Brasil ultrapassa marca de 10 mil casos de covid-19

País soma 432 mortes. SP lidera em óbitos e número de infectados

Publicado em 04/04/2020 – 17:07 Por Agência Brasil – Brasília
Atualizado em 04/04/2020 – 18:30

O ministério da Saúde divulgou, na tarde de hoje (04), os números atualizados do novo coronavírus. De acordo com a pasta, o número de infectados, no momento, é de 10.278. O número de mortes é de 432. O estado de São Paulo lidera tanto em número de casos (4.466) quanto em mortes (260).

região:confirmados:óbitos:
Norte52716
Nordeste1.64259
Sudeste6.295329
Centro-Oeste67512
Sul1.13917
TOTAL10.278432 (4,2% de mortalidade)

Com esses números, o país ocupa a 16º lugar em casos da doença, o 14º lugar em óbitos e o 8º lugar em letalidade. Segundo o secretário executivo do ministério da Saúde, João Gabbardo, a dinâmica da doença no Brasil está “abaixo da curva de crescimento da Espanha, Itália e Estados Unidos, a partir do centésimo caso.” Em todo mundo já foram registrados mais de 1,18 milhão de casos e mais de 64 mil mortes.

No Brasil, nas últimas 24 horas foram notificados 1.222 casos – aumento de 13% em relação à sexta-feira (3). O incremento do número neste dia é o maior desde o início da coleta de dados do ministério da Saúde. O mesmo ocorre no número de óbitos: um incremento de 72 mortes, 20% em relação ao total de ontem (359).

A incidência medida do novo coronavírus no Brasil é de 4,9 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. A proporção varia conforme o estado, e é superior no Distrito Federal (14,9 casos), seguido por São Paulo (9,6), Ceará (7,9), Amazonas (7,4), Rio de Janeiro (7,2), Rio Grande do Norte (6), Roraima (5,9) e Acre (5,1).

Os óbitos afligem mais os homens (57,6%) do que as mulheres (42,4%), de acordo com total de mortes apuradas até ontem. Oito de cada dez óbitos ocorreram com pessoas com mais de 60 anos. A mesma proporção de pessoas que faleceram apresentava pelo menos um fator de risco de morte como cardiopatias, diabetes, problema nos pulmões e doenças neurológicas.

“Passaporte de imunidade”

Segundo Gabbardo, o ministério da Saúde pensa em formas de criar uma espécie de “passaporte da imunidade”, uma identificação para  pessoas que contraíram o novo coronavírus, se recuperaram totalmente e já possuem anticorpos. Essas pessoas, segundo o secretário, não podem mais transmitir ou ser infectadas, e já adquiriram imunidade. Elas podem ser úteis no contato com grupos sensíveis, como idosos, e possivelmente são aptas a retomar certas atividades.

Cidades sem casos

O secretário afirmou, ainda, que fechar cidades ou municípios que não contabilizam nenhum caso do novo coronavírus pode ser “uma medida excessiva”. “Não significa que vai ficar assim para sempre. Podemos fechar, abrir, se julgar necessário. Acho que isso merece uma discussão. Pode ser que tenha sido antes da hora, e merece uma análise melhor”, afirmou. Gabbardo citou, entretanto, que o relaxamento da quarentena e do isolamento social deve acontecer apenas após a aquisição de material suficiente para lidar com uma larga escala da população. “Já estamos fortes, mas queremos ficar mais fortes ainda”, concluiu.

Veja a coletiva na íntegra:

Matéria atualizada às 18h10 e às 18h30.

Por Covid-19, Mandetta e CNJ autorizam sepultamentos sem atestado de óbito

Quando não se souber ao certo a causa, morte poderá ser registrada como “provável para Covid-19”

Por Laryssa Borges

31 mar 2020, 13h40 – Publicado em 31 mar 2020, 11h08

Diante do alastramento dos contágios pelo novo coronavírus, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias Toffoli, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinaram nesta terça-feira, 31, portaria que autoriza o sepultamento e cremação de pessoas sem a necessidade de um atestado de óbito. A medida ocorre após o próprio Mandetta ter afirmado a governadores de Estado que o momento é de preparar funerárias para o provável aumento no número de vítimas fatais da Covid-19.

