Governo tira Mandetta do Senac e ex-ministro perde R$ 21.000 por mês

Ex-ministro da Saúde tinha posto no Conselho Fiscal do órgão. Ele será substituído pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura

Por Marcela Mattos 12 maio 2020, 19h55 – Publicado em 12 maio 2020, 19h44

O ministro Paulo Guedes, da Economia, promoveu nesta terça-feira uma dança das cadeiras no Sistema ‘S’. Um dos afetados pela mudança foi o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que desde julho do ano passado integrava o Conselho Fiscal do Serviço Nacional de Aprendizagem, o Senac. No lugar dele, foi nomeado o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

As reuniões do Conselho Fiscal do Senac costumam acontecer uma vez por mês. Cada encontro rende um pagamento de R$ 21.000. As gratificações extras, chamadas de jetons, não são enquadradas dentro do teto constitucional – ou seja, com elas, ministros podem receber mais do que os R$ 39.200,00 previstos por lei como limite.

Questionado por VEJA, Mandetta minimizou a nova “demissão”. “É natural. Quando a gente é designado para lá, é porque aquela cadeira é do governo federal. Então, o governo indica quais são os membros que vão fazer análise desses referidos conselhos. Eu não estou mais no governo. Eu até estranhei, porque uma semana atrás me ligaram e eles ainda não haviam me substituído. Eu pensei que fossem me substituir no mesmo dia em que eu saí”, afirmou o ex-ministro da Saúde.

Mandetta foi demitido por Jair Bolsonaro em meados de abril por discordar das políticas de enfrentamento ao coronavírus que o presidente vem defendendo. Enquanto minimiza a demissão do conselho do Senac, ele afirma que aguarda uma definição da Comissão de Ética da Presidência se pode voltar a trabalhar ou se tem de ficar em quarentena – ex-ministros têm direito a uma quarentena remunerada de seis meses depois de deixaram o cargo.

“A questão do Senac é o de menos. É protocolar, não se espera nada nesse sentido. O que eu estou aguardando ainda é a manifestação da Comissão de Ética para saber o que eu posso fazer, se eu posso trabalhar, se posso abrir assessoria, dar consultoria. Se eles falarem que eu não posso, vou ter de solicitar a quarentena. Mas eu não quero. Eu quero trabalhar”, afirmou.

O ex-ministro da Saúde afirmou ter recebido muitos convites e vislumbra trabalhar na elaboração de regulamentos sanitários para definir regras de biossegurança que permitam a volta à normalidade após a pandemia do coronavírus. “Imagina como serão os shows, como será para abrir os estádios de futebol.  Isso tudo vai implicar ter muito cuidado com biossegurança, com protocolos. É uma coisa que a gente tem condição de fazer. Quero só poder trabalhar. Já está bom”, afirmou.

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