“Isso é um crime. Alguém tem que ir preso”, desabafa médico após paciente morrer sem atendimento em Natal

O médico anestesiologista Madson Vidal fez um desabafo nesta segunda-feira (8) ao comentar o caso do paciente que morreu em Natal na última sexta (5) vítima de um infarto após ter tido atendimento negado no Hospital Walfredo Gurgel. O homem chegou a gravar um vídeo relatando que não pode ser atendido no local. A gravação foi divulgada pela família após a morte dele.

Em entrevista ao programa 12 em Ponto 98, da 98 FM Natal, o médico Madson Vidal afirmou que a morte de José Williams da Rocha, de 56 anos, foi um “crime doloso” praticado por gestores da saúde do Estado. Ao ter o atendimento negado, José Williams foi orientado a procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele foi socorrido no Hospital dos Pescadores, mas não resistiu.

“O que aconteceu hoje no Rio Grande do Norte, alguém tem que ser punido. Isso é um crime. É a mesma coisa de eu pegar um revólver, atirar em você e matar o que fizeram com esse senhor. Alguém tem que ir preso. É um crime doloso, que foi provocado, premeditado, porque eles já sabiam da situação da saúde do estado do Rio Grande do Norte”, declarou o médico.

Segundo o médico, a situação da rede pública de saúde do RN nunca foi boa, mas piorou recentemente. Ele disse que alguém precisa ser responsabilizado pela morte de José Williams.

“Todo tempo teve ruim, mas eu nunca presenciei uma situação tão grave. Nessa situação do seu José Williams, a família não pode perdoar o Estado. A governadora não pode pedir desculpas. Isso é um caso em que ele conseguiu filmar sua morte, mas a gente sabe de casos diários de pessoas que morrem de infarto por falta de assistência. Essa é a ponta de um grande iceberg. A saúde é desestruturada. É falta de gestão, subfinanciamento e desvio de recursos. Na hora que atacar essas questões, você consegue reestruturar, desde que haja compromisso, vontade, responsabilidade dos gestores”, enfatizou o médico.

Madson Vidal também criticou as propostas de regulação da porta do Hospital Walfredo Gurgel. Pela proposta, a unidade passaria a receber apenas pacientes transferidos de outros hospitais. O médico chamou atenção para o fato de a rede de saúde ainda não estar totalmente preparada para esse novo momento.

“A situação é muito grave. Regulação não tem alma, é insensível. A gente está perdendo a capacidade de se preocupar com o outro, de se importar com o outro, de colocar-se na pele do outro. O que a gente vê é um jogo de xadrez. Nunca sentaram, se juntaram para tentar resolver essa questão”, finalizou.

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