Vitamina D pode reduzir risco de contágio por coronavírus, sugere estudo

Pesquisa mostra que nutriente, ao ajudar a reduzir infecções respiratórias, poderia ainda ser usado no tratamento da covid-19. Pacientes de Turim apresentam alta deficiência desta vitamina.

CORONAVÍRUS | 27.03.2020

Além de tomar sol, pesquisadores recomendam suplementos de vitamina D para suprir escassez

Reprodução

A vitamina D pode ter um papel importante no tratamento e prevenção da covid-19, sugere um estudo da Universidade de Turim divulgado nesta quinta-feira (26/03), que analisou a relação entre a deficiência deste nutriente no corpo e o novo coronavírus.

Coordenado pelo professor Giancarlo Isaia, docente em geriatria e presidente da Academia de Medicina da cidade italiana, e por Enzo Medico, professor de histologia (estudo de tecidos), a pesquisa mostrou que “dados preliminares coletados nos últimos dias em Turim indicam que os pacientes com a covid-19 apresentam uma prevalência muita alta de deficiência de vitamina D”.

Os dados apurados na pesquisa, segundo os dois especialistas, mostraram que a vitamina D tem papel ativo na regulação do sistema imunológico. Outras evidências indicam que o composto tem um efeito “na redução do risco de infecções respiratórias de origem viral, inclusive na do coronavírus”. O elemento também teria capacidade de combater danos pulmonares causados por inflamações.

Ter vitamina D suficiente no organismo também “pode ser necessário para determinar uma maior resistência às infecções de covid-19, (possibilidade) que, apesar de haver menos evidências científicas, pode ser considerada verossímil”, escrevem os pesquisadores.

A falta da molécula no organismo é ainda frequentemente associada a diversas doenças crônicas que podem reduzir a expectativa de vida em idosos, “tanto mais no caso de infecções da covid-19”.

Na Itália, a falta de vitamina D afeta grande parte dos habitantes, especialmente os mais idosos, cujo país tem a segunda maior população do mundo, depois do Japão. Os mais velhos fazem ainda parte do grupo de risco do novo coronavírus. Fortemente a atingida pela pandemia, a Itália já registrou o maior número de mortes do mundo em decorrência da covid-19, mais de 9,1 mil.

Isaia e Medico já submeteram o documento com dados da pesquisa à Academia de Medicina de Turim. No texto, eles recomendam aos médicos que, associada a outras medidas, eles garantam “níveis adequados” de vitamina D na população, “mas sobretudo em pacientes já contagiados, seus familiares, agentes de saúde, idosos frágeis, no público de residências assistenciais, em pessoas em regime de isolamento e em todos aqueles que, por vários motivos, não se expõe adequadamente à luz solar”.

Além disso, os autores dizem que a administração intravenosa da forma ativa da vitamina D, o Calcitriol, também pode ser considerada em pacientes da doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus, com funções respiratórias particularmente comprometidas.

Eles lembram ainda que a carência pode ser compensada, antes de tudo, com exposição das pessoas à luz solar pelo maior tempo possível, “em varandas e terraços, além de ingerir alimentos ricos em vitamina D e tomando preparados farmacêuticos especiais – mas sempre após consulta médica”.

Veja onde encontrar com mais frequência:

1 – Óleo de fígado de bacalhau

Por ser um óleo essencial extraído a partir de fígados de bacalhau do Atlântico, ele concentra bastante quantidade de vitamina D, além da vitamina A e ácido graxo ômega 3.

2 – Bife de fígado

Aproximadamente 100g de bife de fígado provém 42 UI – unidade internacional – de vitamina D, não o bastante, ele é uma boa fonte de ferro.

3 – Gema de ovo

A gema de um ovo grande oferece 37 UI de vitamina D. Fora isso, ovos são excelentes fontes de proteína.

4 – Atum

Aproximadamente 100g de atum enlatado e conservado em água fornece cerca de 154 UI, quase 1/3 da recomendação diária. Já o conservado em óleo oferece ainda mais vitamina D, porém, tem mais gordura.

5 – Sardinha

Este é mais um enlatado que é uma opção para uma rotina mais rica em vitamina D. Apenas duas latas desse peixe oferecem 46 UIs.

6 – Salmão selvagem

O salmão é um dos alimentos mais ricos em vitamina D. Cerca de 100g de salmão enlatado oferece 600 UI de vitamina D a mais do que um indivíduo precisa por dia.

7 – Queijo fortificado

Os tipos de queijo que mais possuem vitamina D são o cheddar, suíço e queijo ricota. O queijo suíço, por exemplo, contém cerca de 6 UIs. Já um copo de ricota oferece 25 UI. Apesar disso, é necessário atentar-se ao teor de gordura que eles também carregam.

8 – Cogumelos

Os cogumelos que mais possuem vitamina D são os que estão mais expostos à luz solar, consequentemente são os mais benéficos, como: shimeji, shitake, champignon, portobello e funghi. Por isso, é importante atentar-se às marcas que priorizam esse cultivo.

O cogumelo também pode ser uma opção para estabilizar o nível da vitamina no organismo de pessoas veganas, que não consomem alimentos de origem animal, contendo cerca de 400 UI de vitamina D em 100g.

9 – Ostra

Não é um alimento tão comum no dia a dia, mas também ajuda a aumentar a vitamina D no corpo, além de conter ferro, potássio e outras vitaminas como B e C.

