Após lockdown, prefeito de Araraquara sofre ameaças em rede social

As publicações foram feitas depois que o TJ-SP derrubou uma liminar que permitia a abertura do comércio na cidade

Redação 29 de março de 2021 – 11:46

Créditos: EBC

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), registrou boletim de ocorrência no domingo 28 após sofrer ameaças em uma rede social. Publicações feitas no Facebook questionaram o local de moradia do prefeito e ameaçaram sua integridade física.

Créditos: Divulgação / Facebook

As publicações foram feitas depois que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) derrubou uma liminar que permitia a abertura do comércio na cidade no sábado 27.

Araraquara foi a primeira cidade do estado a restringir a circulação de pessoas. No dia 21 de fevereiro foram fechados até serviços essenciais, como supermercados e postos de gasolina, e houve a suspensão do transporte público. Um dia antes da medida, a cidade havia batido recorde diário de casos confirmados, com 248 registros, indicando uma crise hospitalar que chegou a beira do colapso.

No último dia 26, enquanto o estado de São Paulo batia recordes de mortos por Covid-19 em 24 horas, a cidade não registrou nenhum óbito.

Ao deixar o plantão policial, o prefeito afirmou que as ameaças não o intimidam e que não farão com que a prefeitura recue nas suas politicas públicas em defesa da vida no combate à pandemia.

Três pessoas morreram após usarem “kit covid” em São Paulo

Presidente Bolsonaro também divulga o kit com métodos de “tratamento precoce”

Três pessoas morreram em são paulo após usar o kit covid”

Em São Paulo, cerca de cinco pessoas foram hospitalizadas e foram parar na fila de transplante de fígado após usarem medicamentos presentes no “kit covid” . Tal kit inclui a hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes. Além disse, outras três pessoas morreram de hepatite no estado depois do uso dos remédios. As informações foram apuradas pelo jornal Estado de São Paulo.

Apesar de não terem comprovação científica em relação ao combate ao novo coronavírus, os medicamentos são indicados por alguns médicos. O “kit covid” também é divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Quando fazemos os exames no fígado, vemos lesões compatíveis com hepatite medicamentosa. Vemos que esses remédios destruíram os dutos biliares, que é por onde a bile passa para ser eliminada no intestino”, declarou Luiz Carneiro D’Albuquerque, chefe de transplantes de órgãos abdominais do HC-USP e professor da universidade.

“É uma combinação de altas dosagens com a interação de vários medicamentos. A substância desencadeia um processo em que a célula ataca outros células, levando a fibroses, que causam a destruição dos dutos biliares”, ressaltou.

No início do mês de março, a Organização Mundial da Saúde ( OMS ), afirmou que a hidroxicloroquina, por exemplo, não funciona para o tratamento da Covid-19 e ainda pode causar diferentes efeitos nos pacientes. Além disso, o presidente Bolsonaro divulga o “kit covid” como uma forma de “tratamento precoce” contra o novo coronavírus.

“Nós temos uma doença que é desconhecida, com novas cepas, e pessoas estão morrendo. Os médicos têm o direito, ou o dever, de que, no momento que falta um medicamento específico para aquilo com comprovação científica, ele pode usar o que se chama de off label – fora da bula”, disse Bolsonaro, na sexta-feira (19/3), à Rádio Acústica.

“É impressionante, eu converso com muita gente idosa, né? ‘Estou tomando regularmente ivermectina, e eu e minha família, ninguém se contaminou’. Então, parece que ivermectina é preventiva e, quando você contrai, ela serve para curar a doença também”, afirmou.

Saiba mais em: https://agorarn.com.br/ultimas/tres-pessoas-morreram-apos-usarem-kit-covid-em-sao-paulo/ | Agora RN

Repasse do Fundeb em 2021 será de R$ 179 bilhões

Decreto regulamenta procedimentos operacionais do fundo

Publicado em 22/03/2021 – 19:07 Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), deve divulgar, até o final de março, o cronograma de repasses dos recursos da União para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que em 2021 deve totalizar R$ 179 bilhões. A informação foi dada pelo ministro da Educação Milton Ribeiro, durante solenidade que marcou a assinatura, pelo presidente Jair Bolsonaro, do decreto que regulamenta os procedimentos operacionais do novo Fundeb.    

