canguaretama foi fechado no ano passado e o Rui Pereira sofre ameaça de fechamento.

A estrutura do Hospital também é frágil. Faltam medicamentos básicos, os servidores estão sobrecarregados e o déficit de profissionais é alto. As más condições de trabalho acabam comprometendo a saúde mental dos trabalhadores.

Informações Sindsaúde RN

Um em cada seis homens tem câncer de próstata no Brasil, alerta Inca

Doença mata 14 mil brasileiros por ano

Publicado em 15/11/2019 – 17:42

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil São Paulo

Rio de Janeiro -  O Inca e o Ministério da Saúde inauguram, no Hospital do Câncer II, o primeiro Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata da rede pública do Rio de Janeiro (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Um em cada seis homens tem câncer de próstata no Brasil, doença que é a segunda principal causa de morte por câncer de pessoas do sexo masculino no país – cerca de 14 mil óbitos por ano. Os dados, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), servem de alerta para que os homens não deixem a saúde de lado. Apesar do alto índice da doença, o levantamento mostra que metade dos brasileiros nunca foram a um urologista.

“Infelizmente ainda há muito bloqueio por parte do público masculino em relação ao exame do toque retal. Felizmente, isso tem melhorado um pouco ao longo dos anos. Associado a esse tabu, de ser um exame um pouco mais evasivo, de mexer com a parte da sexualidade masculina, o homem acaba ficando com um pouco mais de receio de ir ao médico”, ressalta Felipe Costa, médico urologista do Hospital do Homem, na capital paulista.

Próstata

Próstata aumentada – Divulgação/Sociedade Brasileira de Urologia

O câncer de próstata, assim como a pressão alta e o diabetes, é silencioso. De acordo com o médico, a única forma segura de se precaver em relação à doença é a consulta clínica. Homens a partir dos 50 anos devem realizar o exame anualmente.

“Há grupos com fator de risco maior para o câncer de próstata: são os negros e aqueles indivíduos que têm história na família com câncer de próstata abaixo dos 60 anos. Para essas pessoas, a partir dos 40 ou 45 anos, eles já devem ter um acompanhamento direcionado para diagnosticar a doença”, ressalta o médico.

Doença lenta

O câncer de próstata, na maioria dos casos, cresce lentamente, não causa sintomas e, no início, pode ser tratado com bastante eficácia. Em outros casos, no entanto, pode crescer rapidamente, espalhar-se para outros órgãos e causar a morte.

“O exame é extremamente rápido, é feito com anestésico local, de uma forma que provoque menos incômodo para a pessoa. Ainda hoje é uma das formas mais seguras e eficientes que a gente tem para poder diagnosticar o câncer de próstata na forma mais inicial”, destaca o médico.

Além do exame preventivo, os médicos recomendam que sejam evitados outros fatores, já conhecidos facilitadores da doença, como alimentação pobre em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais; sedentarismo, consumo de álcool e tabaco.

Segundo o Ministério da Saúde, estimativas apontam que ocorreram 68.220 novos casos da doença em 2018. Esse número corresponde a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens.

A próstata é uma glândula presente apenas nos homens, localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra (canal por onde passa a urina). A próstata não é responsável pela ereção nem pelo orgasmo. Sua função é produzir um líquido que compõe parte do sêmen, que nutre e protege os espermatozoides. Em homens jovens, a próstata possui o tamanho de uma ameixa, mas seu tamanho aumenta com o avançar da idade.   

Edição: Wellton MáximoTags: Novembro Azulcâncer de próstatapróstataIncalevantamento

Médicos ignoram queixas de cólicas, e diagnóstico de endometriose demora

Novo presidente de sociedade médica sobre o tema diz que menstruar com dor não deveria ser parte do universo feminino

8.nov.2019 às 14h00 Marcella Franco SÃO PAULO

A ideia de que sofrer com cólicas fortes é normal está tão arraigada no imaginário humano que, por causa dela, todos os anos milhares de mulheres deixam de descobrir que têm uma doença potencialmente grave: a endometriose.