A portaria, à qual VEJA teve acesso, deve ser publicada até esta quarta-feira, 1º, e especifica, por exemplo, que estabelecimentos de saúde poderão enviar pessoas para sepultamento ou cremação sem certidões de óbito “na hipótese de ausência de familiares ou pessoas conhecidas do obituado ou em razão de exigência de saúde pública”. Entre as justificativas da medida estão a “necessidade de uniformização nacional do protocolo de anotação da causa mortis relacionada às doenças respiratórias no preenchimento das Declarações de óbitos por todos os serviços de saúde do País” e a constatação de que deve se “providenciar o sepultamento em razão dos cuidados de biossegurança, a manutenção da saúde pública e respeito ao legítimo direito dos familiares do obituado providenciarem a inumação [enterro]”.

Diante do aumento exponencial de casos confirmados do novo coronavírus, que já vitimou 159 pessoas no Brasil, a ordem das autoridades é a de que o prontuário de atendimento em casos de internação hospitalar no período da pandemia contemple o maior número possível de informações que identifiquem o paciente. Quando isso não for possível e a vítima não sobreviver, a orientação é para que os serviços de saúde adotem detalhes que permitam que, no futuro, se faça a identificação da vítima, como estatura ou medida do corpo, cor da pele, sinais aparentes, idade presumida, vestuário. Se possível, os serviços de saúde também podem fotografar a face da vítima e colher a impressão digital do polegar e anexar esses dados na certidão de óbito.

Ao contrário de países como a Coréia do Sul, que testou a maior parte da sua população e conseguiu achatar a curva de alastramento da Covid-19, o Brasil tem adotado postura diversa e, embora tenha comprado e recebido como doação milhões de testes para a detecção do novo coronavírus, não pretende testar os casos suspeitos ou assintomáticos em larga escala. Por isso, a portaria do CNJ e do Ministério da Saúde prevê que, quando for possível fazer o registro civil das mortes e não se souber ao certo a causa do óbito, as mortes por doença respiratória suspeita para Covid-19, não confirmadas por exames ao tempo do óbito, deverão ser registradas como “provável para Covid-19” ou “suspeito para Covid-19”.

Depois que a portaria assinada por Toffoli e Mandetta for publicada, as Corregedorias-Gerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal terão 48 horas para criar um canal de comunicação exclusivo para o recebimento eletrônico das declarações de óbito. A ideia é que, em no máximo dois dias após as mortes, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde possam ser comunicadas para registrar oficialmente os óbitos.

40 milhões de equipamentos de proteção são distribuídos aos profissionais

Última remessa será entregue nesta semana para os estados que estão nas regiões Norte e Nordeste

O Ministério da Saúde distribui nesta semana a terceira e última remessa de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados por profissionais de saúde que realizam atendimento dos pacientes infectados pelo coronavírus, em todo o país. A distribuição totaliza 40 milhões de itens adquiridos para reforçar estoques de estados e municípios. Até esta quinta-feira (02/04), a região Norte e alguns estados do Nordeste receberão materiais como máscaras, aventais, toucas hospitalares, sapatilhas, luvas para procedimentos não cirúrgicos, além de álcool. As outras regiões do país já haviam recebido os insumos.

A distribuição dos itens para os estados nortistas e nordestinos será realizada com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), que transportará 18 toneladas em equipamentos. Os materiais foram adquiridos pelo Ministério da Saúde por meio de cinco editais de compra emergencial publicados entre os meses de fevereiro e março no Diário Oficial da União (DOU).

