Governo cancela horário de verão neste ano

BRASÍLIA – O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou nesta sexta-feira a decisão do presidente Jair Bolsonaro de acabar com o horário de verão para o ano de 2019. O presidente disse mais cedo, em um café com jornalistas, que a medida seria tomada em breve. No Twitter, o presidente afirmou que estudos técnicos “apontam para a eliminação dos benefícios”.

O tema vinha sendo estudado pelo governo e a decisão foi tomada baseada em estudos encomendados pelo presidente ao Ministério de Minas e Energia (MME). Por enquanto, a extinção do horário de verão só tem validade para esse ano.

De acordo com o porta-voz, o MME realizou análises técnicas e pesquisas de opinião que apontaram que 53% são favoráveis ao fim do horário. Ele, no entanto, não soube informar os dados referentes aos que são contrários ou não responderam a pesquisa.

Embora a medida tenha a validade apenas para esse ano, o governo continuará fazendo estudos para avaliar sua extinção definitiva.

Historicamente, o horário de verão começa no terceiro domingo de outubro, mas seu início em 2018 foi adiado por conta do segundo turno das eleições, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se não houvesse o adiamento, aumentaria a diferença de horário entre os estados do Sul e do Sudeste e os que já têm fuso diferente, atrapalhando a divulgação dos resultados das urnas.

Em vigor desde 1931, a mudança de horário foi uma estratégia do governo para gerar economia de energia, já que, durante a estação, as pessoas chegavam em casa e ligavam os chuveiros, ocasionando picos de consumo e grande desperdício.

Atualmente, cerca de 30 países do mundo adotam o horário de verão.

Sem economia

O horário de verão, que terminou em fevereiro deste ano, não resultou em economia de energia, segundo fontes do setor. Os dados oficiais serão entregues pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na próxima semana ao presidente Jair Bolsonaro.Segundo dados do Minitério de Minas e Energia, a economia com o horário de verão vem caindo ano após ano desde 2013, quando foram poupados R$ 405 milhões. No ano seguinte, foram R$ 278 milhões, número que passou para R$ 162 milhões, em 2015, e R$ 147,5 milhões, em 2016.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do Instituto de Economia da UFRJ, Nivalde de Castro, disse que realmente não faz mais sentido econômico a adoção do horário de verão devido à redução do consumo, por conta da recessão econômica. Além disso, ele ressalta que vem entrando em operação novos sistemas de geração, principalmente de energias renováveis como eólica e solar, fazendo com que haja sobra de energia no sistema.

O horário de verão era adotado para atender o consumo de energia nos horários de pico que eram em geral no início da noite. Agora, segundo Nivalde de Castro, além do consumo menor e oferta maior, o horário de pico passou para o período da tarde, por volta das 15 horas.

— Tem fundamento técnico acabar com o horário de verão. Isto porque a economia não vem crescendo muito nos últimos anos com o consumo baixo. Ao mesmo tempo tem aumentado a capacidade instalada de geração no país com novos projetos principalmente de eólicas e solares — destacou Castro.

Fernando blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), disse que o anúncio do fim do horário de verão pegou o setor de surpresa, já que o tema não estava em discussão.

— Fomos surpeendidos. Haverá impacto nos negócios, mas a perda pode variar por bairro e por tipo de estabelecidimento. Os que mais sofreram serão os bares próximos à praia e com apelo turístico. A mudança não é bem vista pelo setor. É difícil mensurar o impacto, pois o horário de verão vigora há muito tempo e faz parte do país e do comportamento do consumidor — disse ele.

Para Blower, não está descartada uma possível rodada de conversa com o governo:

— Temos que falar em nível nacional. Se ficar visível que a categoria for impactada, faremos um pleito para que essa decisão seja revertida.

O globo