“Até o final do mês de março, o MEC divulgará, por meio do FNDE, os valores por aluno do Fundeb e o cronograma de repasses dos recursos da União para o ano de 2021. Está previsto o repasse aproximado de R$ 179 bilhões por meio do Fundeb, dos quais R$ 19 bilhões referem-se à complementação da União”, afirmou.

O Fundeb foi criado originalmente em 2007 e vigorou até 2020, quando foi restabelecido por meio da Emenda Constitucional nº 108/20, promulgada em agosto, e pela Lei nº 14.113, que entrou em vigor em dezembro do ano passado.  

Composto de 20% da receita de oito impostos estaduais e municipais, como ICMS, ITR e IPVA, e de valores transferidos de impostos federais, o fundo custeou em 2019, por exemplo, cerca de R$ 156,3 bilhões para a rede pública. Com o novo fundo, o Congresso Nacional aumentou a participação da União no financiamento da educação básica. A participação federal passa dos atuais 10% para 23%. O aumento é escalonado. Este ano, o percentual passa para 12%. Em 2022, 15%; em 2023, 17%; em 2024, 19%; em 2025, 21%; e a partir de 2026, 23%.

De acordo com o MEC, dentre os temas regulados pelo decreto, estão a transferência e a gestão dos recursos do fundo, definindo as instituições financeiras responsáveis pela distribuição dos recursos, suas responsabilidades, as formas de repasse e movimentação do dinheiro público.

“Embora a proposta de emenda à constituição que trouxe essas inovações tenha sido aprovada no ano passado, estamos ainda em período de transição. Isso porque nos três primeiros meses há necessidade de os técnicos ajustarem como isso será feito para distribuição dos recursos. Hoje, com a assinatura do decreto, daremos início às medidas operacionais, no âmbito do MEC, do Inep e do FNDE, que permitirão, a partir do mês de abril, o próximo mês, a distribuição dos recursos de acordo com critérios mais condizentes e com o propósito de viabilizar, por meio do Fundeb, uma mudança efetiva na qualidade da educação básica em nosso país”, destacou Milton Ribeiro.

O decreto ainda trata do acompanhamento e do controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo, que serão exercidos, perante os respectivos entes governamentais, no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, pelos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social instituídos especificamente para essa finalidade.

Em outro decreto assinado por Bolsonaro na solenidade, foi instituído o Conselho de Acompanhamento e Controle Social, no âmbito federal, previsto na lei que regulamentou o Fundeb. O texto regulamenta a indicação dos representantes, a duração dos mandatos dos membros do colegiado, a forma de realização do chamamento público, a periodicidade das reuniões, além de fixar as atribuições da Secretaria Executiva do Conselho.

Segundo o MEC, o Conselho exercerá o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição e transferência dos recursos do Fundeb, além de supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual. 

“A proposta apresentada pelo Ministério da Educação possibilita a constituição imediata do Conselho, que virá a se somar a outras instâncias governamentais e não governamentais que atuam no acompanhamento da execução do Fundeb. O diferencial dessa iniciativa, no entanto, consiste em ter em sua composição a representação social, possibilitando a participação de membros da sociedade na supervisão e no controle da implementação de uma política pública. O trabalho desenvolvido pelo Conselho auxiliará o governo no planejamento da distribuição e no controle e acompanhamento da transferência dos recursos do Fundo”, informou a pasta.

Federação suspende rodada do Paulista e adia decisão de ir à Justiça

Estado vive fase emergencial por alta de casos e mortes por covid-19

Publicado em 18/03/2021 – 15:22 Por Lincoln Chaves – Repórter da Rádio Nacional e da TV Brasil – São Paulo

A quinta rodada do Campeonato Paulista, prevista para o fim de semana, está adiada. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (18) pela Federação Paulista de Futebol (FPF) em nota divulgada após uma reunião virtual da entidade com representantes dos clubes da Série A1 (primeira divisão) e dos sindicatos dos Atletas, dos Árbitros e dos Treinadores.