No mundo, uma a cada dez mulheres sofre com este problema, que causa dores abdominais por vezes incapacitantes, e nos casos mais avançados, a obstrução de órgãos.

O desconforto no sexo também é um dos principais sintomas. Um estudo recente realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) mostra que a frequência de relações sexuais e de satisfação nelas é ao menos 30% menor nas mulheres com endometriose do que naquelas sem a doença.

Quem conduziu essa e outras pesquisas foi o professor Eduardo Schor, mestre, doutor e coordenador do Setor de Endometriose do Departamento de Ginecologia da Unifesp. Schor foi eleito Presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), e vai tomar posse em janeiro de 2020.

“No Brasil, 50% das mulheres com endometriose têm algum grau de depressão. Essa mulher sente dor e todo o mundo acha que é frescura. Às vezes, ela chega a perder o emprego. Temos que estar atentos”, diz.

Para ele, um dos principais problemas da endometriose no país é a demora no diagnóstico pela falta de conhecimento.

Se nos consultórios sobra desinformação, na internet não são raros supostos especialistas oferecendo tratamentos milagrosos, e até mesmo questionando o trabalho da própria SBE. Schor alerta para o risco:

“Não escolha seu médico pela quantidade de seguidores que ele tem nas redes sociais”.

Por que estão aumentando os casos de endometriose no Brasil?

Na verdade, a gente não sabe se estão aumentando. Temos feito muito mais diagnósticos, e temos muito mais conhecimento sobre a doença. Então não sabemos se a doença está realmente aumentando ou se a gente está reconhecendo-a mais.

Há pessoas que chamam de “a doença da mulher moderna”. Essa doença não existia antigamente?

Temos registros dessa doença desde por volta de 1800. As pessoas começaram a chamar de “doença da mulher moderna” porque as novas gerações são diferentes da geração das nossas avós, que até podiam ter endometriose, mas, como tinham filho cedo, o pouquinho de doença desaparecia com a gravidez. Hoje, como as mulheres têm o primeiro filho depois dos 35, ficam expostas por mais tempo à menstruação. Essa seria uma hipótese.

Mas há fatores da vida da mulher moderna que poderiam influenciar no desenvolvimento da doença?

Achamos que sim. Vemos aumento de endometriose e de doenças que dependem de estrogênio, como o câncer de mama em mulheres jovens, e miomas. Então a gente acredita que tem alguma coisa acontecendo, mas ninguém descobriu o que é.

Quanto tempo em média uma mulher demora para conseguir o diagnóstico correto de endometriose?

Um estudo recente que fizemos na Unifesp diz que são 61 meses entre o primeiro sintoma e o diagnóstico. A mulher fica sem tratamento nenhum por cinco anos e, quando consegue o diagnóstico, a doença já está avançada. Aí resposta ao tratamento medicamentoso é mais difícil, e a gente acaba pendendo mais para a cirurgia.

Por que essa demora?

Primeiro pelo desconhecimento da população leiga dos principais sintomas da doença e pela desvalorização da cólica pela classe médica. É superfrequente eu receber mulheres que estão se queixando de cólica há cinco anos e os médicos falam que não é nada, que é normal. Existe um consenso de que menstruar com dor faz parte do universo feminino. Muitas vezes a mulher reclama e o médico não dá bola.

Entre os exames mais pedidos pelos ginecologistas está o ultrassom. A endometriose aparece no ultrassom?

No ultrassom convencional, a endometriose não aparece, nem mesmo nos casos mais avançados. Só quando a doença está no ovário. É preciso fazer um ultrassom especializado para detecção da doença, com preparo intestinal, ou a ressonância magnética. Só que, quando a doença aparece nesses exames, ela também já aparece no meu exame de toque em uma consulta ginecológica. Ou seja, ela está avançada. A única ferramenta que a gente tem para a detecção precoce é uma boa consulta médica.

Então estamos lidando com maus médicos?

Temos certamente muitos médicos que não prestam atenção na endometriose.

