Coronavírus é encontrado em sêmen de infectados

Uma pesquisa chinesa constatou a presença de coronavírus no sêmen de infectados pela Covid-19. A descoberta levanta a possibilidade de que o vírus possa ser sexualmente transmissível, segundo declararam os cientistas responsáveis pelo estudo.

Maggie Fox, da CNN8 de maio de 2020 às 03:16Atualizado 8 de maio de 2020 às 03:17

Médico atende paciente infectado pelo novo coronavírus, na UTI do Hospital Universitari de Bellvitge, perto de Barcelona, ??na Espanha

Foto: David Ramos/Getty Images

Uma equipe do Hospital Municipal de Shangqiu, na província de Henan, testou 38 pacientes do sexo masculino atendidos no auge da pandemia na China, entre janeiro e fevereiro – todos eles positivos para a Covid-19.

Em 16% deles, foi detectada a presença de coronavírus no sêmen, segundo a equipe informou em artigo na revista Jama Network Open. Quando o material foi colhido, um quarto deles estava em estágio agudo de infecção e quase 9% já estavam se recuperando da doença.

“Descobrimos que o SARS-CoV-2 pode estar presente no sêmen de pacientes com Covid-19 e ainda pode ser detectado mesmo quando eles estão em recuperação”, disse o cientista Diangeng Li.

“Mesmo que o vírus não possa se replicar no sistema reprodutor masculino, ele pode persistir, possivelmente por conta da imunidade privilegiada dos testículos”, acrescentou a equipe.

Essa “imunidade privilegiada” significa que o sistema imunológico não pode alcançar completamente a região para atacar invasores virais.

A descoberta não é surpreendente. Muitos vírus podem viver no trato reprodutivo masculino. Já foi comprovado que o vírus Ebola e o zika permanecem no sêmen, algumas vezes meses após a recuperação de um paciente do sexo masculino.

Ainda não está claro, porém, se o coronavírus pode se espalhar dessa maneira. Encontrar evidências de vírus não significa necessariamente que exista rico de infecção. 

“Se for possível provar que o SARS-CoV-2 pode ser transmitido sexualmente em estudos futuros, a transmissão sexual pode ser uma parte crítica da prevenção da transmissão”, escreveu a equipe. “A abstinência ou o uso de preservativo pode ser considerado um meio preventivo para esses pacientes”, acrescentou o etudo.

Os pesquisadores ressaltaram, ainda, que “são necessários estudos para monitorar o desenvolvimento fetal. Portanto, evitar o contato com a saliva e o sangue do paciente pode não ser suficiente, pois a sobrevivência da SARS-CoV-2 no sêmen de um paciente em recuperação mantém a probabilidade de infectar outras pessoas”.

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