São Paulo está na Fase Emergencial no combate à pandemia do novo coronavírus (covid-19) desde a última segunda-feira (15). Entre as restrições determinadas pelo governo paulista, atendendo a uma recomendação do Ministério Público Estadual, está a suspensão de eventos esportivos coletivos. A FPF contestou a decisão e se reuniu com o poder público e o MP, apresentando um protocolo sanitário mais rigoroso, mas não teve êxito na tentativa de manter a realização dos jogos durante os 15 dias de vigência da fase.

Na última terça-feira (16), federação e clubes informaram que não descartavam acionar a Justiça para garantir a manutenção do calendário, alegando “falta de argumentos científicos e médicos” que sustentem a paralisação. Segundo o comunicado desta quinta, porém, foi decidido “não ingressar neste momento com Mandado de Segurança”.

A FPF vem tentando levar as partidas para fora de São Paulo e chegou a marcar o duelo entre São Bento e Palmeiras – que seria disputado na última quarta-feira (17) – para o estádio Independência, em Belo Horizonte. O governo mineiro, porém, proibiu a realização de eventos de outros locais e o embate foi suspenso. Conforme a nota, a FPF “permanece em contato com autoridades estaduais, municipais, federações e CBF [Confederação Brasileira de Futebol] para tentar viabilizar a realização dos jogos da próxima semana”.

Nesta quinta-feira, a prefeitura da cidade de São Paulo confirmou a primeira morte de uma pessoa com covid-19 (um jovem de 22 anos, que tinha obesidade e apresentava desconforto respiratório) que não conseguiu ser atendida por falta de vagas em unidades de terapia intensiva (UTIs). Só na capital, de acordo com o secretario estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, 88% dos leitos estão ocupados. No estado, nove em cada dez vagas de UTI estão sendo utilizadas em decorrência da pandemia.

Vacinas da AstraZeneca chegam ao Brasil

Voo trazendo imunizante desceu em São Paulo

Publicado em 22/01/2021 – 17:41 Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo
Atualizado em 22/01/2021 – 17:52

O voo procedente da Índia que trouxe 2 milhões de vacinas da AstraZeneca contra a covid-19 ao Brasil chegou por volta das 17h30 no Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos.

Para o recebimento da carga, estão presentes no local os ministros da Saúde Eduardo Pazuello, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e das Comunicações, Fábio Faria. De lá, as vacinas serão encaminhadas para o Rio de Janeiro.

A carga vinda da Índia foi transportada em voo comercial da companhia Emirates. Após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio.

De acordo com a Fiocruz, assim que chegarem à instituição, as vacinas passarão por checagem de qualidade e segurança, além de rotulagem, com etiquetagem das caixas com informações em português.

A previsão é que esse processo seja realizado até manhã de sábado (23) por equipes treinadas em boas práticas de produção. As vacinas devem ser liberadas para distribuição no período da tarde.

Acompanhe ao vivo a transmissão da TV Brasil:

Matéria ampliada às 17h52

Isolamento social em São Paulo é de 57%; índice ideal é de 70%

Informação é do Centro de Contingência do Coronavírus de SP

Publicado em 11/04/2020 – 16:35 Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

O percentual de isolamento social no estado de São Paulo foi de 57% na sexta-feira (10), de acordo com o Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do governo estadual. Na quinta-feira (8), o índice foi de 47%. De acordo com o Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, o médico infectologista David Uip, a adesão ideal para controlar a disseminação da covid-19 é de 70%.

Se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população, de acordo com o governo do estado.

A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento social. O sistema é viabilizado por meio de acordo com as operadoras de telefonia Vivo, Claro, Oi e TIM para que o estado possa consultar informações agregadas sobre deslocamento nos 645 municípios paulistas.

Conforme divulgou o governo do estado, as informações são aglutinadas sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. A partir de segunda-feira (13), o índice de isolamento estará disponível para consulta no portal do Centro de Contingenciamento de Coronavírus.