Os EPIs foram distribuídos aos estados em três remessas diferentes, à medida que eram adquiridos. Foram 68,9 mil frascos de álcool 500 ml, 100 mil frascos de álcool 100 ml, 60 mil óculos de proteção, 24 de milhões de luvas para procedimentos não cirúrgicos, 100 mil sapatilhas, 14,2 milhões de máscaras cirúrgicas, 742 mil aventais e 209 mil toucas hospitalares.

Nesta segunda-feira (30), no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou a força destrutiva do coronavírus, com a derrubada do sistema mundial em todas as suas esferas – como econômica, social e logística –, atacando, inclusive, os países que produzem os insumos, máscaras e Equipamentos de Proteção Individual, essenciais para profissionais que atuam na linha de frente dos sistemas de saúde.

“Se os profissionais de saúde adoecem, logicamente a capacidade de atendimento vai cair drasticamente”, explicou o ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele aproveitou para fazer um apelo à sociedade pedindo a que todos que tiverem máscaras novas [não utilizadas] do modelo N95 para que as entreguem aos hospitais e às secretarias estaduais ou municipais de saúde. “A gente precisa desse pessoal bem, porque são eles que vão atender todo mundo”, disse.

NOVA COMPRA

O Ministério da Saúde está adquirindo ainda 200 milhões de máscaras cirúrgicas, 40 milhões de máscaras N95, 1 milhão de frascos de álcool 500 ml, 1 milhão de frascos de álcool 100 ml, 240 milhões de luvas para procedimentos não cirúrgicos, 40 milhões de aventais, 80 milhões de aventais impermeáveis, 1 milhão de sapatilhas, 1 milhão de óculos de proteção, 120 milhões de toucas, 200 mil unidades de protetores faciais. Esses equipamentos de proteção incluem insumos comprados no exterior e devem chegar ao Brasil em até 30 dias.

“Os equipamentos fazem parte do reforço e organização da assistência hospitalar e ambulatorial do SUS que o Ministério da Saúde vem realizando junto aos estados brasileiros”, disse Roberto Ferreira Dias, diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde.

Por Silvia Pacheco, da Agência Saúde

Planalto acaba com entrevistas do Ministério da Saúde e vai concentrar informações sobre novo coronavírus

Mudança visa transmitir a imagem de união entre saúde e economia, como preconiza Bolsonaro

Gustavo Maia e Manoel Ventura 30/03/2020 – 16:05 / Atualizado em 30/03/2020 – 17:14

O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em coletiva no Planalto Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em coletiva no Planalto Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

BRASÍLIA – Incomodado com o protagonismo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro decidiu acabar com as entrevistas coletivas concedidas diariamente pela equipe da pasta responsável pelo enfrentamento do novo coronavírus. Com isso, os anúncios do governo federal, inclusive os da área da saúde, devem ser concentrados no Palácio do Planalto, também como uma forma de transmitir a imagem de união entre saúde e economia preconizadas pelo presidente no combate à crise.

A Casa Civil e a Presidência da República encaminharam essa determinação para todos os ministérios, numa tentativa de “alinhar a narrativa” do governo federal em torno do tema. Por isso, a decisão foi de concentrar os anúncios na figura do presidente.

Mandetta chegou ao Planalto no meio da tarde desta segunda-feira para se encontrar com o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto.

Às 15h48, a Presidência convocou jornalistas para uma entrevista coletiva no Salão Oeste do palácio, com a participação de Mandetta, Braga Netto e dos ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia) e André Mendonça (Advocacia-Geral da União).

O presidente convive hoje com especulações sobre a eventual demissão do ministro da Saúde, por divergências sobre a estratégia de combate à doença e a adoção do isolamento no país.

No sábado, Mandetta participou de uma coletiva em que manifestou apoio ao isolamento daqueles que podem ficar em casa. No domingo, Bolsonaro contrariou essas orientações e foi às ruas da Ceilândia e Taguatinga, no Distrito Federal.

