Lava Jato usou denúncia contra Lula para “criar distração”, diz Intercept

A divulgação da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolvendo o caso do sítio de Atibaia foi adiada por procuradores da Operação Lava Jato por conta da repercussão dos áudios envolvendo o ex-presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista. É isto que afirma uma reportagem do The Intercept Brasil, divulgada na madrugada de hoje. Após a divulgação do conteúdo, a defesa de Lula já pediu que as mensagens sejam consideradas no processo do sítio.

Denúncia sobre sítio em Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula veio a público dias depois de áudio entre Temer e Joesley - 5.fev.2016 - Jorge Araujo/Folhapress
Denúncia sobre sítio em Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula veio a público dias depois de áudio entre Temer e JoesleyImagem: 5.fev.2016 – Jorge Araujo/Folhapress

De acordo com mensagens obtidas pelo site, a procuradora Jerusa Viecelli informou em 17 de maio de 2017 em um grupo da força-tarefa no aplicativo Telegram que a denúncia contra Lula estava pronta. Porém, horas antes, veio à tona os áudios envolvendo Temer e Joesley. Por conta disso, o grupo optou por adiar a divulgação da denúncia, que foi feita cinco dias depois.

Antes de definir a data, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, procurou a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 21 de maio de 2017 para saber se haveria operação em Brasília para não dividir as atenções. Ao saber que não haveria operação, Dallagnol liberou a divulgação da denúncia contra Lula. No grupo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que o fato iria “criar uma distração e mostrar serviço” da Lava Jato.

Conversa de Michel Temer e Joesley Batista vazou dias antes de denúncia sobre sítio de Atibaia - Alan Santos/PR

Conversa de Michel Temer e Joesley Batista vazou dias antes de denúncia sobre sítio de AtibaiaImagem: Alan Santos/PR

O site divulgou o conteúdo das conversas do procuradores em um grupo do aplicativo. Nos primeiros dias, os participantes do grupo – que não tiveram ligação com a delação da JBS – repercutem o áudio vazado.

Na ocasião, houve uma suspeita de que o diálogo teria sido editado antes da divulgação do conteúdo, o que afetou a credibilidade de Janot e da PGR. Após Viecelli informar no grupo Filhos do Januário 1 sobre a denúncia, Dallagnol diz que é melhor esperar. “Amanhã será engolida pelos novos fatos. E cá entre nós amanhã devemos ter surpresas”, postou às 20h11 de 17 de maio, quando os áudios já haviam sido divulgados pelo jornal O Globo.

Dois dias depois, Santos Lima avalia que a gestão Temer estaria comprometida. “Os diálogos são indefensaveis no contexto politico. Não há volta para o Temer. Ainda mais que a Globo não está aliviando como os jornais de São Paulo”, disse o procurador, segundo as mensagens obtidas pelo The Intercept. Porém, Viecelli rebate e não vê o mesmo impacto. “Sim. No contexto político. Mas com relação a crime, os áudios não são tão graves como anunciado”, alegou.

“Criar distração”

Já no dia 21 de maio, véspera da denúncia contra o petista, Santos Lima fez uma sugestão no grupo Filhos do Januário 1. “Quem sabe não seja a hora de soltar a denúncia do Lula. Assim criamos alguma coisa até o laudo”, disse. “Acho que a hora está ficando boa, também. Vou checar se tem operação em Brasília. Se tiver, vai roubar toda a atenção”, respondeu Dallagnol.

Minutos depois, segundo o Intercept, Deltan entrou em contato com outro grupo de Telegram – desta vez, com colegas da PGR. “Estamos querendo soltar a nova denúncia do Lula que sairia semana passada, mas seguramos. Contudo, se tiver festa de vocês aí, ela seria engolida por novos fatos. Você pode me orientar quanto a alguma data nesta semana? Meu receio é soltarmos em um dia e, no dia seguinte, ter operação, porque aí mata a repercussão”, questionou Dallagnol. “Sem operações previstas para esta semana”, reagiu um colega.

Deltan, então, voltou para o grupo dos procuradores e confirmou a intenção, que foi aprovada pela procuradora Jerusa Viecili: “Faremos o release amanhã”.

Segundo o Intercept, Carlos Fernando dos Santos Lima disse que denúncia contra Lula criaria "distração" - Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Segundo o Intercept, Carlos Fernando dos Santos Lima disse que denúncia contra Lula criaria “distração”Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Santos Lima também concordou e disse, ainda de acordo com o Intercept, a seguinte frase. “Vamos criar distração e mostrar o serviço”.

Semanas depois das conversas, uma perícia feita pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), órgão ligado à Polícia Federal, concluiu que não houve interrupções ou edições na gravação entre Temer e Joesley.

Procurado pelo site The Intercept Brasil, o Ministério Público Federal do Paraná informou que “quando nenhuma questão legal (como a existência de prazo ou risco de prescrição) ou razão de interesse público determina o momento de apresentação de uma denúncia ou manifestação, a força-tarefa ouve a equipe de comunicação quanto ao melhor momento para sua divulgação”.

O site também procurou Santos Lima, mas não ele respondeu aos contatos. Já a PGR informou que não iria se manifestar. Desde o começo da divulgação das denúncias feitas pelo The Intercept Brasil, Dallagnol alega que o conteúdo foi obtido de forma criminosa.