10 – Leite fortificado

O leite reduzido em gorduras pode ser um alimento rico em vitamina D. Cerca de 200ml de leite enriquecido com vitamina D supre quase 50% da recomendação da quantidade da vitamina necessária por dia.

Não é preciso lembrar, mas não custa dizer que os raios solares são a melhor e mais fácil fórmula para absorção de vitamina D. O tempo médio de exposição ao sol para pessoas de pele clara é de 15 a 20 minutos, três vezes por semana. Já para quem tem a pele mais escura, é indicado um tempo de 3 a 5 vezes maior para sintetizar a mesma quantidade de vitamina D que as pessoas de pele clara.

O melhor horário para que haja sintetização da vitamina D pelo organismo é das 10h às 15h, devido ao ângulo das incidências de raios solares.

Deutsche Welle Brasil

Covid-19: hospital Albert Einstein confirma pesquisa com cloroquina

Brasil 21.03.2020 17:06

Em nota à imprensa, o hospital Albert Einstein confirmou neste sábado que vai iniciar uma pesquisa sobre a eficácia da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus.

Como publicamos mais cedo, Jair Bolsonaro citou o uso da droga e pediu que o laboratório do Exército ampliasse a produção da substância.

“A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein prepara um protocolo de pesquisa para testes sobre a eficácia do medicamento hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19″, diz o comunicado do hospital.

O Antagonista

Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do coronavírus identificado no País

Apenas 48 horas depois da identificação do primeiro caso nacional da doença, cientistas do Instituto Adolfo Lutz, da USP e da Universidade de Oxford conseguiram decifrar o vírus que chegou no Brasil

Coronavírus visto de uma imagem de microscópio Foto: National Institutes of Health (NIH)

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo – 28 de fevereiro de 2020 | 18h42

SÃO PAULO – Em apenas 48 horas desde a confirmação do primeiro caso brasileiro de infecção pelo novo coronavírus, pesquisadores brasileiros conseguiram sequenciar o genoma do vírus que chegou ao País. Acompanhe as últimas notícias sobre o coronavírus em tempo real.

O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford. Eles fazem parte de um projeto chamado Cadde, apoiado pela Fapesp e pelo Medical Research Centers, do Reino Unido, que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real.

Coronavírus
Coronavírus visto de uma imagem de microscópio Foto: National Institutes of Health (NIH)

Conhecer os genomas completos do vírus, que recebeu o nome de SARS-CoV-2, nos vários locais onde ele aparece, é importante para  compreender como se dá sua dispersão e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença. Isso pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e de tratamentos.

A amostra, retirada do paciente de 61 anos de São Paulo, que tinha passado quase duas semanas na região da Lombardia, a mais afetada da Itália, confirma que ela veio da Europa. É geneticamente parecida com a de um genoma sequenciado na Alemanha. 

Pesquisadores italianos já isolaram o vírus que circula no país, mas não depositaram ainda o sequenciamento do genoma em nenhum banco público para comparação.

“Uma sequência só não revela muita coisa, mas a importância é mostrar que rapidamente somos capazes de fazer e colocar isso à disposição de outros cientistas do mundo. Quanto mais genomas tivermos, mais podemos entender como a epidemia vai evoluindo no mundo. Por isso precisamos ter isso muito rapidamente”, explicou ao Estado a pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical.

Em média, no resto do mundo, os grupos de pesquisa estão levando cerca de 15 dias para conseguir fazer o sequenciamento. O projeto brasileiro foi lançado justamente com o objetivo de agilizar esse processo, para ajudar a fornecer informações com mais rapidez.

“Temos trabalhado para desenvolver uma tecnologia rápida e barata. Todos os casos que forem confirmados no Adolfo Lutz serão sequenciados. A ideia é fornecer informações que possam ser usada para entender a epidemia em curso, para que outros cientistas possam comparar os dados. Essa cadeia de informação de todo mundo junto é importante para o mundo poder responder à epidemia”, diz.

Segundo ela, há pequenas mutações, mas a taxa de variação deste vírus é até baixa. 

Novo tratamento para diabetes mellitus tipo 1

Por Marcos Neves Jr.

Com números preocupantes, o diabetes é uma das principais causas de morte por doença no Brasil, ocupando a quarta colocação em documento divulgado pelo Ministério da Saúde em 2018. Dados internacionais também indicam a necessidade de um cuidado maior nesse sentido.

Em um atlas publicado pela International Diabetes Federation (IDF – sigla em inglês para Federação Internacional do Diabetes), o país é o 4º colocado entre os dez países do mundo com mais indivíduos diabéticos, sendo cerca de 12,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença.

Estima-se que 5 a 10% desse total sejam afetados pelo diabetes mellitus tipo 1, caracterizado pelo ataque do sistema imunológico a células beta, diminuindo drasticamente a capacidade do organismo de liberar insulina. Tal processo faz com que a glicose fique concentrada no sangue em vez de gerar energia. Em geral, aparece na infância ou na adolescência, embora também possa ser diagnosticada na fase adulta.

Tradicionalmente, a doença é tratada com o uso da insulina, mas nem sempre esse método é suficientemente eficaz. Por isso, um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) busca propor um novo tratamento para o diabetes mellitus tipo 1 e as complicações decorrentes dele.

