Lava-Jato continua atrás da corrupção petista na Petrobras

Ex-executivos da OAS voltaram a detalhar nesta semana o esquema de pagamento de propina para o PT durante o governo Lula

Por Robson Bonin 3 Jul 2020, 19h49 – Publicado em 4 Jul 2020, 10h34

A Lava-Jato foi deflagrada em 2014 e mesmo sendo alvo de críticas e polêmicas por disputas internas no MPF, segue cobrando a fatura dos corruptos que saquearam a Petrobras.

Nesta semana, por exemplo, os ex-executivos da OAS, a empreiteira que pagou milhões de reais em propinas ao PT e a outros partidos e políticos do esquema, prestaram depoimento na Justiça Federal de Curitiba.

Léo Pinheiro, que fechou delação e depois sumiu, e seu braço-direito Agenor Medeiros, detalharam como firmaram um esquema de corrupção em duas obras da rede de gasodutos da estatal durante o governo de Lula.

O caso nem chega a ser o mais turbinado da conta-propina da OAS mantida em nome do PT, mas serve para manter o fantasma atrás da porta dos petistas. No caso em questão, Agenor narrou que Léo mandou reservar 5,8 milhões de reais em dinheiro sujo para repassar aos petistas, como acerto pelas obras. Dinheiro devidamente pago.

José Serra é denunciado por lavagem de dinheiro

Segundo a denúncia, senador recebeu vários pagamentos da Odebrecht

Publicado em 03/07/2020 – 10:44 Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil – São Paulo
Atualizado em 03/07/2020 – 14:22

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia, hoje (3), contra o senador José Serra (PSDB-SP) por lavagem de dinheiro à época que era governador de São Paulo. A filha do parlamentar, Verônica Allende Serra, também foi denunciada. Estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão para aprofundamento das investigações sobre o esquema em  endereços em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia da força tarefa da Operação Lava Jato, em 2006 e 2007 Serra recebeu vários pagamentos da empreiteira Odebrecht em contas no exterior, em um total de R$ 4,5 milhões. O MPF disse que “supostamente” o dinheiro seria usado para pagamento de despesas das campanhas eleitorais do então governador.

Rodoanel

Em troca do dinheiro, Serra teria permitido que a Odebrecht, junto com outras empresas, operasse um cartel, combinando os preços das obras para a construção do trecho sul do Rodoanel, um anel rodoviário que circunda a região central da Grande São Paulo. “No caso da Odebrecht, essa atuação servia para se atingir a meta de lucro real estabelecida para sua participação nas obras do Rodoanel Sul, pelo superintendente Benedicto Júnior, de 12% sobre o valor do contrato, o qual só foi possível de atingir diante da inexistência de competição no certame licitatório, em razão da formação prévia de um cartel”, afirmam os procuradores na denúncia.

“Em outras palavras, o cartel, que veio a ser efetivamente estabelecido, prestou-se a maximizar os lucros desta empreiteira, do que defluiu não apenas um ganho econômico, como também maior disponibilidade de recursos ilícitos (decorrentes de contratação conquistada em ambiente de ausência de competitividade) para que ela, então, pudesse realizar pagamentos de propina que foram sendo ajustados com os agentes públicos no curso das obras”, enfatiza o texto ao explicitar o funcionamento do esquema.

Delação

A investigação mostra, a partir de documentos obtidos em cooperação com autoridades internacionais, que foram feitos diversos pagamentos usando uma rede de contas offshore (em locais com menor tributação). De acordo com os procuradores, eram feitas várias movimentações financeiras no exterior para dificultar o rastreio dos recursos.

Os contatos entre Serra e a Odebrecht eram, segundo o MPF, feitos por Pedro Augusto Ribeiro Novis, que foi vizinho do senador. O executivo assinou um acordo de colaboração com a Justiça. “Em razão dessa proximidade, cabia sempre a Pedro, em nome da Odebrecht, receber de José Serra, em encontros realizados tanto em sua residência quanto em seu escritório político, demandas de pagamentos, em troca de “auxílios” diversos à empreiteira, como os relativos a contratos de obras de infraestrutura e a concessões de transporte e saneamento de seu interesse”, denunciam os procuradores.