Proposta do Ministério da Saúde prevê isolamento de três meses para idosos e abertura de bares com metade da lotação

Documento será objeto de discussão com estados para alinhar um plano de medidas a ser anunciado no início de abril

Renata Mariz 28/03/2020 – 15:41 / Atualizado em 28/03/2020 – 20:11

Mandetta em coletiva de imprensa em Brasília Foto: Adriano Machado / REUTERS
Mandetta em coletiva de imprensa em Brasília Foto: Adriano Machado / REUTERS

BRASÍLIA — O Ministério da Saúde apresentou neste sábado aos estados e municípios um “Plano de Ação da Quarentena” para os meses de abril, maio e junho, visando a reduzir a disseminação da Covid-19.

O plano é uma tentativa da pasta de unificar as ações de distanciamento social que já se multiplicam pelo país, e prevê diversas medidas que foram repetidamente criticadas pelo presidente Jair Bolsonaro, como o fechamento de escolas até o fim de abril —com possibilidade de extensão por mais 30 dias— , a proibição de qualquer evento de aglomeração (shows, cultos, futebol, cinema etc.) e a redução da capacidade de bares e restaurantes em 50%.

O Brasil chegou ontem a 3.904 casos confirmados —mais da metade deles no Sudeste— e 114 mortes (taxa de mortalidade de 2,9%). São Paulo segue como estado mais afetado, com 84 mortes e 1.406 casos confirmados. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 13 mortes e 558 casos.

— Daqui a duas, três semanas, os mesmos que falam “vamos fazer carreata de apoio” vão ser os mesmos que vão estar em casa. Não é hora agora. Aqueles que falam que não vai ser nada, que vai ser só um pequeno estresse, que isso passa logo e acaba, espero e rezo todo dia para que estejam corretos nas suas avaliações — disse Mandetta.

De acordo com o ministro, a reunião com o presidente e titulares de outras pastas serviu para que fosse construída uma “unidade” de atuação. Ele defendeu que as medidas restritivas sejam reavaliadas com frequência e descartou um isolamento mais rígido em todo o território nacional. Reconheceu, no entanto, que a estratégia pode ser adotada em regiões específicas.

— Não existe quarentena vertical, horizontal, não existe nada. Existe a necessidade de arbitrar, num determinado tempo, qual a necessidade de retenção que a sociedade pode fazer. O lockdown, que é a parada absoluta, pode vir a ser necessário em algum momento, em alguma cidade. O que não existe é lockdown em todo o território nacional ao mesmo tempo e desarticulado.

Início na semana de 6/4

O documento enviado aos secretários estaduais e municipais de Saúde ainda é preliminar, segundo o ministro. O texto prevê que as chamadas “medidas de transição” sejam anunciadas na semana que se inicia em 6 de abril.

A quarentena sugerida pelo ministério propõe o isolamento por três meses dos grupos de risco —maiores de 60 anos e, independentemente da idade, portadores de doenças crônicas, como cardíacos e diabéticos —“com suporte financeiro governamental”.

As ações sugeridas pela pasta são menos rígidas do que as já adotadas pelos governos de São Paulo e Rio de Janeiro, os dois estados com maior número de casos da Covid-19 no país.

Elas fazem parte de um esforço do Planalto de alinhar, o máximo possível, o discurso em torno das medidas de isolamento social. Seria uma orientação geral para a contenção da doença que não paralise a economia, na linha do que Bolsonaro vem pedindo a Mandetta.

Em sua entrevista coletiva, o ministro foi enfático ao destacar os benefícios do distanciamento social para que o país tenha tempo de preparar seu sistema de saúde para o esperado aumento explosivo do número de casos a partir do próximo mês —segundo a Saúde, apenas a partir de agosto deve começar a haver redução na quantidade diária de novos contágios.

Mandetta citou como um exemplo prático de benefício da redução do movimento nas ruas a queda no número de acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motos, o que contribuiu para a não ocupação de leitos hospitalares.