Intitulada Nanoparticle-incorporated chloroquine as a possible anti-inflammatory therapy in type 1 diabetes mellitus (Cloroquina incorporada a nanopartículas como possível terapia anti-inflamatória no diabetes mellitus tipo 1, em tradução livre), a pesquisa tem encontrado resultados muito satisfatórios ao submeter células diabéticas in vitro a um novo tratamento com cloroquina.

Pesquisa liderada pela professora Adriana Rezende demonstra eficácia no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 – Foto: Jefferson Tafarel

“Concluímos que a cloroquina diminuiu a inflamação nessas células e que pode, no futuro, reduzir as complicações que o diabetes mellitus muitas vezes causa nos pacientes”, explica Renato Ferreira, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, um dos autores do trabalho.

Testes

Para chegar a essa conclusão, houve cooperação de diversos setores. A unidade de endocrinologia pediátrica do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), sob responsabilidade do professor e médico endocrinologista Ricardo Arrais, recrutou 25 crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos de idade com diabetes mellitus tipo 1. Em seguida, o Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas fez, coordenado pela professora Paula
Lima Machado, a cultura das células desses pacientes.

Então, os pesquisadores serviram a cloroquina incorporada às nanopartículas em células primárias e verificaram se isso reduzia ou não o perfil inflamatório. “Muitos trabalhos usam células não primárias já diabéticas ou de outros órgãos que não são de pacientes diabéticos. Suplementam, causam a inflamação e veem a ação da cloroquina. Mas um estudo com células dos próprios pacientes é inédito”, afirma Renato.

Aproveitamento da substância é potencializado pela tecnologia das nanopartículas – Foto: Jefferson Tafarel

As nanopartículas utilizadas no estudo foram formuladas no Laboratório de Tecnologia e Biotecnologia Farmacêutica da Faculdade de Farmácia (Tecbiofar), pelo professor Arnóbio Silva Junior. Segundo Renato, o aproveitamento da substância é potencializado pela tecnologia. “O uso desse fármaco incorporado nas nanopartículas aumenta a sua biodisponibilidade, melhorando a resposta farmacológica e reduzindo o aparecimento de efeitos adversos”, esclarece o pesquisador.

O que é e por que a cloroquina?

Descoberta em 1934 por Hans Andersag nos laboratórios da farmacêutica alemã Bayer, a cloroquina é mais conhecida por ser utilizada no tratamento da malária. Outras aplicações comuns do medicamento são para casos de lúpus e artrite reumatóide. Mas o que levou os pesquisadores a testar a substância em pacientes diabéticos?

De acordo com Adriana Rezende, orientadora de Renato Ferreira no doutorado e professora do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, na Faculdade de Farmácia da UFRN, as propriedades anti-inflamatórias da cloroquina poderiam auxiliar no controle da produção de citocinas que levam a complicações precoces em pacientes com diabetes. Assim, com a diminuição das inflamações, tais efeitos como perda de visão, distúrbios na função renal, insuficiência cardíaca e, em situações vasculares mais extremas, amputações de membros inferiores seriam retardadas.

“Tudo isso acontece por um processo de estado hiperglicêmico que gera essa inflamação. O controle desses mecanismos, evitando a hiperglicemia e a inflamação, repercute em um quadro mais tardio no desenvolvimento dessas complicações que levam a comorbidades e até ao óbito, que não acontece pelo diabetes, mas por essas complicações”, explica a professora.

Em experiências recentes, a cloroquina também ofereceu boas respostas para outras doenças, o que inspirou, de certa forma, a pesquisa. Orientado no pós-doutorado por Adriana Rezende, o professor Kleber Silva Farias, do Centro de Educação e Saúde da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), já fez estudos aplicando a substância no tratamento da dengue.

“Fizemos dois grupos controle. A um aplicamos cloroquina e ao outro, placebo. Com isso, observamos que os pacientes que tinham dengue apresentaram melhora nos sintomas. Se já funciona com outros pacientes, por que não com os diabéticos?”, relata o professor Kleber, um dos autores da proposta que originou a pesquisa e alcançou o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo Edital Universal 2014.

Prêmio Procópio do Vale

Ainda que, na avaliação dos pesquisadores, o valor desse financiamento seja abaixo do ideal, destaca-se o bom aproveitamento dos recursos no estudo. Além de resultados práticos que indicam uma iminente melhora na qualidade de vida de pacientes com diabetes mellitus tipo 1, o trabalho tem alcançado reconhecimentos importantes.

Testes foram feitos com células dos próprios pacientes – Foto: Jefferson Tafarel

No mais recente congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a pesquisa foi contemplada com o Prêmio Procópio do Vale, destinado ao melhor trabalho de tecnologia em diabetes. O estudo foi o destaque entre outros 300, dos quais apenas cinco chegaram à final. “Trabalhamos com duas áreas muito caras: cultura de célula e biologia molecular. Sermos premiados com um trabalho que não é simples, mas é feito com pouco recurso [R$ 30 mil], significa que com mais investimentos é possível chegar a algo ainda maior”, ressalta Renato.

Já Adriana Rezende entende que um prêmio desse porte marca o posicionamento da pesquisa desenvolvida na Universidade. “Torna a instituição uma referência. Nós estávamos em um congresso internacional, com palestrantes externos, os melhores endocrinologistas do país e representantes de outras partes do mundo. Uma premiação nesse meio é um reflexo da competência e da competitividade que a UFRN hoje representa”, afirma a professora.

