Em novo recorde, bolsa bateu 95 mil pontos puxada por expectativa positiva

O movimento da bolsa pode ser creditado à expectativa positiva do mercado em relação às reformas prometidas pelo governo de Jair Bolsonaro

Ibovespa, índice de referência do mercado brasileiro, caminha para um novo recorde nesta quinta-feira, 17. Pela primeira vez na história, o índice superou o patamar de 95.000 pontos. Entre os papéis com maior valorização estão os da BRF (6.48%), Localiza (6.27%), e Qualicorp (6.04%).

O índice fechou em 95.351,09, alta de 1,01%. Em seu melhor momento atingiu 95.681,82 pontos e em seu pior, 93.950,41.

Segundo analistas do mercado, nenhum fato novo no campo econômico justifica o movimento desta quinta-feira. O desempenho da bolsa pode ser creditado à expectativa positiva do mercado em relação às reformas prometidas pelo governo de Jair Bolsonaro.

“O mercado acredita que muito em breve vai se resolver a questão da Previdência. Sem contar que o otimismo é soberano nesse caso: não há o que acabe com bom humor do mercado”, afirma André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton.

De acordo com Ari Santos, gerente da corretora H.Commcor, o otimismo acaba impulsionando ainda mais o mercado acionário. “Os investidores percebem que a bolsa está indo bem e não querem ficar de fora. Ninguém quer perder nenhuma oportunidade.”

Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, afirma que a aprovação da reforma da Previdência deve colocar o Brasil novamente no rumo do investment grade. “A quantidade de investimentos que vai entrar devido às reformas e a credibilidade que o novo governo está trazendo é muito grande. Isso não deve parar, exceto se o cenário internacional  atrapalhar.”

Mesmo sem nenhum fato econômico concreto, Santos diz que o mercado trabalha em cima de expectativas. “Há expectativa de que saia algo sobre previdência, algum decreto, que venha um ajuste fiscal. A expectativa é de crescimento econômico.”

O Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 passou de 2,53% para 2,57%.

Real é a moeda que mais se valorizou ante o dólar neste início de ano

Dólar teve a quarta semana consecutiva de queda ante o real, acumulando baixa de 5,12% nos últimos 30 dias; moeda brasileira é a que mais se valorizou, considerando ranking com 143 países

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2019 | 12h28
Atualizado 11 Janeiro 2019 | 22h07

dólar teve a quarta semana consecutiva de queda, acumulando baixa de 5,12% nos últimos 30 dias. O real é a divisa que mais se valorizou ante a moeda americana neste começo de 2019, considerando um ranking de 143 países preparado pela Austin Rating. Nesta sexta-feira, 11, o dólar chegou a superar os R$ 3,72, refletindo um fluxo de saída de recursos do País por conta de uma operação de uma grande empresa. O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,16%, a R$ 3,7135.

No mercado de ações, em uma semana na qual renovou sucessivos recordes e se aproximou dos 94 mil pontos, o Ibovespa sucumbiu às correções e encerrou o último pregão da semana em baixa de 0,16%, aos 93.658,31 pontos. Ainda assim, garantiu uma rentabilidade acumulada semanal de 1,98% e, no mês, de 6,57%. O giro financeiro foi de R$ 14,9 bilhões. O movimento de baixa foi compatível com o de seus pares em Nova York, ainda que um pouco mais ameno.

Dólar
O dólar, que oscilou entre altas e baixas ante o real, operava com leve valorização. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar

A moeda americana teve um dia de instabilidade, em dia de fraca liquidez, acompanhando o movimento do dólar no exterior, que subiu ante o euro e moedas de alguns emergentes, como o México e a Turquia, em meio a preocupações sobre o fechamento do governo americano, que já dura três semanas, a desaceleração da economia mundial e os rumos das conversas comerciais entre a Casa Branca e Pequim.

Após a queda de 4% nas duas primeiras semanas de 2019, a dúvida é se o dólar tem fôlego para cair mais no Brasil nas próximas semanas. O estrategista para emergentes do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin, avalia que melhora adicional do real será difícil até que ocorra “progresso concreto” nas reformas. Para o executivo, os investidores ficaram “otimistas demais” com o novo governo e o andamento das reformas não deve ser tão fácil como esperado.

O banco alemão Commerzbank avalia que boa parte das perspectivas positivas com o Bolsonaro já está nas cotações do câmbio e, portanto, só a implementação das medidas pode ajudar o dólar a cair mais.

No curto prazo, o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, avalia que há espaço para o dólar subir “um pouco mais em meio ao movimento de correção técnica”. Para ele, caso a cotação fique entre R$ 3,74/R$ 3,80, pode ser um ponto que atraia vendedores da moeda, como importadores.

A avaliação dos especialistas em câmbio é que a dinâmica sobre a reforma da Previdência e o cenário internacional devem seguir ditando o comportamento do câmbio. Nesta sexta-feira, a novidade sobre a reforma foi a declaração do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que na segunda-feira, 14, o governo terá uma discussão preparatória sobre a reforma antes de apresentar a proposta para Bolsonaro, prevista também para a semana que vem. Na avaliação do economista sênior para a América Latina da consultoria americana Continuum Economics, Pedro Tuesta, um dos riscos é que o governo, apesar do esforço do ministro da Economia, Paulo Guedes, só consiga aprovar uma versão desidratada das medidas para mudar a aposentadoria.

