Coronavírus: aviões da FAB decolam de Brasília para trazer 34 brasileiros da China

Número de repatriações, no entanto, pode aumentar; tripulação e médicos também vão passar por quarentena quando retornarem ao Brasil

André de Souza 05/02/2020 – 12:17 / Atualizado em 05/02/2020 – 16:05

O Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e Comandante da Aeronáutica, Tenente Bridadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, acompanham o embarque de militares. Foto: Jorge William / Agência O Globo
O Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e Comandante da Aeronáutica, Tenente Bridadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, acompanham o embarque de militares. Foto: Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA — Até o momento, 34 brasileiros que vivem na região da cidade de Wuhan , na China, já manifestaram interesse em voltar ao Brasil em dois aviões da Força Aérea Brasileiras ( FAB ). O número, porém, ainda pode aumentar.

As aeronaves decolaram no início da tarde desta quarta-feira da base aérea de Brasília, com 11 tripulantes e sete médicos cada. O retorno, já na base aérea de Anápolis (GO), onde será a quarentena, deve ocorrer no sábado.

Assim como os passageiros, os tripulantes e os médicos também passarão por quarentena quando chegarem, mas o prazo em que ficarão isolados ainda está sendo definido. No caso dos passageiros vindos da China, a quarentena vai durar 18 dias.

Um grupo de brasileiros que vive na cidade de Wuhan, epicentro do surto do novo Coronavírus, enviou uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pedindo que fossem transportados de volta ao Brasil com a ajuda do governo

As aeronaves também vão passar por um processo de desinfecção na volta. Os cuidados são para evitar a chegada do nova cepa do vírus, que causa febre e problemas respiratórios e já matou mais de 400 pessoas, quase todas na China.

Sobre a duração da quarentena para tripulantes e médicos, o tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno explicou que isso ainda está sendo definido pelo Instituto de Medicina Aeroespacial (IMAE), que faz parte da FAB. Questionado se eles não ficarão 18 dias, Damasceno respondeu:

— Pode ser que não. O número de 18 dias, estamos preparados em Anápolis, na nossa base área, tendo toda a orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) . Estivemos lá durante a semana preparando os nossos hotéis para recebimento, esvaziamento, com o Ministério da Saúde nos indicando as melhores práticas. Estamos voltando lá diariamente planejando a chegada das famílias, das crianças, berços para os recém-nascidos.

Além disso, os aviões levarão equipamentos, como uma “bolha” que é usada para isolar uma pessoa das demais caso venha a apresentar algum sintoma. Antes do embarque na China, serão feitos exames e quem apresentar sintomas não poderá vir para o Brasil.

Dos sete médicos em cada avião, seis são militares do IMAE que integram as equipes de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN), e um é do Ministério da Saúde. Há inclusive uma infectologista ligada à pasta que fala mandarim.

Cada avião tem capacidade para 30 passageiros, totalizando 60, sem contar a tripulação e médicos, podendo transportar mais gente se necessário. Na terça-feira, quando havia 29 pessoas interessadas em voltar, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, explicou que, nesse tipo de transporte, era importante não ocupar todas as cadeiras.

— Quanto mais espaçado a gente deixar os passageiros brasileiros, melhor, porque diminui a possibilidade de contágio. Então, se tivermos 30 (retornando), 15 numa aeronave e 15 em outra é o ideal — disse Azevedo na terça-feira.

Cada voo até a China durará cerca de 47 horas, incluindo ida e volta e o tempo parado em solo. Os aviões partirão de Brasília e farão paradas para abastecimento em Fortaleza, Las Palmas (nas Ilhas Canárias, que pertencem à Espanha), Varsóvia, Urumqi (na China) e, por último, em Wuhan.

Um grupo de brasileiros que vive na cidade de Wuhan, epicentro do surto do novo Coronavírus, enviou uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pedindo que fossem transportados de volta ao Brasil com a ajuda do governo

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