Paciente morreu 6 dias após apresentar os primeiros sintomas de coronavírus

Homem de 62 anos foi a primeira vitima fatal da doença no país

17.mar.2020 às 15h08 Alana Ambrosio

O primeiro paciente morto por coronavírus no Brasil faleceu em São Paulo seis dias após sentir os primeiros sintomas da doença. Segundo o Governo do Estado, o homem de 62 anos começou a se sentir mal no último dia 10 de março, foi internado no dia 14 e morreu na última segunda-feira (16),

Ele estava sendo tratado no Hospital Sancta Maggiore, no Paraíso (Centro), da rede Prevent Senior, e apresentava outras doenças crônicas pré-existentes, como hipertensão e diabetes. A vítima não havia viajado para o exterior, confirmando a contaminação comunitária.

Outras quatro mortes na rede de hospitais da Prevent Senior estão sendo investigadas como suspeitas de coronavírus.

Pacientes com coronavírus internados em UTI de hospital da Lombardia, na Itália – Piero Cruciatti/AFP

David Uip, coordenador do centro de contingência do coronavírus de São Paulo, afirmou que já eram esperadas mortes e que o ocorrido não muda a forma de combate à pandemia: “O óbito não muda a postura. Temos que trabalhar com os dados, foi uma evolução rápida. Isso já nos diz muito para tratar a doença.”

Cerca de 5% dos infectados com o vírus apresentam quadro de saúde grave, conforme números preliminares passados em coletiva de imprensa nesta terça-feira. A comitiva considera a pandemia no Brasil desde a última sexta-feira (13).

Com os casos confirmados de covid-19, as equipes de saúde estão tendo novas informações sobre o vírus: ainda conforme Uip, o tempo de encubação varia de três a oito dias. Por isso será sugerida para o Ministério da Saúde a redução de quatorze para dez dias o tempo de quarentena para quem apresentar suspeita da doença.

Cerca de 80% dos infectados não precisam de atendimento hospitalar, enquanto 20% dos quadros necessitam de terapia intensiva como consequência da dificuldade respiratória.

O Governo de São Paulo já adotou medidas para tentar conter a doença. Como a suspensão gradual e por tempo indeterminado das aulas na rede de ensino pública e particular e o fechamento de museus, teatros, bibliotecas. Além disso, os funcionários públicos estaduais com mais de 60 anos, com exceção dos que atuam nas áreas de segurança pública e saúde, deverão trabalhar de casa.

Fonte: São Paulo Agora

Silvio Santos vai responder por crime de racismo

“Quando um apresentador, dono de um canal que é uma concessão pública, ratifica e continua perpetuando piadinhas racistas, isso passa a ser um problema no qual encontramos aparato constitucional para enquadrá-lo”, afirmou o deputado estadual Jesus dos Santos (PSOL-SP)

14 DE DEZEMBRO DE 2019, 15H13

Por Redação‌‌‌, Revista Forum

O apresentador Silvio Santos é alvo de representação encaminhada ao Ministério Público que pede que o dono do SBT seja processado por crime de racismo. A motivação é o tratamento dado à cantora Jennyfer Oliveira em seu programa, que foi apontada pela plateia como vencedora de um concurso de calouros, mas foi rejeitada pelo apresentador – que optou por premiar uma cantora branca.

A iniciativa é do deputado estadual Jesus dos Santos (PSOL-SP), integrante da bancada ativista que divide o mandato entre nove pessoas. “Quando um apresentador, dono de um canal que é uma concessão pública, ratifica e continua perpetuando piadinhas racistas, isso passa a ser um problema no qual encontramos aparato constitucional para enquadrá-lo. O crime de racismo é bem nítido quando informa que atos racistas de qualquer forma e grau precisam ser contidos”, disse o parlamentar à jornalista Eligia Aquino Cesar, da Folha.

Segundo a Folha, a representação vou levada ao MP após a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), da qual também participaram a deputada Leci Brandão (PCdoB-SP) e o deputado Luiz Fernando Teixeira (PT-SP).

Durante o ‘Programa Silvio Santos’ da última semana, o apresentador não aceitou uma vitória esmagadora de Jennyfer Oliveira em um concurso de cantoras (ela obteve 84 votos dos 100 possíveis) e optou por premiar a que considerou mais bonita. Jennyfer era a única negra das quatro concorrentes.

