Léo Dias: Furo de reportagem de morte não agrega valor ao jornalista

Pela segunda vez no mesmo ano o jornalismo brasileiro se viu diante de um dilema que mexe com todo mundo e provoca muitos ataques ferozes na internet. Alguns jornalistas confirmaram nesta quinta-feira (21) a morte de Gugu Liberato antes da família e da Record se pronunciarem. As informações caem nas redações como uma bomba atômica, mas é justamente nesta hora que deve prevalecer o bom senso. Por mais certeza que se tenha, por meio de confirmações não-oficiais, essa é a notícia em que não dá para se antecipar a um anúncio familiar.

Gugu Liberato

O mesmo aconteceu na morte de Ricardo Boechat. Quase todas as redações já sabiam da morte, mas era fundamental que a Band se pronunciasse. Qual é a verdadeira vantagem em noticiar algo tão grave sem a família se pronunciar? O furo de reportagem precisa ter limites, e o bom senso é o que rege tudo. É se colocar no lugar do outro, se colocar no lugar da família de Boechat e Gugu.

Em poucos minutos, viu-se nas redes sociais uma série de homenagens póstumas a alguém que ninguém sabe se, de fato, morreu. Não cabe à imprensa concluir o que realmente acontece naquele hospital em Orlando. E, acredite, caro coleguinha jornalista, esse furo, não mudará sua carreira.

Só Deus sabe o que vai acontecer nas próximas horas em relação ao estado de saúde de Gugu, mas o aprendizado desta quinta-feira foi que os cliques não valeram a pena. A função da imprensa agora, assim como do público, é rezar e aguardar o comunicado oficial da família Liberato ou da Record TV.

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