Enquanto indica ser este apenas o primeiro passo do estudo, Kleber vislumbra uma abertura de caminhos para o desenvolvimento da pesquisa. “Mais à frente, quando submetermos propostas em outros editais, a chance de sermos aprovados é muito maior. Traz um olhar diferente sobre o nosso trabalho”, complementa o pesquisador.

*com informações da UFRN

Bolsonaro empata com Lula no 1° turno; Moro supera com folga o petista

Pesquisa exclusiva VEJA/FSB mostra que o trio Bolsonaro, Lula e Moro dará o tom da disputa de 2022

Por José Benedito da Silva6 dez 2019, 10h39 – Publicado em 6 dez 2019, 06h00

Enquanto Bolsonaro e seu círculo mais próximo lembram fantasmas autoritários enxergando no horizonte a possibilidade de protestos radicais como os que ocorreram nas últimas semanas no Chile (a repetição disso por aqui representa uma miragem, diga-se), Lula saiu da cadeia justamente convocando a população a ir reclamar nas ruas contra o governo. Assim, os dois extremos vão se retroalimentando, tática que parece funcionar entre boa parte dos eleitores, conforme mostra a nova rodada de pesquisa eleitoral VEJA/FSB. Ambos representam as principais forças do momento, à direita e à esquerda. O primeiro levantamento com o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de ele ter deixado a prisão em Curitiba mostra o petista empatado tecnicamente com o candidato da situação no primeiro turno, seja ele o presidente Jair Bolsonaro, seja ele o ministro Sergio Moro (Justiça). Nos dois cenários, Lula tem 29% das intenções de voto, contra 32% dos dois adversários — a margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A pesquisa anterior, feita em outubro, com a inclusão de Lula, ainda preso, apenas em cenário de segundo turno, mostrava que o petista já era a maior ameaça ao bolsonarismo: ele possuía 38%, enquanto Bolsonaro tinha 46%. Na mesma simulação da nova pesquisa, ambos oscilam dentro da margem de erro: 40% para Lula e 45% para Bolsonaro. A polarização espreme os candidatos de centro, que ostentam porcentuais longe de levá-­los ao segundo turno — Ciro Gomes (PDT), Luciano Huck (sem partido), João Amoêdo (Novo) e João Doria (PSDB) chegam a perder para “nenhuma das alternativas” (veja o quadro ao lado). “Essa polarização interessa a Lula e a Bolsonaro, mas não à maior parte da sociedade”, afirma o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, que alerta sobre o risco de uma nova onda de abstenções e votos nulos e brancos caso o cenário persista, a exemplo do que ocorreu em 2018. “Há as polarizações boas, que contribuem para a democracia, que precisa viver um pouco do conflito. Só que existe a polarização de baixa qualidade, e é isso que estamos vivendo”, diz. Para os especialistas, será difícil alterar o quadro, uma vez que o PT lidera a oposição às agendas econômica e política do governo, enquanto o bolsonarismo se fortalece com o enfrentamento com o petismo. “A política é dual, você é contra ou a favor de um projeto. No mundo político, é muito difícil mesmo circular fora de alguma dualidade”, avalia Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

A possibilidade de Fernando Haddad ser de novo o candidato petista, uma vez que Lula continua inelegível em razão da Lei da Ficha Limpa, é uma esperança para outras candidaturas, já que o ex-prefeito tem a maior rejeição: 60% não votariam nele de jeito nenhum — Lula tem 56%. Moro é o que melhor aparece nesse quesito, com 35%, condição que ajuda o ministro a conseguir o feito de empatar numericamente com Bolsonaro no segundo turno e derrotar Lula com vantagem maior que a de seu chefe. Já o presidente é rejeitado por 48% do eleitorado, o que pode não ser empecilho à reeleição, como lembra Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa. “Sempre afirmaram que um candidato com rejeição superior a 40% era inviável. Mas na última eleição Bolsonaro desconstruiu essa tese. Às vésperas do primeiro turno, ele possuía uma rejeição de quase 50%. Um ano depois, o patamar permanece igual, e ele se mantém competitivo”, afirma. Muita água ainda vai rolar até 2022, mas o bolsonarismo e o petismo vão continuar insistindo no mesmo jogo da radicalização, que rende frutos até o momento.

Gasto médio mensal das famílias é 45,3% menor na área rural

Publicado em 04/10/2019 – 10:03

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018 – divulgada hoje (4) pelo IBGE – confirma que a vida é mais cara na área urbana do que na rural. “Por isso, há um nível de despesas mais alto em áreas urbanas do que nas rurais. A despesa média da família na área urbana chega a ser quase o dobro da rural”, disse à Agência Brasil o gerente do estudo, André Martins.

A despesa total média mensal das famílias brasileiras atingiu R$ 4.649,03 no biênio. Na área urbana, o gasto total médio foi de R$ 4.985,39, com aumento de 7,2% em comparação ao valor nacional, enquanto na área rural o valor da despesa atingiu R$ 2.543,15, ou seja, 45,3% inferior ao gasto médio.

O IBGE classifica as despesas em três grupos:  correntes, aumento do ativo e diminuição do passivo. Os gastos correntes concentram o maior percentual de gastos (92,7%) e formam dois grupos: as despesas de consumo, que são os gastos feitos no dia a dia e que correspondem a 81% dos gastos totais; e outras obrigações correntes (impostos, contribuições trabalhistas, serviços bancários, pensões, mesadas e doações).
A sondagem mostra estabilidade nas despesas de consumo em relação à pesquisa 2002/2003, quando representaram 84,2% dos gastos totais.