— Quando a gente determina a paralisação, imediatamente percebe que diminuem os acidentes e sobram os leitos que eram ocupados por eles. Há informações em alguns lugares de queda de 30%, 40% e até 50% da taxa de ocupação. É mais uma razão para a gente diminuir bastante a atividade de circulação de pessoas, um efeito secundário benéfico. Além do efeito de diminuir a transmissão (do coronavírus). Mais uma razão para ficarmos em casa, parados, até que consigamos colocar os equipamentos (de saúde) nas mãos dos que precisam.

Alberto Beltrame, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, confirma o recebimento do documento e diz que ele já está em discussão há algum tempo com os gestores locais. Ele não vê mudanças na posição do Ministério da Saúde e apoia a definição de regras porque acredita que ajudará “quem ainda não o fez, bem como o apoio a todos os estados que já anteciparam medidas”.

— A evolução da pandemia no Brasil, em seus possíveis cenários, tem sido discutida sempre entre estados e Ministério. Este documento é um dos cenários em discussão há tempo. Apoiamos integralmente a equipe do Ministério da Saúde — afirmou Beltrame.

Confira as medidas em discussão

Para 30 dias

– Anunciar na semana de 6 de abril medidas de transição

– Escolas e universidades fechadas até o fim do mês de abril com atualização de cenário em 20/04, com possibilidade de extensão por mais 30 dias

Por três meses a contar da divulgação

– Distanciamento social para pessoas acima de 60 anos, com reavaliação mensal

– Distanciamento social para pessoas abaixo de 60 anos com doenças crônicas, com suporte financeiro governamental, com reavaliação mensal

– Distanciamento social no ambiente de trabalho

– Reuniões virtuais, teletrabalho, extensão do horário para diminuir densidade de equipe no espaço físico etc

– Isolamento domiciliar de sintomáticos e contatos domiciliares (exceto de serviços essenciais assintomáticos)

– Proibição de qualquer evento de aglomeração (shows, cultos, futebol, cinema, teatro, casa noturna etc)

– Bares e restaurantes: reduzir para 50% a capacidade instalada com intensificação das regras de prevenção (álcool, limpeza etc.)

– Trabalhadores informais serão contratados como promotores de saúde durante a resposta à Covid-19

– Orientar as pessoas na rua, identificar idosos e enviar para casa, limpeza de superfícies (com uniforme e envolvimento social)

Mortes por novo coronavírus sobem para 57 no Brasil

Covid-19 tem a taxa de letalidade de 2,4% no Brasil

Movimentação de idosos no posto da 612 Sul para Vacinação contra Influenza

Publicado em 25/03/2020 – 16:57 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

O número de mortes decorrentes do novo coronavírus (covid-19) chegou a 57, conforme atualização do Ministério da Saúde publicada hoje (25). Pela primeira vez desde o início da pandemia, foram registradas mortes fora dos epicentros do surto no país, São Paulo e Rio de Janeiro. Falecimentos em razão da covid-19 ocorreram em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e no Amazonas.

O total de mortes marca um aumento de 11 em relação a ontem, quando a contabilização marcava 46 vítimas que vieram a óbito por conta da infecção. Na segunda-feira, eram 25 falecimentos. 

Do total, 48 foram em São Paulo, seis no Rio de Janeiro, uma no Amazonas, uma no Rio Grande do Sul e uma em Pernambuco.

O total de casos confirmados saiu de 2.201 ontem para 2433 casos. O resultado de hoje marcou um aumento de 28% nos casos em relação ao início da semana, quando foram contabilizadas 1.891 pessoas infectadas.

Como local de maior circulação do novo coronavírus no país, São Paulo também lidera o número de pessoas infectadas, com 862 casos confirmados. Em seguida, o Rio de Janeiro (370), Ceará (200), Distrito Federal (160), Minas Gerais (133) e Rio Grande do Sul (123).