O MPF acusa ainda Verônica Serra de, seguindo as ordens do pai, ter ajudado a movimentar os recursos no exterior. 

Bloqueio

Além dos mandados, o Ministério Público Federal informou que obteve autorização judicial para bloquear R$ 40 milhões em uma conta na Suíça. De acordo com a denúncia, Serra teria recebido da Odebrecht mais R$ 23,3 milhões em 2009 e 2010 para liberar R$ 191,6 milhões em pagamentos da estatal estadual Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) à empreiteira. 

Segundo a a assessoria do senador, Serra só tomou conhecimento da denúncia nesta sexta-feira e ainda está analisando o processo antes de se pronunciar.

Em nota, o senador José Serra afirma que os fatos que motivaram as ações de hoje são “antigos e prescritos”. Ele diz ainda que “causa estranheza” que os mandados sejam cumpridos em meio à pandemia de covid-19. “Em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República”, enfatiza.

No comunicado, Serra destaca ainda que não cometeu atos ilegais e que sempre teve “integridade” na sua vida pública. O senador diz que “mantém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas”.

Texto ampliado às 14h22 para inclusão de nota do senador José Serra

Bolsonaro, o cavalo de Troia da Operação Lava Jato

Aquele que mais alto gritou contra a corrupção sistêmica hoje se associa a políticos que protagonizaram escândalos como o mensalão e o petrolão

Por Jorge Pontes 30 Jun 2020, 19h07 – Publicado em 30 Jun 2020, 15h08

É atribuída ao 16º presidente americano, o grande Abraham Lincoln, a seguinte frase: “você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não todas por todo o tempo”.

A máxima de Lincoln talvez explique a queda de popularidade que já se observa em relação ao presidente Bolsonaro.

Pois bem, em um tempo em que prevalecem os políticos que além de mentirem sobre si próprios, registrando vantagens e qualidades que nunca tiveram, ainda produzem calúnias e inverdades em relação aos seus oponentes, fica cada vez mais difícil para o eleitor entender o que está se passando no Brasil de hoje.

Tendo sido eleito em 2018 com o discurso da moralização e do combate à corrupção, totalmente arrimado na Operação Lava Jato, o presidente Bolsonaro é um desses neo-prestigiadores, que vem levando ao engano legiões de apoiadores.

Há meses não se ouve o presidente fazer qualquer menção aos projetos mais relevantes que visavam à desconstrução da impunidade entranhada em nosso sistema legal.

Bandeiras importantes como o fim do foro privilegiado e a prisão após sentença de segunda instância, entre outras, não são sequer mencionadas em seu governo.

Como agravante, o presidente se aproxima do Centrão, e já prepara farta distribuição de cargos públicos em setores com orçamentos bilionários.

Flavio Bolsonaro, filho 01 do presidente da República, lança mão do foro privilegiado, que seu pai e ele próprio tanto criticaram em suas campanhas eleitorais, para tentar escapar do magistrado carioca Flavio Itabiana, que o vem fustigando no processo que alveja Fabricio Queiroz, rachadinhas, lavagem de dinheiro e conexão com milícias.

Paradoxalmente, a Operação Lava Jato, com seu viés transformador – e as suas inúmeras conquistas – nunca sofreu tantos reveses como no governo daquele presidente que se elegeu justamente às suas custas.

Por essas e outras, de todas as falsas premissas e inverdades intelectuais difundidas pelo presidente, a mais absurda é aquela que coloca Bolsonaro como detentor do monopólio para resistir e barrar uma suposta volta da corrupção do PT – ou de Lula – ao poder.

O presidente, ao querer passar a ideia equivocada de que qualquer tentativa de atacá-lo significaria enfraquecer a resistência à uma volta da esquerda ao poder, produz o maior de todos os estelionatos políticos.

A fotografia de outubro de 2018 já feneceu e ficou para trás. Hoje o que vemos é um presidente se associando aos mesmos atores abraçados por Dilma e Temer.