Mais representativos

Dentro do grupo de despesas de consumo são mais representativos os segmentos de habitação (36,6%), transporte (18,1%) e alimentação (17,5%).

“O transporte, nessa pesquisa, ganhou o segundo lugar. Botou alimentação no terceiro plano”. Juntos, os três segmentos respondem por boa parte das despesas de consumo.

“Os outros setores dividem o que sobra”, afirmou. Assistência à saúde, por exemplo, tem participação de 8% e educação, 4,7%. A assistência à saúde tem participação crescente desde o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef) 1974/1975, quando somava 4,1%.

Na área urbana, a distribuição das despesas de consumo mostra a mesma posição, com habitação na liderança (37,1%), transporte (17,9%) e alimentação (16,9%). Já na área rural, embora habitação se mantenha em primeiro lugar (30,9%), transporte perde a segunda posição (20%) para alimentação, que participa nas despesas de consumo com 23,8%.

O pesquisador lamentou que as despesas de consumo relativas a fumo ainda tenham ficado com participação de 0,5% no estudo 2017/2018. “Eu queria ver 0% de participação, mas não foi ainda desta vez”, disse. No que tange a outras despesas correntes, que “abrangem tudo que você tem que pagar efetivamente, mas não é consumo”, entre os quais impostos, o estudo indica aumento significativo entre o Endef 1974/1975 e o levantamento hoje divulgado, passando de 5,3% para 11,7%.

Alimentação fora de casa

A pesquisa 2002/2003 já havia observado uma participação relevante da alimentação fora do domicílio nos gastos das famílias brasileiras. Analisando as despesas com alimentação, a POF 2017/2018 aponta que um terço desses gastos é dedicado a pagamento de alimentação fora do domicílio.

São produtos que a família compra para consumir fora da moradia. “É um lanche, um jantar no restaurante, um sanduíche, é uma pipoca que adquire no ponto do ônibus”.

Roberto Dourado atende o cliente Atila Dias, no encontro de Food Trucks promovido pelo Ministério do Planejamento (José Cruz/Agência Brasil)
Alimentação fora de casa pesa no orçamento de quem mora nas cidades, revela pesquisa  (Arquivo/José Cruz/Agência Brasil)

Esse fenômeno é mais marcante na área urbana. André Martins acrescentou que essa despesa com alimentação fora de casa veio aumentando ao longo do tempo. Em 2002/2003, tinha participação de 24,1% dos gastos com alimentação; em 2008/2009, 31,1%. Agora, 32,8%.

Na área urbana, esses gastos com alimentação fora de casa evoluíram de 25,7%, em 2002, para 33,9% no estudo divulgado hoje, e com estabilidade ante a pesquisa de 2008 (33,1%). Já na área rural, subiram de 13,1% para 24,%.

Embora a alimentação fora do domicílio tenha ficado estável no Brasil nos últimos anos, o IBGE informou que, em termos regionais, o Nordeste, o Centro-Oeste e o Sul tiveram expansão significativa nesse tipo de gasto, passando de 23,5%, 30,1% e 27,7% na pesquisa anterior para 32,3%, 38% e 31,1%, na atual, respectivamente.

No Sudeste, ao contrário, “deu uma pequena encolhida” (de 37,2% para 34,2%), que pode ser explicada pelo “aperto” provocado pela crise econômica. “Houve uma freada no tipo de alimentação fora de casa porque é mais cara um pouquinho”, disse o pesquisador.

No item alimentação no domicílio, o levantamento atual evidencia que o grupo de produtos compostos de carne, vísceras e pescados segue liderando a despesa média mensal das famílias, com 20,2% do total, com maior peso na Região Norte (27,1%) e menor no Sudeste (18,1%). Esse grupo de produtos indica queda em comparação ao estudo anterior, quando atingiu 21,9% dos gastos.

Produtos associados

Produtos associados ao preparo de refeições, como cereais, leguminosas e oleaginosas, reduziram as despesas de 10,4%, em 2002, para 8%, em 2008, e para 5%, na pesquisa mais recente. “Alguns alimentos básicos (arroz e feijão, por exemplo) têm diminuído participação na alimentação no domicílio, e tem sobrado espaço para produtos associados à alimentação rápida e lanches”.

Um exemplo são os legumes e verduras usados em saladas, que subiram de 3% (em 2002/2003) para 3,6% agora; e frutas, que passaram de 4,2% para 5,2% na mesma comparação. Do mesmo modo, as bebidas e infusões mostraram incremento: de 8,5%, em 2002, para 10,6% em 2017/2018.

“Aquilo que pode estar associado à alimentação rápida não cai; e aquilo que está associado à alimentação formal, no sentido de fazer a comida, tem dado uma diminuída. Você vê que óleo e gorduras diminuem (de 3,4% em 2002/2003 para 1,7% em 2017/2018”, salientou.

André Martins ressaltou, ainda, que 18% das despesas da família são gastos não monetários. Isso significa os produtos obtidos pela família sem que ela precisasse desembolsar dinheiro.

Um exemplo são remédios obtidos gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), citados na parte de assistência à saúde como doação. Considerando o total dos gastos, verifica-se que 15% deles são aquisições que as famílias fizeram sem precisar desembolsar dinheiro.    

