Economia: Dólar tem dia de trégua e cai para R$ 3,96

O dólar começou a terça-feira em alta e voltou a superar R$ 4,00. Mas a notícia de que a Casa Branca vai adiar o início da cobrança de tarifas a determinados produtos chineses para dezembro trouxe alívio ao mercado e o dólar passou rapidamente a cair. Operadores relatam ainda que uma entrada expressiva de recursos do exterior contribuiu para aumentar a oferta da moeda, retirando pressão sobre o câmbio. Com isso, o dólar, que na máxima foi a R$ 4,01, caiu a R$ 3,94 na mínima Apesar de ficar em segundo plano aqui, a Argentina seguiu no radar das mesas de câmbio, assim como a situação dos protestos em Hong Kong, que fez moedas de emergentes asiáticos se enfraquecerem. O dólar à vista terminou o dia em queda de 0,39%, a R$ 3,9678.

“O adiamento das tarifas sobre a China e entrada forte de capital ajudaram o dólar a cai”, ressalta o diretor de tesouraria do Travelex Bank, João Manuel Campanelli Freitas. Ao postergar o aumento tarifário, o executivo ressalta que os americanos mostram disposição em negociar um acordo comercial, o que ajuda a tranquilizar o mercado, que tinha reduzido nos últimos dias as apostas de uma solução para o caso.

Para o diretor do Travelex Bank, há muitos recursos para entrar aqui, por conta de captações externas recentes, operações no mercado de ações e outros negócios. O dólar acima de R$ 3,95 propicia uma boa oportunidade para trazer esses recursos, ressalta ele.

Depois de pressionar o câmbio na segunda, a Argentina ficou em segundo plano nesta terça aqui, apesar de o dólar continuar em forte alta no país vizinho, mas seguiu no radar dos investidores. O Banco Central intensificou as intervenções no câmbio, vendendo dólares e títulos, mas sem sucesso. Enquanto a moeda americana caiu no Brasil, México, Colômbia, Rússia e África do Sul, subiu 6% ante o peso argentino.

Para o estrategista do Société Générale, Dev Ashish, considerando que o peronista Alberto Fernandez se tornou “claro favorito” para vencer as eleições, seria uma surpresa se as condições no mercado financeiro argentino melhorassem rapidamente, na medida que pode ser difícil o país evitar um novo default. Ao mesmo tempo, ele prevê que o “tsunami” nos mercados deve prejudicar ainda mais a recuperação da atividade econômica, ressalta em relatório. Por isso, o peso deve seguir pressionado e pode voltar a afetar os mercados da região.

Cotações: Dólar cai pelo 3º dia e fecha a R$ 3,682, menor valor desde maio

dólar comercial caiu 1,02% nesta quarta-feira (17) e fechou cotado a R$ 3,682 na venda, na terceira queda seguida. Esse é o menor valor de fechamento em quase cinco meses: em 25 de maio, valia R$ 3,668.

Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou praticamente estável, com leve ganho de 0,05%, a 85.763,95 pontos.

Na véspera, o dólar caiu 0,37% e a Bolsa subiu 2,83%, na maior valorização diária em mais de uma semana.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para turistas, o valor sempre é maior.

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Eletrobras perde mais de 5%

Entre os destaques da Bolsa, as ações da Eletrobras tiveram fortes perdas, após o Senado rejeitar na véspera um projeto de lei que viabilizaria a privatização de distribuidoras da companhia. As ações ordinárias da Eletrobras (ELET3), com direito a voto em assembleia, caíram 3,72%, enquanto as preferenciais (ELET6), com prioridade na distribuição de dividendos, se desvalorizaram 5,38%.

Os papéis da Petrobras (-1,05%) e do Itaú Unibanco (-1,04%) também registraram queda e influenciaram a baixa do Ibovespa no dia. Por outro lado, as ações da mineradora Vale (+1,91%), do Banco do Brasil (+0,86%) e do Bradesco (+0,12%) fecharam em alta.

Eleições no Brasil

Investidores continuam apostando na vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição para presidente, especialmente depois que pesquisas de intenção de votos mostraram ampla vantagem do capitão reformado.

Resultados de pesquisas, notícias sobre candidatos e boatos deixam o mercado financeiro agitado, favorecendo a especulação na Bolsa de Valores e no câmbio.

O mercado acredita que Bolsonaro faria um governo mais comprometido com reformas econômicas e com o controle de gastos devido ao perfil liberal de seu principal assessor econômico, Paulo Guedes.

Juros nos EUA

No cenário externo, investidores reagiam à ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), divulgada na tarde desta quarta. O documento mostrou que todos os membros votantes do Fed apoiaram o aumento dos juros no mês passado.

Com isso, o mercado aposta que o Fed deve aumentar os juros mais uma vez até o fim deste ano. Taxas maiores nos EUA podem atrair para lá recursos aplicados em outras economias, como a brasileira.

Atuação do BC

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7.700 swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de novembro, no total de US$ 8,027 bilhões. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

(Com Reuters)

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  • Do UOL, em São Paulo