Confusão em baile funk termina com oito mortos em Paraisópolis

Policiais de moto perseguindo dupla entraram na festa, que tinha cerca de 5.000 pessoas, e teriam sido recebido com pedradas e garrafadas

Vania Souza, da Agência Record

1/12/2019 às 11h44 (Atualizado em 1/12/2019 às 12h54)

Confusão aconteceu quando policiais de moto entraram em baile funk
Confusão aconteceu quando policiais de moto entraram em baile funk

Um baile funk em Paraisópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, terminou ao menos com oito pessoas mortas, após uma confusão na madrugada deste domingo (1º).

O porta-voz da Polícia Militar, major Emerson Massera, fala em nove mortes, número que não é confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo hospital para onde foram levadas as vítimas.

Segundo a PM, equipes da equipes da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) que perseguiam dois homens em uma moto, que teriam atirado contra os policiais, entraram no baile funk que acontecia dentro da comunidade, por volta das 4h. No local, havia cerca de 5.000 pessoas. 

De acordo com a PM, indivíduos atiraram objetos, como pedras e garrafas nos policiais, que solicitaram reforço à Força Tática. 

Foram usadas bombas de gás para dispersar a multidão e, na correria, dez pessoas foram pisoteadas.

No pronto-socorro do Campo Limpo, para onde foram levadas, médicos constataram a morte de oito delas, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Duas permanecem internadas. 

A Polícia Militar afirmou que vai emitir nota oficial sobre o episódio ainda neste domingo. 

O advogado e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) Ariel de Castro Alves afirma que “aparentemente, foi uma ação desastrosa da PM que gerou tumulto e mortes”.

Manifestantes cobram PEC da segunda instância na Avenida Paulista

Em outras capitais, movimento foi fraco em manifestações contra decisão do Supremo Tribunal Federal

Por Redação Estadão 09 de novembro 2019 às 19h24

Os grupos que lideraram o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) voltaram a se reunir nesse sábado, 9, na Avenida Paulista para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a prisão após condenação em segunda instância. Os manifestantes foram convocados pelo Nas Ruas, Vem Pra Rua (VPR) e Movimento Brasil Livre (MBL), além de outras organizações menores, e ocuparam um trecho entre Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A Polícia Militar não fez estimativa de público.

Estacionado em frente ao Masp, o caminhão do Nas Ruas reuniu os bolsonaristas do PSL, que fizeram um discurso duro contra o STF e atacaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi solto ontem da carceragem da Polícia Federal em Curitiba após o STF derrubar a prisão após condenação em 2° instância. O Nas Ruas e o Vem Pra Rua defendem o impeachment de ministros do STF.

ara a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das fundadoras do Nas Ruas, a liberdade de Lula vai unificar o campo da direita. “A saída do Lula da cadeia vai reforçar a liderança de Bolsonaro no campo da direita. A soltura dele traz de volta o sentimento que nos uniu no impeachment da Dilma”, disse a deputada ao Estado. Em seu discurso, Zambeli falou sobre o processo de expulsão que enfrenta no PSL por se manter leal a Bolsonaro.

Aliado de Bolsonaro, o empresário Luciano Hang, dono da rede lojas Havan, foi um dos mais exaltados oradores no caminhão do Nas Ruas. Ele puxou palavras de ordem ligando Lula á Cuba e atacando a esquerda. “Esse pessoal de vermelho foi treinado em Cuba. Vão para a Cuba que os pariu”, disse Hang ao microfone. O jurista Modesto Carvalhosa também discursou no carro de som e defendeu o impeachment de ministros do STF.

“A soltura do Lula conseguiu unir as pessoas de bem que estavam divididas. A esquerda destruiu o Brasil”, disse Hang. Entre os manifestantes em frente ao caminhão do Nas Ruas se viam faixas em defesa da intervenção militar, exaltando o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro.

Além de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador também registram atos. Na maioria das cidades, houve baixa adesão de manifestantes. Na capital paranaense, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), prometeu pautar proposta que permita a prisão após condenação em segundo grau.