Edição: Kleber SampaioTags: IBGEpesquisafamílias

Pesquisa de combustível do PROCON Natal constata aumento nos preços repassados aos consumidores

Pesquisa realizada no dia 06 de maio de 2019 em 70 postos de Natal nas quatro regiões da cidade pelo PROCON NATAL encontrou substancial aumento dos combustíveis pesquisados, sobretudo na gasolina que atingiu um percentual de 8,51%. Em abril, nas refinarias, houve dois aumentos nos dias 23 e 25, de 2,5% e 3,5% respectivamente.

A pesquisa constatou que os preços dos combustíveis seguem tendência crescente dos aumentos nas refinarias e são repassados aos consumidores. No mês de maio, 94,3% dos postos pesquisados repassaram o aumento aos consumidores para a gasolina. Para o Etanol, o percentual foi de 82,9% dos postos pesquisados. Já com relação ao Diesel, 47,1% dos postos repassaram aumento. A diferença entre o maior valor do litro de gasolina comum (R$ 4,999) e o menor preço (R$ 4,629) é de R$ 0,37 por litro.

A gasolina comum mais barata está na região Oeste, que apresentou o menor preço médio dentre as quatro regiões pesquisadas com R$ 4,703. A pesquisa encontrou o menor preço (de R$ 4,620) nos bairros de Cidade Nova e Cidade de Esperança. Já o maior preço da gasolina comum foi constatado na região sul, no com o preço de (R$4,999) nos bairros de Ponta Negra e alto da Candelária, e também o maior preço médio de gasolina encontrado pela pesquisa foi na região sul com (R$ 4,967).

O PROCON NATAL orienta os consumidores a consultarem na íntegra a pesquisa no endereço eletrônicowww.natal.rn.gov.br/procon, e também para que fiquem atentos aos preços, verificando em sua rotina o melhor custo-benefício na hora de abastecer.

Bolsonaro cumpre mais promessas que Dilma e Temer no mesmo período

O G1 vai acompanhar durante quatro anos se o presidente está cumprindo o que prometeu na campanha. Nesta primeira medição no início do governo, 12 das 58 promessas foram cumpridas na totalidade, e 4 parcialmente. As demais estão em andamento ou não foram iniciadas.

Por G1

 

As promessas de Bolsonaro aos 100 dias — Foto: Igor Estrella/G1

As promessas de Bolsonaro aos 100 dias — Foto: Igor Estrella/G1

Em 100 dias, o governo de Jair Bolsonaro cumpriu 1/5 das promessas feitas durante a campanha eleitoral. Dos 58 compromissos firmados no período e que podem claramente ser mensurados, 12 foram cumpridos em sua totalidade, de acordo com levantamento feito pelo G1. Outros quatro foram parcialmente atendidos, e 40 ainda não foram cumpridos. Dois compromissos não têm como ser avaliados no momento.

Essa é a primeira avaliação que o G1 faz das promessas de campanha de Bolsonaro durante os quatro anos de mandato. A ideia é medir até 2022 se o presidente cumpre o que prometeu na campanha para ser eleito.

O projeto “As promessas dos políticos” começou em 2015, com a verificação das promessas da então recém-reeleita presidente Dilma Rousseff. Desde então, o G1 já avaliou promessas de governadores e prefeitos. E agora começa um novo ciclo, com o presidente eleito em 2018. Os novos governadores serão avaliados mais para frente.

Na comparação com os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer em 100 dias de governo, Bolsonaro cumpriu 12 das 58 promessas, Dilma, 5 das 55, e Temer, 3 das 20.

Comparação das promessas de Bolsonaro, Temer e Dilma — Foto: Igor Estrella/G1Comparação das promessas de Bolsonaro, Temer e Dilma — Foto: Igor Estrella/G1

G1 levanta as promessas e separa tudo o que pode ser claramente cobrado e medido ao longo dos mandatos dos políticos. Ou seja, se uma promessa é muito genérica e não pode ser cobrada de forma objetiva, ela não entra no levantamento.

As seguintes promessas foram consideradas:

  • Promessas feitas durante a campanha, ou seja, o que o candidato promete em discursos, entrevistas, planos de governo, enquanto ainda não foi eleito.
  • Promessas entre a eleição e a posse, desde que elas não signifiquem uma redução do que foi prometido na campanha.

Promessas cumpridas

Das 12 promessas cumpridas, quatro são compromissos econômicos assumidos por Bolsonaro. Dois deles se referem a tributos – “Não aumentar impostos” e “Não recriar a CPMF” – e foram cumpridos porque não houve, de fato, aumento de impostos nem a volta da CPMF.

Outra promessa fala em “Reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias”. A redução foi feita para maquinários e equipamentos industriais e para insumos do setor químico nos primeiros 100 dias do governo. Além disso, entrou em vigor em março o acordo de livre comércio de automóveis e veículos comerciais leves entre Brasil e México.

A quarta promessa (“Fazer com que os preços praticados pela Petrobras sigam os mercados internacionais”) também foi cumprida porque a estatal manteve a política de repassar as variações de preços dos combustíveis no mercado internacional, adotando intervalos entre os reajustes e usando mecanismos de hedge.

Há ainda promessas cumpridas que são de cunho administrativo, como o fim do Ministério das Cidades, que foi absorvido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional; a criação do superministério da Economia e a alteração da estrutura federal agropecuária, que envolveu a absorção de estruturas que antes estavam nas pastas do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social e da Casa Civil pelo Ministério da Agricultura , por exemplo.