É difícil reconhecer, mas a ficha há de cair: aquele que mais alto vocalizou contra a corrupção sistêmica e contra as mazelas dos governos do PT hoje se associa a políticos que protagonizaram escândalos como o mensalão e o petrolão, e já tem como principais adversários o juiz, os procuradores e os delegados de Curitiba, que fizeram a operação policial que pavimentou seu caminho para o Planalto.

Por fim, só não vê quem não quer: Jair Bolsonaro foi o grande cavalo de Troia da Operação Lava Jato.

Esvaziamento de grupo da Lava Jato na PGR pode prejudicar investigações, diz associação de procuradores

Em junho, quatro dos sete procuradores do grupo de trabalho em Brasília anunciaram a saída. Corregedoria apura divergências entre forças-tarefa da operação nos estados e a PGR.

Por G1 e Jornal Nacional — Brasília

27/06/2020 21h21  Atualizado há 2 horas


Saída de procuradores da equipe da Lava Jato na PGR provoca críticas à gestão de Aras

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Fábio George Cruz da Nóbrega, afirmou neste sábado (27) que o esvaziamento do grupo da Lava Jato na Procuradoria Geral da República (PGR) pode prejudicar o andamento das investigações.

“Nós vemos com muita preocupação a constante saída de membros do grupo da Lava Jato na Procuradoria Geral da República porque isso pode de fato atrapalhar as investigações e ações em curso”, afirmou o presidente da ANPR.

Nóbrega também disse ser preciso defender “com veemência” a independência funcional de cada membro do Ministério Público brasileiro.

Em junho, quatro dos sete procuradores do grupo na PGR pediram para deixar a função. Restaram dois procuradores e a coordenadora do grupo, a subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo.

As saídas foram motivadas por são discordâncias quanto a ações da coordenadora, que é uma das auxiliares mais próximas do procurador-geral da república, Augusto Aras.

Carlos Fernando Lima, ex-procurador da Lava Jato no Paraná, alertou para a perda de independência das investigações.

“O que acontece no Ministério Público Federal é a destruição de todo um trabalho que vem desde a constituição de 88. O PGR atenta contra a independência das investigações e intimida as equipes de investigação”, disse Lima.

Procuradores da força-tarefa da Lava jato no Paraná acionaram a Corregedoria do Ministério Público Federal e pediram a adoção de providências após Lindora Araújo ter solicitado informações, inclusive sigilosas, como relatórios financeiros, dados de autoridades e documentos de buscas e apreensões.

Segundo integrantes da força-tarefa no estado, Lindora pediu também acesso ao sistema de gravação de chamadas telefônicas recebidas pelos procuradores, adotado em 2015, para prevenir ameaças.

Ainda de acordo com os procuradores, a coordenadora da Lava Jato na PGR não formalizou os pedidos de acesso, nem disse se existe procedimento instaurado que justificasse o compartilhamento de dados.

A ação de Lindora Araújo foi considerada, pelos procuradores no Paraná, fora do padrão e pareceu indicar que havia uma investigação sobre a força tarefa.

Os fatos relatados pelos procuradores do Paraná já está sob análise da Corregedoria do MPF. Há expectativa de que Lindora apresente explicações à Corregedoria nos próximos dias.

Nos bastidores, o que se comenta é que os procuradores que saíram já vinham se queixando que o grupo na PGR estava perdendo espaço. A PGR não quis se manifestar sobre a saída dos procuradores.

O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse neste sábado, em nota, ter estranhado a ação da procuradora.

“Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nas investigações, embora essa intenção cause estranheza. Registro minha solidariedade aos procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília”, disse Moro.

A PGR disse que a subprocuradora-geral fez a visita aos procuradores no Paraná na condição de coordenadora da Lava Jato e que, desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a Procuradoria e as forças-tarefas nos estados.

Segundo a PGR, a visita foi previamente agendada, há cerca de um mês, e foi uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações.

A procuradoria afirmou que não se buscou compartilhamento informal de dados, que a solicitação de compartilhamento de dados foi feita por meio de ofício datado de 13 de maio, e confirmou que pedido semelhante foi enviado às forças-tarefas de são paulo e do rio

A PGR ressaltou também que os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos.