Também registram casos confirmados Santa Catarina (109), Bahia (84), Paraná (81), Amazonas (54), Pernambuco (46), Espírito Santo (39), Goiás (29), Mato Grosso do Sul (24), Acre (23), Sergipe (16), Rio Grande do Norte (14), Alagoas (11), Mato Grosso (oito), Maranhão (oito), Piauí (oito), Roraima (oito), Tocantins (sete), Pará (sete), Rondônia (cinco), Paraíba (três), e Amapá (um).

Ministério da Saúde recomenda o isolamento a quem apresenta sintomas da covid-19 e a moradores da mesma residência do paciente sintomático, bem como a idosos acima de 60 anos, pelo prazo de 14 dias. Uma vez terminado esse período, não haveria mais necessidade da medida, a não ser em casos de uma condição médica específica.

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Rio de Janeiro mantem isolamento

A cidade do Rio de Janeiro manterá as medidas de isolamento social por pelo menos mais 15 dias, de acordo com o prefeito Marcelo Crivella. Escolas permanecem sem aula, o comércio continua restrito e os transportes públicos seguem circulando com a recomendação de não aglomerarem pessoas. As medidas foram tomadas para conter o avanço da pandemia de covid-19. 

“Esses próximos 15 dias são importantíssimos. O sacrifício que estamos fazendo agora dará bons frutos. Nós vamos vencer essa crise”, disse o prefeito em coletiva de imprensa online transmitida na manhã de hoje (25). “É fundamental, mais que necessário, incontornável e inadiável mantermos nossa medidas de afastamento social nos próximos 15 dias. Peço a vocês que considerem isso como fundamental para que a vida volte ao normal”.

Justiça de São Paulo libera cultos religiosos

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), desembargador Geraldo Francisco Pinheiro Franco, suspendeu uma liminar que determinava proibição de cultos religiosos e sanções para casos de descumprimento dos decretos referentes à pandemia pelo novo coronavírus.

Para o magistrado, cabe aos líderes religiosos orientar os fiéis. “Aos líderes religiosos, no desempenho da função acolhedora, pacificadora e de propalada preocupação com seus fiéis, cabe mostrar como desempenham esse papel em momento de grave crise sanitária.”

Distrito Federal tem primeira paciente curada

A advogada brasiliense Daniela Teixeira recebeu uma ótima notícia nesta semana quando soube que seu segundo exame para o novo coronavírus deu negativo. Ela foi a primeira paciente do Distrito Federal a ter sido curada do contágio, após semanas de medo e apreensão. Ela conversou com a Agência Brasil sobre a experiência e destacou a importância das ações de prevenção e combate à epidemia.

Medidas contra coronavírus na assistência social

O governo federal definiu medidas, no âmbito da rede de assistência social pública e privada, para enfrentamento da emergência em saúde pública decorrente do novo coronavírus. A portaria do Ministério da Cidadania foi publicada hoje (25) no Diário Oficial da União e destaca a importância de o Estado brasileiro garantir a oferta regular de serviços e programas socioassistenciais voltados à população mais vulnerável e em risco social.

Edição: Liliane Farias

Ministério da Saúde pretende distribuir 10 milhões de testes do novo coronavírus

Até agora, 27 mil kits já foram enviados para os estados; Organização Mundial da Saúde defende testagem em massa

André de Souza 21/03/2020 – 18:39 / Atualizado em 21/03/2020 – 18:59

Kit de testes para coronavírus em hospital de Barra Mansa (RJ), no Sul Fluminense Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Kit de testes para coronavírus em hospital de Barra Mansa (RJ), no Sul Fluminense Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

BRASÍLIA — O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, anunciou neste sábado que o governo está adquirindo um volume “significativo”de testes para o diagnóstico da Covid-19. Segundo ele, até a semana que vem, 5 milhões de testes terão sido distribuídos no Brasil, um número que, em algumas semanas, chegará a 10 milhões. 