Rio de Janeiro

No Rio, os participantes do protesto se reuniram em torno de um pequeno carro de som e ocuparam menos de um quarteirão da praia de São Conrado, bem em frente ao prédio onde mora o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Muitos deles estavam vestidos de preto em protesto contra o STF. A maioria, no entanto, manteve a tradição do movimento e se vestiu de verde e amarelo.

Mauro Pimentel/AFP

“A decisão do STF foi um golpe, um ato político”, discursou uma das organizadoras do evento, Adriana Balthazar, do Vem Pra Rua/RJ. “Estamos na rua para pedir o fim da impunidade.”

“A gente acordou com uma sensação de ressaca, sabe, dor de cabeça, uma sensação muito ruim”, afirmou o administrador Bruno Miller, de 54 anos, que participava da manifestação ao lado da mulher, a advogada Karen Cabral, de 42 anos. “A gente dá dez passos para frente e cinco para trás, mas o Brasil está mudando, vai mudar.”

Porto Alegre

Em Porto Alegre, centenas de pessoas protestaram na Avenida Goethe, em frente ao Parcão, no bairro Moinhos de Vento, ponto de encontro dos tradicionais grupos de direita. O número oficial de participantes no ato não foi informado pela Polícia Militar.

Com gritos de “a nossa bandeira jamais será vermelha”, os organizadores do protesto, que envolve o MBL e o Vem Pra Rua, alertavam a população afirmando que os “corruptos estão sendo soltos e a impunidade triunfou” – diziam nos auto-falantes sobre um carro de som.

Luciano Nagel/Estadão

Perto dali, sentadas no gramado do parque, a servidora pública Clarissa Carpes, de 45 anos e sua companheira, a empresária Andressa Nardes, de 43, participavam dos protestos com bandeiras do Brasil e uma máscara do ministro da Justiça, Sérgio Moro. “Durante os 13 anos de PT no governo, tive vergonha de ser brasileira, mas agora não tenho mais. O povo está muito mais politizado e informado do que está acontecendo na política”, disse.

Já a empresária Andressa Nardes, de 43 anos, afirmou que “a esquerda já morreu”. “Está desmoralizada”, disse. A maior preocupação da gaúcha é em relação aos partidos políticos do Centrão. “O Centrão é o problema, mas estamos nas ruas para enfrentá-lo”, destacou.

Curitiba

Com gritos de “vagabundos” e “STF vergonha nacional”, manifestantes de Curitiba fizeram um “tomataço” contra fotos dos ministros do STF. A manifestação se reuniu em frente à sede da Justiça Federal.

Hannah Clinton/Estadão

O deputado federal e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Felipe Francischini (PSL-PR) discursou durante o evento e prometeu colocar em pauta na próxima semana a PEC sobre a prisão em segunda instância. “Não aceitaremos baderneiros enfiarem o país no buraco”, disse ao público.

Ao Estado, ele disse que a pressão sobre os deputados é positiva para mostrar o desejo das pessoas. “É uma opinião jurídica mais do que política, mas é importante que os deputados e senadores conheçam a vontade da população, que é a prisão em segunda instância”. Além disso, o deputado contou que planeja colocar em pauta ainda este ano na CCJ a chamada PEC da Bengala, pela redução da idade de aposentadoria dos ministros do STF, e um projeto de lei pelo voto impresso.

Dirigindo-se ao público como “República de Curitiba”, os organizadores fizeram uma oração e pediram apoio à Lava Jato, ao presidente Jair Bolsonaro e aplaudiram as Forças Armadas Brasileiras. Os manifestantantes também exaltaram o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, os procuradores Diogo Castro de Matos e Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, também foi cobrado para se posicionar com relação à prisão em segunda instância.

A consultora imobiliária Gisa Cruz, 35 anos, compareceu à manifestação junto com o irmão, o marido e as filhas de 4 e 11 anos. A mais velha carregava um cartaz com um trecho da Bíblia. “[A prisão em segunda instância] é inaceitável”, diz.

A manifestação começou ao som do hino nacional, que foi tocado mais uma vez após o “tomataço”. Os organizadores colocaram na praça uma placa com as fotos dos seis ministros que votaram contra a prisão em segunda instância e os manifestantes jogaram tomates e gritaram palavras de ordem.