Em delação, Palocci diz que distribuiu propina para Gleisi e Fátima Bezerra

Brasil 02.12.19 12:16

Antonio Palocci citou Gleisi Hoffmann e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, na delação premiada que fechou com a PF, informa Igor Gadelha na Crusoé.

No documento, ao qual Crusoé teve acesso, a PF diz que Palocci admite ter sido o responsável pela distribuição de valores ilícitos pagos pela Camargo Corrêa ao PT.

Esses recursos, segundo o ex-ministro, teriam sido direcionados a vários candidatos do partido, entre os quais Gleisi e Fátima.

O Antagonista e Crusoé

Hackers da Lava Jato invadiram celulares de filhos de Bolsonaro

Fotos de mensagens envolvendo família do presidente foram enviadas para Manuela D’Ávila, que fez ponte com jornalista que vazou conversas de juízes

Jair, Eduardo e Carlos Bolsonaro foram alvos de hackers
Caio Sandin, do R7

25/11/2019 às 20h08

Os hackers que invadiram os celulares de diversos nomes do alto escalão da Lava Jato e da política nacional também tiveram acesso a conversas de pelo menos dois dos filhos do presidente da República.

Segundo a revista Veja, os supostos invasores tentaram entrar em dois dispositivos de Jair Bolsonaro, mas não obtiveram sucesso. Por outro lado, existem evidências de que eles conseguiram acessar as mensagens do aplicativo Telegram dos celulares do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O hacker Walter Delgatti teria enviado imagens de tais conversas para a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), que intermediou o contato com o jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil.

O celular que aparece nas fotos das conversas e era utilizado para invadir as contas do Telegram ficava com o estudante Luiz Molição, que, após ter sido detido, fechou acordo com a Polícia Federal. Delgatti também foi preso pouco depois do envio das imagens.

Lava Jato usou denúncia contra Lula para “criar distração”, diz Intercept

A divulgação da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolvendo o caso do sítio de Atibaia foi adiada por procuradores da Operação Lava Jato por conta da repercussão dos áudios envolvendo o ex-presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista. É isto que afirma uma reportagem do The Intercept Brasil, divulgada na madrugada de hoje. Após a divulgação do conteúdo, a defesa de Lula já pediu que as mensagens sejam consideradas no processo do sítio.

Denúncia sobre sítio em Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula veio a público dias depois de áudio entre Temer e Joesley - 5.fev.2016 - Jorge Araujo/Folhapress
Denúncia sobre sítio em Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula veio a público dias depois de áudio entre Temer e JoesleyImagem: 5.fev.2016 – Jorge Araujo/Folhapress

De acordo com mensagens obtidas pelo site, a procuradora Jerusa Viecelli informou em 17 de maio de 2017 em um grupo da força-tarefa no aplicativo Telegram que a denúncia contra Lula estava pronta. Porém, horas antes, veio à tona os áudios envolvendo Temer e Joesley. Por conta disso, o grupo optou por adiar a divulgação da denúncia, que foi feita cinco dias depois.

Antes de definir a data, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 21 de maio de 2017 para saber se haveria operação em Brasília para não dividir as atenções. Ao saber que não haveria operação, Dallagnol liberou a divulgação da denúncia contra Lula. No grupo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o fato iria “criar uma distração e mostrar serviço” da Lava Jato.

Conversa de Michel Temer e Joesley Batista vazou dias antes de denúncia sobre sítio de Atibaia - Alan Santos/PR

Conversa de Michel Temer e Joesley Batista vazou dias antes de denúncia sobre sítio de AtibaiaImagem: Alan Santos/PR

O site divulgou o conteúdo das conversas do procuradores em um grupo do aplicativo. Nos primeiros dias, os participantes do grupo – que não tiveram ligação com a delação da JBS – repercutem o áudio vazado.