Dor no sexo é um sintoma só dos casos mais avançados?

Não. Tanto essa dor quanto a cólica são progressivos e vão aumentando com o avanço da doença. Começa com um desconforto na profundidade e vai piorando ao ponto de se ter aversão à relação sexual. Avaliamos a qualidade de vida de algumas pacientes na Unifesp perguntando sobre questões como orgasmo e expressão de sensualidade. Quando comparamos esses resultados com as mulheres sem nenhuma doença, os parâmetros são muito inferiores. Com toda justificativa: o cérebro humano nos fazer evitar as coisas que doem. Vemos uma série de problemas conjugais porque a maioria dos homens não entende e acha que a mulher não quer transar porque perdeu o tesão nele ou arrumou outro.

O que de pior pode acontecer com uma mulher que tem endometriose grave?

Obstrução de ureter, com o risco de perder os rins, e obstrução de intestino. Mas o mais comum são anos de baixa qualidade de vida. O problema é que são poucos os centros que fazem o tratamento. Na Unifesp, por exemplo, a espera é de cinco a seis anos para uma paciente ser operada.

Como se decide se é preciso operar?

É preciso não responder ao tratamento medicamentoso, e aí não sou eu quem decide a cirurgia, mas, sim, a paciente, que se cansa da dor. Outra situação é quando ela está tomando pílula e não tem dor, mas a doença continua avançando, ou quando há a obstrução de algum órgão.

Em quais casos se cogita retirar o útero e os ovários de uma mulher com endometriose?

Se você perguntar para mim qual a cirurgia ideal da endometriose, a resposta é tirar o útero, o ovário e a doença. Só que eu não devo fazer isso. A expectativa da mulher hoje é de mais de 80 anos, então as consequências de tirar o ovário de uma jovem de 35 ou 40 anos são 40 anos de menopausa. Isso significa doenças cardiovasculares, fraturas ósseas, qualidade de vida e de sexo ruins. Se eu tiro o útero dela, a vida dela continua igual, e eu só acabo com a possibilidade de gravidez. Se eu tirar o ovário, não, porque a consequência da falta hormonal é muito maior. O ovário estimula o endométrio, mas ele não é a causa da endometriose, e sim o que alimenta a doença.

Operar cura a doença?

Não. Toda vez que eu vou operar uma mulher, ela me pergunta no final da consulta se a doença pode voltar. E sempre pode. Temos uma média de 30% de recidivas em cinco anos.

Toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar?

Não. Geralmente isso acontece, mas algumas engravidam sem problemas, mesmo com a doença. É óbvio que, quanto mais doença tiver, mais dificuldade vai ter.

O que precisa acontecer para mudar o panorama das pacientes de endometriose no Brasil?

Primeiro, uma maior conscientização dos médicos. A Sociedade Brasileira de Endometriose está saindo país afora para dar o primeiro passo, que é alertar sobre a doença. Também queremos instrumentalizar os médicos a fazer o diagnóstico correto e a tratar direito a doença. Temos o Clube da Endometriose, uma reunião transmitida pelo Facebook, onde a diretoria responde perguntas, e, com o apoio da indústria, fazemos as Endotrips, que são cirurgias de endometriose avançada em São Paulo e transmitidas para outra cidade, com alguém da diretoria comentando para os médicos. A sociedade não cobra anuidade, então a única fonte de renda que temos são os eventos.

DIA D de vacinação contra sarampo será neste sábado (19/10)

Durante todo o dia, as 41,9 mil unidades de saúde de todo o país vão estar abertos para atender crianças de 6 meses a menores de 5 anos, público-alvo da primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra sarampo

Os postos de vacinação de todo o país estarão abertos neste sábado (19/10) para o dia “D” de mobilização nacional contra o sarampo. Até o dia 25 de outubro, quando encerra a primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra sarampo, devem ser vacinadas, 2,6 milhões de crianças de 6 meses a menores de 5 anos. O dia de mobilização é uma parceria do Ministério da Saúde com as secretarias estaduais e municipais de saúde e tem como objetivo reforçar a importância da vacinação desse grupo prioritário, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Como programação do Dia D, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, irá visitar, neste sábado, o Centro de Saúde I ‘Dr. Victor Araújo Homem de Mello’ de Pinheiros, em São Paulo.