Os testes que ainda vão ser adquiridos são mais fáceis de aplicar do que os 27 mil kits que foram distribuídos até agora para laboratórios de todo o Brasil, dos quais 10 mil neste fim de semana. Um mesmo kit pode ser usado para fazer o teste de até 23 amostras.

A Organização Mundial da Saúde (OMStem defendido sistematicamente a testagem em massa da população de cada país. O objetivo seria rastrear a origem das infecções, como foi feito na China, e dimensionar a extensão do problema.

BrasíliaBolsonaro determina serviços que não poderão parar no Brasil

O Brasil tem alertado que não dispõe de kits suficientes e, por isso, o governo vinha limitando os kits aos pacientes com sintomas mais graves. Todos os 1.128 casos confirmados foram diagnosticados com testes laboratoriais.

— Não temos o volume total realizado, porque muitos testes dão negativo ou inconclusivo. O que nós enviamos é um kit. Cada kit dá para fazer 23 amostras. E nem sempre se utiliza o kit inteiro. Estados com poucos casos usam três, quatro buraquinhos para fazer o teste. Então não dá para saber quantos testes foram realizados — disse Wanderson.

A pasta atualizou hoje o número de casos confirmados do novo coronavírus para 1.128 no país. O total de vítimas fatais segue em 18. Roraima, até o momento, é o único estado sem casos confirmados.

Anvisa aprova oito testes rápidos para Covid-19

Dados devem ser interpretados por um profissional de saúde

Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

Publicado em 20/03/2020 – 09:08 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os primeiros oito testes rápidos para o diagnóstico de Covid-19. Os novos produtos são voltados para uso profissional e permitem a leitura dos resultados, em média, em 15 minutos.

De acordo com a Anvisa, os dados devem ser interpretados por um profissional de saúde, com auxílio de informações clínicas do paciente e de outros exames. A oferta e a produção dos testes dependerão da capacidade de cada empresa que recebeu o registro.

As autorizações, Resolução 776/2020 e Resolução 777/2020, foram publicadas ontem (19) no Diário Oficial da União. A medida faz parte das ações estratégicas da Anvisa para viabilizar produtos que possam ser utilizados no enfrentamento à pandemia de Covid-19. Outros produtos destinados ao diagnóstico do novo vírus também estão sendo analisados com prioridade.

Os kits aprovados nesta quinta-feira pela agência estão divididos em dois grupos: os que usam amostra de sangue e detectam anticorpos (IgM e IgG) e os que usam amostras das vias respiratórias dos pacientes, nasofaringe (nariz) e orofaringe (garganta) e detectam o antígeno (vírus).

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 621 casos da doença e seis óbitos.

Brasil tem 621 casos confirmados de Covid-19 e seis mortes

Ministério da Saúde atualiza dados sobre coronavírus no Brasil

Publicado em 19/03/2020 – 17:05 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

As mortes em razão do novo coronavírus subiram para seis, conforme última atualização divulgada hoje (19) pelo Ministério da Saúde. Já os casos confirmados saíram de 428 para 621 entre ontem e hoje.

São Paulo segue como foco da disseminação do vírus, com 286 casos. Em seguida vêm Rio de Janeiro (65), Brasília (42), Bahia (30), Minas Gerais (29) e Rio Grande do Sul e Pernambuco (28). Além desses estados, foram registrados casos no Paraná (23), Santa Catarina e Ceará (20), Goiás (12), Espírito Santo (11), Mato Grosso do Sul (sete), Sergipe (seis), Alagoas (quatro), Acre e Amazonas (três) e Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte e Paraíba (um).

Acompanhe ao vivo

A partir de hoje, o Ministério da Saúde deixará de trabalhar com casos suspeitos, passando a divulgar apenas as situações confirmadas e as mortes decorrentes da doença resultante da infecção pelo vírus.