Na ocasião, houve uma suspeita de que o diálogo teria sido editado antes da divulgação do conteúdo, o que afetou a credibilidade de Janot e da PGR. Após Viecelli informar no grupo Filhos do Januário 1 sobre a denúncia, Dallagnol diz que é melhor esperar. “Amanhã será engolida pelos novos fatos. E cá entre nós amanhã devemos ter surpresas”, postou às 20h11 de 17 de maio, quando os áudios já haviam sido divulgados pelo jornal O Globo.

Dois dias depois, Santos Lima avalia que a gestão Temer estaria comprometida. “Os diálogos são indefensaveis no contexto politico. Não há volta para o Temer. Ainda mais que a Globo não está aliviando como os jornais de São Paulo”, disse o procurador, segundo as mensagens obtidas pelo The Intercept. Porém, Viecelli rebate e não vê o mesmo impacto. “Sim. No contexto político. Mas com relação a crime, os áudios não são tão graves como anunciado”, alegou.

“Criar distração”

Já no dia 21 de maio, véspera da denúncia contra o petista, Santos Lima fez uma sugestão no grupo Filhos do Januário 1. “Quem sabe não seja a hora de soltar a denúncia do Lula. Assim criamos alguma coisa até o laudo”, disse. “Acho que a hora está ficando boa, também. Vou checar se tem operação em Brasília. Se tiver, vai roubar toda a atenção”, respondeu Dallagnol.

Minutos depois, segundo o Intercept, Deltan entrou em contato com outro grupo de Telegram – desta vez, com colegas da PGR. “Estamos querendo soltar a nova denúncia do Lula que sairia semana passada, mas seguramos. Contudo, se tiver festa de vocês aí, ela seria engolida por novos fatos. Você pode me orientar quanto a alguma data nesta semana? Meu receio é soltarmos em um dia e, no dia seguinte, ter operação, porque aí mata a repercussão”, questionou Dallagnol. “Sem operações previstas para esta semana”, reagiu um colega.

Deltan, então, voltou para o grupo dos procuradores e confirmou a intenção, que foi aprovada pela procuradora Jerusa Viecili: “Faremos o release amanhã”.

Segundo o Intercept, Carlos Fernando dos Santos Lima disse que denúncia contra Lula criaria "distração" - Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Segundo o Intercept, Carlos Fernando dos Santos Lima disse que denúncia contra Lula criaria “distração”Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Santos Lima também concordou e disse, ainda de acordo com o Intercept, a seguinte frase. “Vamos criar distração e mostrar o serviço”.

Semanas depois das conversas, uma perícia feita pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), órgão ligado à Polícia Federal, concluiu que não houve interrupções ou edições na gravação entre Temer e Joesley.

Procurado pelo site The Intercept Brasil, o Ministério Público Federal do Paraná informou que “quando nenhuma questão legal (como a existência de prazo ou risco de prescrição) ou razão de interesse público determina o momento de apresentação de uma denúncia ou manifestação, a força-tarefa ouve a equipe de comunicação quanto ao melhor momento para sua divulgação”.

O site também procurou Santos Lima, mas não ele respondeu aos contatos. Já a PGR informou que não iria se manifestar. Desde o começo da divulgação das denúncias feitas pelo The Intercept Brasil, Dallagnol alega que o conteúdo foi obtido de forma criminosa.

Veja imagens de sítio em Atibaia (SP) usado por Lula

UOL Notícias

TRF manda Dirceu pagar multa de R$ 4,5 milhões por danos à Petrobras

Publicado em 30/09/2019 – 18:19 – Por André Richter – Repórter da Agência Brasil Brasília

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, decidiu que o ex-ministro José Dirceu comece a pagar multa de R$ 4,5 milhões por danos causados à Petrobras. O valor também inclui custas processuais e multa oriunda da condenação na Operação Lava Jato. 

Dirceu está preso em Curitiba, onde cumpre pena de oito anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em julgamento realizado na última quarta-feira (25), os desembargadores da 8ª Turma do TRF4 entenderam que as penas acessórias também podem ser executadas após o fim de recursos na segunda instância da Justiça, como acontece com a pena de prisão.

A prisão do ex-ministro foi determinada em maio pelo juiz Luiz Antonio Bonat, titular da 13ª Vara Federal em Curitiba. A decisão foi tomada após TRF4 negar recurso da defesa de Dirceu e determinar o cumprimento da pena com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que autoriza prisão ao fim dos recursos em segunda instância.    