Belo Horizonte

Sem caminhões de som e com menos gente do que em protestos anteriores, na capital mineira os manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul.

O coordenador do Vem pra Rua em Minas, Max Fernandes, classificou a decisão do STF de “grave retrocesso”. Para ele, cabe agora aos parlamentares em Brasília “corrigir” o posicionamento do Supremo. “O Congresso tem o dever moral de aprovar rapidamente uma lei, ou Projeto de Emenda Constitucional (PEC), que corrija imediatamente a decisão do STF”.

Fernandes disse, ainda, que a manifestação deste sábado poderia ser menor pelo fato de um outro protesto ter sido realizado na terça-feira, antes da decisão do STF. Além de Belo Horizonte, estavam previstos para este sábado atos em pelo menos outros 12 municípios de Minas Gerais.

O aposentado Geraldo Teixeira, de 76 anos, mostrava um cartaz com a frase “STF câncer do Brasil”. “Muitas pessoas estão indignadas, mas não mostram que estão indignadas”, ressaltou. Para o administrador de empresas e contador Daniel Maciel, de 37 anos, a decisão do Supremo deixa uma sensação de impunidade. “A prisão tem que ser mais rápida. É assim em outros países. Por que temos que retroceder”?, questionou.

Salvador

Na capital baiana, o protesto convocado pelo MBL teve baixa adesão neste sábado. Cerca de 80 pessoas participaram do ato, realizado no Farol da Barra, cartão-postal da capital baiana.

A manifestação começou por volta das 9h30. Vestidos com camisas da Seleção Brasileira e empunhando bandeiras do Brasil, os manifestantes portavam faixas com a hashtag #PacoteAntiCrimeEuApoio e também em apoio ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Nos discursos, os alvos principais eram os ministros do STF e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solto nesta sexta, 8. Apoiadores do petista que passavam pelo local reagiram com gritos de “Lula Livre”.

Coordenador do MBL na Bahia, Siqueira Júnior justificou o pequeno número de pessoas no protesto com o fato de ele ter sido convocado de “última hora”. Para ele, Lula é o “símbolo maior” da impunidade que estaria sendo chancelada pelo STF. “Lula é um corrupto que está saindo pela porta da frente. Mais tarde, outros criminosos também vão sair pela porta da frente da cadeia. Isso nos indigna”, critica.

Integrante de um movimento de direita na Bahia que defende a volta da monarquia no País, Alexandre Moreira, de 21 anos, diz que foi ao ato para defender o governo de Jair Bolsonaro (PSL). “Setores da mídia e do sistema político brasileiro estão articulando para causar um caos social no Brasil visando a derrubar o governo”, afirma.

Recife

No Recife, a mobilização foi na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul. Manifestantes ocuparam uma quadra da via em caminhada de um quilômetro desde a Padaria Boa Viagem até o Segundo Jardim.

Essa foi a primeira participação da cobradora de ônibus Isabela Regina, de 34 anos, em movimento pró-Bolsonaro. “Estou aqui pela PEC 410 e apoiando o pacote anticrime do (Sérgio) Moro. Viemos hoje não pelo presidente, mas pela nação, para acabar com essa safadeza do STF de ter soltado os bandidos”, disse. A PEC 410, que deve ser votada na Câmara dos Deputados na próxima semana, permite prisão depois de condenação em segunda instância. Já a psicóloga Sheyla Paes, de 40, conta que começou a frequentar protestos em Boa Viagem pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e que, desta vez, se revoltou com decisão do Supremo. “Eu apoio o evento, apoio Bolsonaro, a PEC, a intervenção militar, porque chegou numa situação que é tudo ou nada, não tem meio termo”, enfatizou. Paes acredita que a interpretação da Constituição alterada pela Corte na última quinta-feira beneficia pessoas ricas. “Chegou ao ponto de (o STF) soltar pessoas corruptas. Bandidos, estupradores, assassinos vão ser soltos por advogados. Quem tem grana está solto hoje”. / Roberta Jansen e Pedro Venceslau e Luciano Nagel, Hannah Cliton, Leonardo Augusto, Bruno Luiz e Vinícius Brito, especiais para o Estado