Bolsa

Houve nesta sexta-feira um fluxo de notícias específicas corporativas que contrabalancearam o ímpeto de realizações, como o sinal verde do presidente Jair Bolsonaro para a junção da Embraer e Boeing. As ações ordinárias da fabricante brasileira de aeronaves passaram o dia em alta – chegando na máxima intraday a 10% – e encerraram com ganhos de 2,57%%. Também, complementa Passos, a renda variável teve início de ano com rali forte e os investidores começaram a puxar os papéis que ficaram mais para trás, como, por exemplo, Ambev, que fechou o dia em alta de 2,61%.

Por mais um dia consecutivo, as ações ON do Banco do Brasil tiveram alta em contraposição ao restante das blue chips. Encerraram com ganhos de 0,41%.

Para o início da próxima semana de negócios, o analista acredita que o exterior ainda pesará sobre as decisões, uma vez que está prevista a votação do Brexit, as negociações entre Estados Unidos e China ainda estão em andamento e há divulgação de dados econômicos nos dois países, como varejo americano e balança comercial chinesa, que dão indicações a respeito do ritmo de aquecimento da economia global. No Brasil, o mercado fica atento ao IBC-BR do Banco Central. “A divulgação dos dados do varejo também pode mexer com os papéis ligados a consumo pontualmente, mas o externo vai se sobrepor”, prevê Passos.

A conta-gotas, os investidores estrangeiros começam a voltar à Bolsa e ingressaram com R$ 63,543 milhões na última quarta-feira, 9. Ainda assim, o saldo acumulado é negativo em R$ 1,138 bilhão.

Bovespa fecha em alta no 1º pregão do ano, de olho em novo governo; Eletrobras dispara

Por G1

 Bolsa de Valores de São Paulo atinge o maior nível da história

Bolsa de Valores de São Paulo atinge o maior nível da história

O principal indicador da bolsa brasileira, a B3, fechou em forte alta nesta quarta-feira (2), renovando recorde histórico, com os investidores monitorando os primeiros passos do novo governo. O mercado também digere os dados da economia internacional, mas neste pregão colocou em segundo plano a preocupação com uma desaceleração global.

O Ibovespa subiu 3,56%, a 91.012 pontos, renovando recorde de fechamento. Na máxima do dia, chegou a 91.478 pontos, batendo também o recorde intradia de 3 de dezembro (91.242 pontos) . Veja mais cotações.

O patamar mais alto de pontuação de fechamento também havia sido alcançado 3 de dezembro (89.820 pontos).

Já o dólar fechou em queda de 1,69% nesta quarta, vendido a R$ 3,8087, também repercutindo as as notícias sobre o primeiro dia do governo de Jair Bolsonaro, que tomou posse no dia anterior.

Ao longo desta quarta, ocorre a transmissão de cargos para os novos ministros, entre eles Paulo Guedes, novo ministro da Economia. No discurso de posse, Guedes disse que a Previdência Social, as privatizações e a simplificação de tributos são os “pilares da nova gestão”.

O novo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília — Foto: Valter Campanato/Agência BrasilO novo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O novo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de transmissão de cargo, em Brasília — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

“O mercado vai reagir pontualmente sempre que alguém (do novo governo) fizer declarações”, disse à Reuters o operador de câmbio da Necton Corretora, José Carlos Amado.

Paulo Nepomuceno, estrategista-chefe da corretora Coinvalores, afirma que o ano começa com um certo otimismo com o novo governo de Jair Bolsonaro, após a posse presidencial. “A transição [entre governos] foi relativamente tranquila e agora, com as rédeas nas mãos, vamos saber o que o novo governo vai priorizar”, afirmou ao Valor Online.

Durante a posse, Bolsonaro disse que o governo fará “reformas estruturantes, que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades”. Muitos investidores, no entanto, aguardam demonstrações mais concretas de que a equipe terá a habilidade necessária para viabilizar os projetos.

O economista chefe da Spinelli, André Perfeito, disse à Globonews que o que se vê no mercado “é um investidor local ainda muito encantado com a figura de Paulo Guedes e de Bolsonaro”, enquanto o investidor estrangeiro ainda tenta entender quais serão as políticas efetivamente adotadas pelo novo governo.

Eletrobras dispara

O bom desempenho da bolsa foi ajudado pelos papéis da Eletrobras. As ações ordinárias da estatal subiram 20,72% e as preferenciais, 13,77%, no primeiro pregão após vender sua distribuidora Ceal (AL). O mercado também repercute a fala do novo ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque Júnior, que disse nesta quarta que dará prosseguimento ao processo de capitalização da Eletrobras. O processo, iniciado durante o governo do ex-presidente Michel Temer, previa a privatização da estatal por meio da emissão de ações.

Os investidores também reagiram ao noticiário do dia trazendo que a Odebrecht pagará cerca de R$ 161,9 milhões à elétrica após acordo relacionado à operação Lava Jato, e que o presidente da empresa, Wilson Ferreira Jr., foi convidado pelo governo Bolsonaro para continuar no comando da estatal e disse que aceitou a oferta.

A Petrobras teve alta de 6,26% nas ações preferenciais e de 5,35% nas ordinárias. As ações do Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil também tiveram alta entre 4% e 6%, ajudando a puxar o Ibovespa para cima.

Cenário externo

No cenário internacional, os investidores reagem aos novos indicadores da economia chinesa que reforçam os sinais de desaceleração da economia global, destaca a Reuters. “Temores sobre uma desaceleração na China, em meio a tensões comerciais com os EUA, aumentaram nos últimos meses”, destacou à agência o analista Jasper Lawler, do London Capital Group.

A atividade industrial da China contraiu pela primeira vez em 19 meses em dezembro, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit, divulgada nesta quarta.

Último pregão

No último pregão de 2018, o Ibovespa subiu 2,84%, aos 87.887 pontos. No ano, acumulou alta de 15%.