Edição: Nádia FrancoTags: TRF4stfsegunda instânciajosé dirceuPetrobraspagamento de multa

Procuradores da Lava Jato pedem que Lula cumpra pena no semiaberto

Em petição, membros da força-tarefa destacam que petista cumpriu um sexto de sua pena no caso do tríplex do Guarujá e tem bom comportamento

Por André Siqueira 27 set 2019, 20h05 – Publicado 27 set 2019, 19h15

Lula Julgamento no STJ
Lava Jato também pede que o ministro Edson Fachin seja comunicado do pedido no âmbito do habeas corpus que trata da suspeição do ex-juiz Sergio Moro (Reprodução/Reprodução)

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que conceda prisão domiciliar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na petição, assinada por membros da força-tarefa da Operação Lava Jato, como procurador Deltan Dallagnol, os procuradores alegam que o petista tem bom comportamento e já cumpriu um sexto de sua pena no caso do tríplex do Guarujá.

Nesta sexta-feira, o Radar havia antecipado a intenção da Lava Jato de pedir a progressão de regime de Lula, que será obrigado a trabalhar durante o dia. Os procuradores afirmam que “o cumprimento da pena privativa de liberdade tem como pressuposto a sua execução de forma progressiva”. Em outro trecho, a petição destaca que, considerando a pena fixada a Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 8 anos, 10 meses e 20 dias, “o custodiado encontra-se na iminência de atender ao critério temporal (um sexto da pena) para a progressão de regime”.

A força-tarefa da Lava Jato também pede que o ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF) seja comunicado do pedido no âmbito do pedido de habeas corpus, impetrado pela defesa de Lula, que trata da suspeição do ex-juiz federal Sergio Moro, que condenou, em primeira instância, o ex-presidente a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Além de Dallagnol, estão entre os procuradores que assinam o pedido Roberto Pozzobon, Laura Tessler, Orlando Martello e Januário Paludo.

Procurado por VEJA, o advogado Cristiano Zanin Martins afirmou, em nota, que “o ex-presidente Lula deve ter sua liberdade plena restabelecida porque não praticou qualquer crime e foi condenado por meio de um processo ilegítimo e corrompido por flagrantes nulidades. Sem prejuízo disso, conversaremos novamente com Lula na próxima segunda-feira sobre o direito em questão para que ele tome a sua decisão sobre o assunto”.

Leia aqui a íntegra do pedido do MPF.

Gabriela Hardt: veja quem é a juíza que assume temporariamente a Lava Jato

Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato
Jornal Hoje
Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato

 

Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato

Com o afastamento de Sérgio Moro dos processos da Lava Jato, nesta quinta-feira (1º), a operação deve ser comandada, temporiamente, pela juíza Gabriela Hardt – substituta da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná.

Gabriela Hardt fica à frente dos processos da Lava Jato até que seja escolhido um novo juiz titular – ela não pode assumir em definitivo porque é juíza substituta. Essa seleção será de responsabilidade do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4).

A partir de segunda-feira (5), os réus do processo que investiga a compra do sítio de Atibaia serão interrogados. O interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está marcado para 14 de novembro.

Quem é Gabriela Hardt

Gabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: ReproduçãoGabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: Reprodução

Gabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: Reprodução

Hardt é paranaense, tem 42 anos e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. O pai dela trabalhava em uma unidade da Petrobras que fica na cidade.

Ela é formada em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sérgio Moro dava aulas.

Gabriela prestou concurso para a Justiça Federal, em 2007, e foi nomeada juíza, em 2009, para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado.

Em 2014, foi nomeada juíza substituta na 13ª vara federal e assumia os trabalhos quando o juiz Sergio Moro saía de férias.

Em uma dessas ocasiões, em maio deste ano, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, que na sequência conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por curiosidade, a juíza é atleta, começou a nadar ainda jovem e atualmente compete em provas de maratonas aquaticas – nadando cinco quilômetros em águas abertas.

Por G1