As crianças são mais suscetíveis às complicações da doença, que podem evoluir para óbito. Nos últimos 90 dias, foram confirmados 13 óbitos pela doença no Brasil, sendo sete óbitos (53,8%) em menores de cinco anos de idade, dois (15,4%) na faixa etária de 20 a 39 anos e quatro (30,8%) em adultos maiores de 40 anos. As crianças menores de um ano apresentam incidência de 106,1/100.000 habitantes, número 12 vezes superior ao registrado na população geral (8,5/100.000), seguido pelas crianças de 1 a 4 anos (23,8/100.00), o que confirma essas faixas etárias como as mais suscetíveis a complicações e óbitos por sarampo.

Ainda de acordo com o último boletim epidemiológico de sarampo, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou, nos últimos 90 dias, 6.192 casos confirmados de sarampo, o que corresponde a aumento de 15% em relação ao período de monitoramento anterior. Vinte estados estão na lista de transmissão ativa da doença e 96% dos casos confirmados estão concentrados no estado de São Paulo, em 192 municípios

Para viabilizar o ‘Dia D’, além de manter a vacina de rotina nos postos de saúde e fazer bloqueio vacinal, o Ministério da Saúde adquiriu este ano 60,2 milhões de doses da vacina tríplice viral, que previne contra sarampo, rubéola e caxumba, representando a maior compra de vacinas contra o sarampo dos últimos 10 anos.

REFORÇO FINANCEIRO

A partir desta sexta-feira (18/10) estão disponíveis R$ 103 milhões, dos R$ 206 milhões, anunciados nesta semana pelo Ministério da Saúde, para que estados e municípios possam ampliar a cobertura vacinal, o controle de surtos e a interrupção da transmissão do sarampo, e outras doenças possíveis de imunização, em todo o país. O quantitativo já foi repassado aos Fundos Municipais de Saúde, de acordo com o tamanho da população de cada município.

A outra parte do recurso (R$ 103 milhões) só será liberada mediante o cumprimento de duas metas pelos estados e municípios: alcançar 95% de cobertura vacinal, da primeira dose da tríplice viral em crianças de 12 meses de idade; e informar o estoque das vacinas de poliomielite, tríplice e pentavalente às Secretarias de Saúde dos Estados e ao Ministério da Saúde.

A apuração das duas metas será realizada a partir de 2 de dezembro de 2019, após o encerramento da segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, em 30 de novembro, sendo o recurso repassado na competência financeira seguinte ao encerramento.

Para alcançar as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, os estados e municípios deverão ampliar e garantir o acesso às ações de vacinação nos serviços da Atenção Primária à Saúde, a partir da implantação dos dez passos essenciais para vacinação, lançado na semana passada pela pasta. Os dez passos consistem em implantar procedimentos operacionais padrão, além de manter atualizada as listas da população-alvo do Calendário Nacional de Vacinação, e realizar a busca ativa dessa população.

CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO

Lançada no início deste mês, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo prioriza dois grupos. O primeiro vai de 7 a 25 de outubro e imuniza crianças de 6 meses a menores de 5 anos, com o dia D de vacinação em 19 de outubro. Já o segundo grupo, previsto para iniciar em 18 de novembro, será direcionada para adultos entre 20 e 29 anos que ainda não atualizaram a caderneta de vacinação.

A meta é vacinar 2,6 milhões de crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões de adultos. Para viabilizar a ação, o Ministério da Saúde garantiu a maior compra de vacinas contra o sarampo dos últimos 10 anos. Ao todo, 60,2 milhões de doses da tríplice viral foram adquiridas para garantir o combate à doença nos municípios.

Por Vanessa Aquino, da Agência Saúde
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