Veja imagens de sítio em Atibaia (SP) usado por Lula

UOL Notícias

TRF manda Dirceu pagar multa de R$ 4,5 milhões por danos à Petrobras

Publicado em 30/09/2019 – 18:19 – Por André Richter – Repórter da Agência Brasil Brasília

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, decidiu que o ex-ministro José Dirceu comece a pagar multa de R$ 4,5 milhões por danos causados à Petrobras. O valor também inclui custas processuais e multa oriunda da condenação na Operação Lava Jato. 

Dirceu está preso em Curitiba, onde cumpre pena de oito anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em julgamento realizado na última quarta-feira (25), os desembargadores da 8ª Turma do TRF4 entenderam que as penas acessórias também podem ser executadas após o fim de recursos na segunda instância da Justiça, como acontece com a pena de prisão.

A prisão do ex-ministro foi determinada em maio pelo juiz Luiz Antonio Bonat, titular da 13ª Vara Federal em Curitiba. A decisão foi tomada após TRF4 negar recurso da defesa de Dirceu e determinar o cumprimento da pena com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que autoriza prisão ao fim dos recursos em segunda instância.    

Edição: Nádia FrancoTags: TRF4stfsegunda instânciajosé dirceuPetrobraspagamento de multa

Procuradores da Lava Jato pedem que Lula cumpra pena no semiaberto

Em petição, membros da força-tarefa destacam que petista cumpriu um sexto de sua pena no caso do tríplex do Guarujá e tem bom comportamento

Por André Siqueira 27 set 2019, 20h05 – Publicado 27 set 2019, 19h15

Lula Julgamento no STJ
Lava Jato também pede que o ministro Edson Fachin seja comunicado do pedido no âmbito do habeas corpus que trata da suspeição do ex-juiz Sergio Moro (Reprodução/Reprodução)

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que conceda prisão domiciliar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na petição, assinada por membros da força-tarefa da Operação Lava Jato, como procurador Deltan Dallagnol, os procuradores alegam que o petista tem bom comportamento e já cumpriu um sexto de sua pena no caso do tríplex do Guarujá.

Nesta sexta-feira, o Radar havia antecipado a intenção da Lava Jato de pedir a progressão de regime de Lula, que será obrigado a trabalhar durante o dia. Os procuradores afirmam que “o cumprimento da pena privativa de liberdade tem como pressuposto a sua execução de forma progressiva”. Em outro trecho, a petição destaca que, considerando a pena fixada a Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 8 anos, 10 meses e 20 dias, “o custodiado encontra-se na iminência de atender ao critério temporal (um sexto da pena) para a progressão de regime”.

A força-tarefa da Lava Jato também pede que o ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF) seja comunicado do pedido no âmbito do pedido de habeas corpus, impetrado pela defesa de Lula, que trata da suspeição do ex-juiz federal Sergio Moro, que condenou, em primeira instância, o ex-presidente a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Além de Dallagnol, estão entre os procuradores que assinam o pedido Roberto Pozzobon, Laura Tessler, Orlando Martello e Januário Paludo.

Procurado por VEJA, o advogado Cristiano Zanin Martins afirmou, em nota, que “o ex-presidente Lula deve ter sua liberdade plena restabelecida porque não praticou qualquer crime e foi condenado por meio de um processo ilegítimo e corrompido por flagrantes nulidades. Sem prejuízo disso, conversaremos novamente com Lula na próxima segunda-feira sobre o direito em questão para que ele tome a sua decisão sobre o assunto”.

Leia aqui a íntegra do pedido do MPF.

Gabriela Hardt: veja quem é a juíza que assume temporariamente a Lava Jato

Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato
Jornal Hoje
Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato

 

Juíza substituta vai conduzir temporariamente os processos da Lava Jato

Com o afastamento de Sérgio Moro dos processos da Lava Jato, nesta quinta-feira (1º), a operação deve ser comandada, temporiamente, pela juíza Gabriela Hardt – substituta da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná.

Gabriela Hardt fica à frente dos processos da Lava Jato até que seja escolhido um novo juiz titular – ela não pode assumir em definitivo porque é juíza substituta. Essa seleção será de responsabilidade do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4).

A partir de segunda-feira (5), os réus do processo que investiga a compra do sítio de Atibaia serão interrogados. O interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está marcado para 14 de novembro.

Quem é Gabriela Hardt

Gabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: ReproduçãoGabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: Reprodução

Gabriela Hardt assume temporariamente os processos da Lava Jato — Foto: Reprodução

Hardt é paranaense, tem 42 anos e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. O pai dela trabalhava em uma unidade da Petrobras que fica na cidade.

Ela é formada em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sérgio Moro dava aulas.

Gabriela prestou concurso para a Justiça Federal, em 2007, e foi nomeada juíza, em 2009, para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado.

Em 2014, foi nomeada juíza substituta na 13ª vara federal e assumia os trabalhos quando o juiz Sergio Moro saía de férias.

Em uma dessas ocasiões, em maio deste ano, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, que na sequência conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por curiosidade, a juíza é atleta, começou a nadar ainda jovem e atualmente compete em provas de maratonas aquaticas – nadando cinco quilômetros em águas abertas.

Por G1