A transmissão comunitária (quando as autoridades não identificam mais a cadeia de infecção ou esta já possui cinco gerações) foi identificada no estado de São Paulo, no estado do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Santa Catarina, Pernambuco e Porto Alegre. Essa é a modalidade mais preocupante, pois ela implica em uma disseminação maior e menos controlada do vírus.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, os números mostram que o crescimento não está ocorrendo de forma localizada, mas no conjunto do país. “Estamos vendo uma tendência mais nacional. Se levantar em bloco vai ser muito mais difícil de monitorar”, declarou. Com isso, continuou o ministro, o papel dos cidadãos ganha importância nas medidas de prevenção, como higienização, e de contenção, como o isolamento. Isso porque a preocupação é com a sobrecarga do sistema de saúde.

“Quando está gripado, precisa fazer isolamento domiciliar. Está com sintoma, isolamento domiciliar. Não é para descer para o play, fazer uma festinha”, aconselhou.

Calamidade Pública

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (18), por votação simbólica, o pedido do governo federal para declaração de estado de calamidade pública no país. O projeto será encaminhado para votação no Senado e precisa de pelo menos 41 votos para ser aprovado.

A declaração de estado de calamidade pública é uma medida inédita em nível federal. Na mensagem, o governo pede a que seja dispensado de atingir a meta fiscal, entre outras medidas, para combater a pandemia do coronavírus.

Coronavírus afeta turismo

Somente na primeira quinzena de março, o volume de receitas do setor de turismo brasileiro caiu 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado, o que representa uma perda equivalente a R$ 2,2 bilhões.

A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada hoje (19) no Rio de Janeiro, projeta ainda que os prejuízos já sofridos pelo setor têm potencial de reduzir até 115,6 mil empregos formais.

Repatrição

O Ministério das Relações Exteriores informou hoje (19) que turistas brasileiros que estão retidos no Peru serão repatriados amanhã (20). No último dia 15, em meio ao aumento do número de casos da Covid-19 no país, o governo peruano decretou quarentena obrigatória para a população e o fechamento das fronteiras por 15 dias.

O Peru registra 86 casos da doença, segundo último boletim da Organização Mundial da Saúde, divulgado ontem (18).

O Itamaraty informou ainda que acompanha com atenção a situação de viajantes brasileiros em outros países, como Marrocos e Vietnã, e, por meio das embaixadas, estão sendo feitas gestões junto às autoridades locais para o pronto regresso desses cidadãos.

Ministros da Justiça e da Saúde definem regras para internação compulsória de pacientes com coronavírus

Implementação das medidas independe de autorização judicial


Brasília, 17/03/2020 – 
Os Ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, editaram uma portaria, nesta terça-feira (17), disciplinando regras para as medidas compulsórias para enfrentar a emergência de saúde pública, devido à pandemia de coronavírus (COVID-19).

Para garantir maior efetividade nas medidas de saúde para responder à pandemia, a portaria prevê que o descumprimento das regras impostas pelos órgãos públicos para evitar a disseminação do coronavírus seja passível de enquadramento no Código Penal, ou seja, quem descumprir determinações médicas de quarentena, isolamento ou internação pode incorrer nas penas dos artigos 268 do CP (detenção de um mês a um ano, e multa) e 330 (detenção de quinze dias a seis meses, e multa), se o fato não constituir crime mais grave.

A implementação das medidas independe de autorização judicial: “No exercício de polícia administrativa, a autoridade policial pode encaminhar o infrator a sua residência ou ao estabelecimento hospitalar para cumprimento das medidas estabelecidas “, diz o texto da portaria.

Em casos excepcionais, a pessoa poderá ser presa e levada a um estabelecimento prisional em cela isolada dos demais.

Além disso, quem desobedecer às medidas de emergência pode responder civil e administrativamente:  “Se o descumprimento ensejar ônus financeiro ao SUS, a AGU vai adotar medidas de reparação de danos materiais”, complementa o texto

O que se se espera é que todos, agindo com responsabilidade, atendam voluntariamente às medidas impostas para impedir a disseminação do coronavírus, mas se houver descumprimento elas poderão ser impostas coercitivamente.