Outra promessa que envolve a máquina pública é a da diminuição do número de servidores comissionados. O decreto nº 9.725/2019, publicado no dia 13 de março, estabeleceu o corte de 21 mil cargos, funções e gratificações do Executivo. De forma imediata, foram extintos 159 cargos, além de 4.941 funções e 1.487 gratificações.

É possível ver todas as promessas cumpridas e seus andamentos na página especial do projeto.

 

O andamento por área

As promessas de cunho econômico são as mais numerosas entre os compromissos de Bolsonaro levantados pelo G1. As quatro cumpridas e já citadas representam 24% do total (17), mas a maioria (59%) ainda não foi cumprida pela gestão. O Ministério da Economia destaca que a prioridade no momento é a aprovação da reforma da Previdência e que apenas após este momento o governo vai focar em outras propostas, como a reforma tributária e a criação da carteira de trabalho verde e amarela, por exemplo.

Há também um grande número de promessas da área de segurança pública; a maioria ainda não foi cumprida. Das 10 promessas, nove não foram cumpridas e uma foi cumprida parcialmente, a que fala em “reformular o Estatuto do Desarmamento”.

De fato, um decreto assinado por Bolsonaro em janeiro facilitou a posse de armas no país. O texto do decreto permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos de ‘efetiva necessidade’, a serem examinados pela Polícia Federal. Já o porte, que é a autorização para o cidadão sair nas ruas armado, demanda alteração legislativa. Ainda não houve mudança nesse sentido.

Algumas das promessas, como a que fala em “garantir excludente de ilicitude para policiais e civis”, dependem da aprovação do pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, ao Congresso.

Veja o andamento das promessas por cada uma das áreas:

As promessas de Bolsonaro por área — Foto: Igor Estrella e Juliane Souza/ Arte G1
As promessas de Bolsonaro por área — Foto: Igor Estrella e Juliane Souza/ Arte G1

As promessas dos políticos

A primeira página colocada no ar foi a da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015. Houve atualizações de 100 dias e de 1 ano das promessas feitas em campanha. Por conta do impeachment sofrido por Dilma em 2016, a página deixou de ser atualizada.

Na última atualização, feita com 1 ano de mandato, Dilma havia cumprido 6 das 55 promessas selecionadas pelo G1. Outras 24 foram cumpridas em parte. Além disso, 24 não foram cumpridas e uma não foi avaliada.

No caso do ex-presidente Michel Temer, a página levou em conta promessas específicas feitas por ele no documento “Uma ponte para o futuro”, em pronunciamento em maio após o afastamento de Dilma, no discurso de posse em agosto e em entrevista ao Fantástico.

Foram feitas medições aos 100 dias, no 1º ano de mandato, no 2º ano de mandato e ao final da gestão. Ele terminou o mandato com 7 das 20 promessas cumpridas. Três foram cumpridas em parte. As outras 10 não foram cumpridas.

Além dos presidentes, o G1 também acompanha as promessas de campanha dos governadores de todos os estados e do Distrito Federal e de todos os prefeitos das capitais.

Quais são os critérios para medir as promessas?

  • Não cumpriu ainda: quando o que foi prometido não foi realizado e não está valendo/em funcionamento.
  • Em parte: quando a promessa foi cumprida parcialmente, com pendências.
  • Cumpriu: quando a promessa foi totalmente cumprida, sem pendências.

Ou seja, se a promessa é inaugurar uma obra, o status é “cumpriu” apenas se a obra já tiver sido inaugurada; caso contrário, é “não cumpriu”. Se a promessa é construir 10 hospitais e 5 já foram inaugurados, o status é “em parte”. Se a promessa é inaugurar 10 km de uma rodovia e 5 km já foram entregues à população, o status é “em parte”.

Observação: há casos em que não é possível avaliar o andamento da promessa, e o status é dado como “não avaliado”.

Governo Fátima Bezerra é desaprovado pela população da Zona Norte, mas ganha “crédito de confiança” da classe média da Zona Leste de Natal

A pesquisa TN/Consult, divulgada neste sábado pelo jornal Tribuna do Norte, traz um cenário que merece uma análise especial: é justamente na Zona Norte de Natal, área onde habita expressiva parcela da população de baixa renda da capital potiguar, onde o governo petista da professora Fátima Bezerra enfrenta os maiores índices de reprovação (26%), quando comparada com as demais áreas da cidade. Outro aspecto que chama a atenção é o fato de ser na Zona Leste de Natal, onde há uma população de classe média, residente em bairros nobres como Tirol e Petrópolis,  a área onde a gestão estadual detém o  maior índice de aprovação, 56%.

GOVERNADORA FÁTIMA BEZERRA GANHA “CRÉDITO DE CONFIANÇA” DA CLASSE MÉDIA DE NATAL, MAS POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA  “REJEITA” SEU GOVERNO

A cidade de Natal tem uma “rejeição histórica” com relação a professora Fátima Bezerra, derrotada todas as vezes que enfrentou uma eleição majoritária na capital. Essa realidade foi traduzida na última eleição estadual, onde Fátima perdeu para o concorrente Carlos Eduardo Alves por cerca de 90 mil votos, obtendo apenas 39,24% dos  votos válidos.

Apesar da rejeição de Fátima Bezerra para eleições majoritárias em Natal, a pesquisa da TN/Consult mostra que a população natalense está dando o chamado “crédito de confiança” à sua gestão como governadora do Estado, embora esse “crédito” não esteja sendo concedido, sequer, pela metade da população da capital: apenas 47,13% da população de Natal aprova – até o momento – a gestão estadual.

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Após os primeiros três meses de governo, os passos seguintes da governadora Fátima Bezerra serão decisivos para fazer com que a aprovação de seu governo cresça ou despenque de vez na capital. A pesquisa mostra que  para 30,88% dos entrevistados o governo Fátima Bezerra ‘não é carne, nem é peixe”. E como até o momento ainda não tem opinião formada sobre a administração estadual, essa parcela da população natalense pode migrar para aprovar ou desaprovar a gestão.

COMPASSO DE ESPERA E FRUSTRAÇÃO

Em rápida conversa com o BLOG DO FM, o estatístico Paulo de Tarso, diretor da Consult Pesquisa opinou sobre o fato de o governo ter o maior índice de aprovação na Zona Leste de Natal e ser mais rejeitado na Zona Norte.

Para Tarso, a desaprovação na Zona Norte, onde reside significativa parcela da população de baixa renda, deve-se ao fato de o governo não ter tido condições de acenar – até o momento – com ações de cunho assistencialista.

paulo de tarso - 'ELEITOR ESTÁ APÁTICO': Diretor da Consult financia pesquisa para participar do processo eleitoral paraibano - OUÇAPAULO DE TARSO: “A PARTE MENOS FAVORECIDA DA POPULAÇÃO ESPERA DO GOVERNO A ASSISTÊNCIA, MAS O GOVERNO AINDA ESTÁ ARRUMANDO A CASA”

“A parte menos favorecida da população espera do governo a assistência, mas o governo ainda está arrumando a casa. E fazer chegar a assistência individual, como o PT fez chegar até através até do Bolsa Família, não é função desse governo. Então, isso pode frustrar o que uma população de baixa renda espera de um governo populista como do PT”.

O diretor da Consult avalia ainda que a aprovação do governo Fátima Bezerra na Zona Leste habitada pela classe média traduz apenas um ‘ compasso de espera’.

“É um compasso de espera. Não é que a população da Zona Leste esteja acreditando, mas sim observando e esperando que o governo aconteça. Não se pode desaprovar uma coisa que nem aconteceu ainda. Está dando um crédito de confiança de que venha acontecer coisas boas. Mas também se não acontecer, quando fizer os seis meses de governo pode se ter uma avaliação pior”, explicou.

Tribuna do Norte

Ibope: Bolsonaro tem 57% dos votos válidos e Haddad, 43%

Candidato do PSL oscila dois pontos porcentuais para baixo e vantagem para petista cai de 18 para 14 pontos

A cinco dias da eleição presidencial, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, tem 57% das intenções de voto, contra 43% de Fernando Haddad (PT), segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta terça-feira, 23.

Desde o último dia 15, Bolsonaro oscilou dois pontos porcentuais para baixo (tinha 59%), e Haddad oscilou dois para cima (tinha 41%). As duas variações estão dentro da margem de erro. A vantagem do candidato do PSL passou de 18 para 14 pontos porcentuais.

Haddad Bolsonaro
Bolsonaro e Haddad disputam o 2º turno das eleições 2018 Foto: Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters

Os números consideram apenas os votos válidos, ou seja, excluem os nulos, brancos e indecisos. Levando em conta o eleitorado total, a taxa de Bolsonaro passou de 52% para 50%, enquanto a preferência por Haddad se manteve estável em 37%. Há ainda 10% dispostos a anular ou votar em branco, e 3% que não souberam responder.

Na pesquisa espontânea, na qual os eleitores indicam sua opção antes de receber um disco de papel com os nomes dos candidatos, Bolsonaro lidera por 42% a 33%. Na pesquisa anterior, o placar era de 47% a 31%  –  ou seja, a vantagem caiu de 16 pontos para 9.

No primeiro turno da eleição presidencial, realizado no dia 7, o candidato do PSL ficou à frente do principal adversário por 46% a 29%.

Ibope ouviu 3.010 eleitores nos dias 21 a 23 de outubro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐07272/2018. Os contratantes foram o Estado e a TV Globo.

Em São Paulo, Bolsonaro tem 64% contra 36% de Haddad

Se a eleição presidencial ocorresse apenas no Estado de São PauloJair Bolsonaro venceria o ex-prefeito da capital paulista Fernando Haddad por 64% a 36% dos votos válidos, segundo o Ibope. Os números mostram oscilação positiva de um ponto para o candidato do PSL em relação ao levantamento anterior, enquanto o petista oscilou um para baixo.

Quando são considerados os votos totais — ou seja, incluindo os brancos e nulos —, Bolsonaro pontua 54%, contra 31% de Haddad. Neste cenário, ambos oscilaram um ponto para baixo em comparação com a última pesquisa, divulgada no dia 17 de outubro. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.

No primeiro turno, o candidato do PSL teve vitória esmagadora no Estado, com 53%. Haddad ficou em segundo lugar, com 16,4%. Bolsonaro quebrou a hegemonia histórica do PSDB em São Paulo. O ex-governador Geraldo Alckmin ficou em quarto lugar na disputa, com apenas 9,5%. /COLABOROU CAIO SARTORI